Quando chega o inverno, o ar condicionado passa a ser um dos principais aliados para aquecer a casa. O problema é que, para muitas famílias, também se transforma numa das maiores fontes de despesa elétrica.
A maioria das pessoas acredita que quanto mais alta for a temperatura no comando, mais confortável será o ambiente. Na prática, esse hábito é um dos maiores responsáveis por contas de luz inflacionadas.
A eficiência energética não depende de aquecer a casa até parecer verão. Depende de escolher uma temperatura equilibrada entre conforto e consumo.
O intervalo que realmente poupa dinheiro
Para aquecer uma divisão de forma eficaz, a temperatura recomendada situa-se entre os 18 °C e os 20 °C. Este intervalo é suficiente para eliminar a sensação de frio sem forçar o equipamento a trabalhar em excesso.
O motivo é simples: o ar condicionado precisa de vencer a diferença entre a temperatura exterior e a interior. Quanto maior for esse “salto térmico”, maior é o esforço do compressor e maior o consumo de eletricidade. Reduzir a meta de aquecimento em apenas alguns graus faz uma diferença direta na fatura.
Em média, cada grau acima do necessário representa um aumento de cerca de 7% no consumo energético. Passar de 24 °C para 20 °C pode significar mais de 25% de poupança mensal.
Como manter o conforto sem subir os graus
Usar menos temperatura não significa viver numa casa fria. Pequenos ajustes fazem com que 19 ou 20 graus sejam perfeitamente confortáveis:
- Fechar estores e cortinas à noite, reduzindo as perdas de calor pelos vidros
- Usar o modo Eco, que limita os picos de consumo do compressor
- Vestir uma camada extra de roupa, que é sempre mais barato do que aquecer todo o ar da divisão
- Confirmar que o aparelho está em modo Heat (sol), e não em automático
Estes detalhes permitem manter uma sensação térmica agradável sem obrigar o aparelho a trabalhar no limite.
O mito do “aquecer mais depressa”
Um dos erros mais comuns é colocar o ar condicionado nos 28 ou 30 graus para tentar aquecer a sala mais rapidamente. O aparelho não vai soprar ar mais quente por causa disso.
Vai apenas funcionar durante mais tempo, sem parar, até tentar atingir um valor irrealista para o espaço e para o isolamento da casa. O resultado é mais consumo e pouco ganho de conforto.
À noite, menos é mais
Durante o sono, o corpo humano adapta-se melhor a temperaturas mais baixas. Dormir com a casa entre 16 °C e 17 °C é suficiente para o conforto e muito mais económico. Um bom edredão faz o resto do trabalho, sem custos na fatura.
Conclusão
O número que aparece no visor do ar condicionado faz mesmo a diferença. Manter a casa nos 19 ou 20 graus em vez de 24 pode reduzir de forma significativa o consumo de eletricidade sem comprometer o bem-estar.
No inverno português, o objetivo não é criar um clima tropical, mas sim eliminar o frio e a humidade de forma eficiente. É aí que está a verdadeira poupança.







