O cenário é comum no trânsito urbano: o sinal fica vermelho, os carros param e alguns condutores aproveitam os segundos de espera para pegar no telemóvel. Uma mensagem rápida, uma notificação espreitada, uma chamada atendida. O gesto parece inofensivo — mas não é.
Para a Polícia de Segurança Pública, não há ambiguidades: mesmo parado num semáforo, o condutor continua a conduzir. E usar o telemóvel nessa circunstância constitui uma infração grave.
Parado não é o mesmo que estacionado
Um dos equívocos mais frequentes é confundir imobilização momentânea com estacionamento. Enquanto o veículo estiver integrado na circulação — motor ligado, condutor ao volante, via pública — a condução mantém-se.
É por isso que o Código da Estrada proíbe o manuseamento do telemóvel durante a condução, excetuando apenas os sistemas de mãos-livres que não exijam contacto manual. A regra aplica-se em andamento, em filas de trânsito e também nos semáforos.
Segundo esclarecimentos da PSP, o simples acto de segurar ou usar o telefone enquanto se espera pelo verde é suficiente para justificar a autuação.
Coimas elevadas e perda de pontos
A infração é classificada como grave e as consequências não são leves. Quem for apanhado a mexer no telemóvel ao volante arrisca:
- multa entre 250 e 1.250 euros;
- perda de três pontos na carta de condução;
- inibição de conduzir entre um mês e um ano, nos casos mais sérios.
O enquadramento legal é rigoroso porque a distração ao volante continua a figurar entre as principais causas de acidentes, sobretudo em meio urbano.
Porque é arriscado, mesmo com o carro parado
Olhar para o ecrã durante alguns segundos pode parecer irrelevante, mas basta esse intervalo para perder informação crítica: o momento em que o semáforo muda, um peão que inicia a travessia, um ciclista que surge pelo lado direito.
Estudos internacionais indicam que o uso do telemóvel multiplica o risco de acidente. A PSP sublinha que a atenção deve ser contínua, mesmo em paragens breves, porque o trânsito urbano é dinâmico e imprevisível.
Há inúmeros exemplos de pequenos acidentes provocados por distrações em semáforos: choques traseiros ao arrancar, travagens tardias, confusão entre condutores. Situações aparentemente menores, mas com consequências reais.
E se for mesmo urgente?
A recomendação das autoridades é clara: se houver necessidade de atender uma chamada ou responder a uma mensagem urgente, o condutor deve sair da faixa de rodagem e estacionar em segurança antes de tocar no telemóvel.
É uma solução simples que evita multas e, sobretudo, reduz o risco de acidentes.
Uma questão de responsabilidade
A segurança rodoviária não depende apenas das grandes decisões, mas também de pequenos gestos repetidos todos os dias. Estar atento num semáforo é parte dessa responsabilidade. O tempo de espera pode ser curto, mas a distração pode ter efeitos duradouros.
Parar num semáforo não suspende a condução. E o telemóvel pode — e deve — esperar.







