Quando a humidade sobe e o bolor começa a dar sinais de vida, o desumidificador passa a ocupar lugar de destaque em muitas casas portuguesas. O impulso natural é simples: deixá-lo ligado o máximo de tempo possível para “secar” a casa de uma vez por todas.
Na prática, essa estratégia é um erro. Além de aumentar a fatura da eletricidade, pode reduzir a eficácia do próprio aparelho e até prejudicar o conforto no interior da habitação.
A humidade ideal não é zero
O objectivo de um desumidificador não é criar ar seco, mas sim manter a humidade relativa dentro de uma faixa saudável, normalmente entre 40% e 60%.
Abaixo destes valores, o ar torna-se desconfortável: surgem garganta seca, irritação nasal, pele desidratada e maior sensibilidade ao pó. Quando a divisão já está dentro do intervalo ideal, o aparelho continua a gastar energia, mas quase não recolhe água. É trabalho em vazio.
Em casas frias, o rendimento cai
A maioria dos desumidificadores domésticos funciona por condensação, um sistema semelhante ao de um frigorífico. Em divisões muito frias, abaixo dos 15 °C, estas máquinas entram frequentemente em modo de degelo para evitar que as serpentinas congelem.
Durante esse período, o aparelho consome electricidade mas praticamente não remove humidade. Em muitas casas portuguesas mal aquecidas, isto significa horas de funcionamento com pouco ou nenhum efeito prático.
Aquecer ligeiramente a divisão antes de ligar o desumidificador melhora bastante o seu rendimento.
O erro clássico: portas e janelas abertas
Outro desperdício comum é usar o desumidificador numa divisão que não está isolada do resto da casa ou do exterior. Com uma janela entreaberta ou uma porta para o corredor aberta, o aparelho tenta secar uma massa de ar que está sempre a ser renovada.
O resultado é simples: consumo elevado e humidade praticamente igual.
| Situação | Usar desumidificador? | Motivo |
|---|---|---|
| Depois do banho | Sim | Evita que o vapor se espalhe |
| A secar roupa no interior | Sim | Acelera a secagem e reduz odores |
| Durante a noite no quarto | Geralmente não | Pode secar o ar em excesso e incomodar |
| Com janelas abertas | Não | O ar húmido entra continuamente |
Como tirar partido do aparelho
A utilização mais eficiente passa por três regras simples:
- Usar o humidóstato – Se o equipamento permite definir um valor, como 50%, esse deve ser o objectivo. O aparelho liga e desliga sozinho conforme a necessidade.
- Trabalhar por ciclos – Em vez de 24 horas seguidas, períodos de 4 a 6 horas nas divisões mais húmidas são normalmente suficientes.
- Aproveitar horários mais baratos – Quem tem tarifa bi-horária pode concentrar o uso nas horas de vazio, reduzindo o impacto na factura.
Conclusão
O desumidificador é uma ferramenta de controlo, não um equipamento que deva estar sempre em funcionamento. Quando usado de forma contínua e sem critério, gasta energia, desgasta-se mais depressa e nem sempre melhora a qualidade do ar.
Saber quando o desligar é tão importante como saber quando o ligar.







