No concelho de Vila do Bispo, a poucos quilómetros da costa atlântica, Pedralva é um exemplo singular de regeneração no Algarve. Durante décadas, parecia destinada ao abandono.
Chegou a ter mais de uma centena de habitantes, mas no final do século XX restavam apenas nove, em casas degradadas e sem infraestruturas básicas.
Hoje, a história é diferente. A aldeia foi integralmente recuperada através de um projeto de turismo rural que respeitou a traça original e devolveu coerência ao conjunto.
Um projeto de recuperação pouco comum
O processo passou pela aquisição das casas devolutas e pela sua reabilitação segundo a arquitetura tradicional algarvia: fachadas brancas, linhas simples, ruas estreitas e irregulares. O município colaborou na instalação de redes de eletricidade e saneamento, criando as condições mínimas para a revitalização.
O resultado não foi a transformação numa aldeia temática, mas antes a criação de um espaço habitável, onde as antigas casas funcionam como unidades de alojamento independente. Cada casa mantém a escala original, com interiores adaptados ao conforto contemporâneo.
Um Algarve de interior
Instalada numa zona rural próxima do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, Pedralva serve de base para explorar um Algarve menos associado ao turismo balnear tradicional.
A poucos minutos de carro encontram-se praias como a Praia da Bordeira, a Praia do Amado ou a Praia do Castelejo, conhecidas pelas paisagens amplas e pela prática de surf. A conjugação entre campo e mar é um dos trunfos da localização.
Vida na aldeia
No centro, o restaurante Sitio da Pedralva aposta na gastronomia regional, com destaque para pratos inspirados na tradição algarvia. Nos meses de verão, convém reservar com antecedência.
A aldeia dispõe ainda de piscina, forno comunitário, espaços de convívio e aluguer de bicicletas. É possível organizar atividades como percursos pedestres, passeios de jipe ou rotas de BTT nas redondezas.
O passeio pelas ruas faz-se em poucos minutos, mas é precisamente essa escala reduzida que define a experiência. Aqui não há trânsito nem grandes superfícies comerciais — apenas o ritmo lento de uma aldeia recuperada.
Entre memória e futuro
Pedralva não voltou a ser uma aldeia agrícola tradicional, mas também não se tornou um resort isolado do contexto local. O projeto procurou preservar a identidade do lugar, mantendo a estrutura urbana e a estética original.
Num Algarve frequentemente associado a grandes empreendimentos turísticos, esta pequena aldeia demonstra que há espaço para modelos diferentes de desenvolvimento. Entre o interior e o Atlântico, oferece uma alternativa para quem procura tranquilidade e proximidade com a natureza.
Pedralva é, hoje, um caso raro de reabilitação integral que conseguiu equilibrar memória e funcionalidade — e que continua a afirmar um Algarve mais discreto e menos previsível.







