A fatura da eletricidade tornou-se uma das principais preocupações das famílias portuguesas, sobretudo durante o inverno.
O aumento do valor é muitas vezes atribuído, de forma genérica, às luzes ou ao aquecimento, mas a realidade é mais concreta: existem aparelhos que consomem muito mais energia do que se imagina e que funcionam como verdadeiros “vampiros” elétricos.
Saber quais são e ajustar a forma como são utilizados pode traduzir-se numa poupança significativa ao longo do ano, sem comprometer o conforto no dia a dia.
De acordo com dados da ADENE – Agência para a Energia, o consumo doméstico não é equilibrado entre todos os equipamentos. Alguns aparelhos concentram uma fatia muito relevante do gasto mensal.
Frigorífico e arca congeladora: consumo constante
O frigorífico não é o aparelho mais potente da casa, mas é aquele que nunca se desliga. Essa utilização contínua faz com que represente cerca de 20% a 25% do consumo elétrico total de uma habitação.
Para reduzir o impacto, é essencial manter a grelha traseira limpa, garantindo uma boa dissipação do calor. A temperatura deve estar corretamente ajustada: cerca de 5 °C no frigorífico e -18 °C no congelador. Cada grau abaixo destes valores pode aumentar o consumo em cerca de 5%.
Máquinas de lavar e secar: o custo do aquecimento
Nas máquinas de lavar roupa e loiça, o maior gasto não está no motor, mas na resistência que aquece a água. O mesmo acontece com a máquina de secar, onde o ar quente é o principal responsável pelo consumo elevado.
Optar por lavagens a frio ou a baixas temperaturas (30 °C ou menos) permite poupar até 80% da energia usada num ciclo. No caso da secadora, a limpeza regular do filtro de cotão é fundamental, pois um filtro obstruído prolonga o tempo de funcionamento e aumenta o consumo.
Termoacumulador elétrico: o grande consumidor silencioso
O termoacumulador, também conhecido como cilindro elétrico, está entre os equipamentos mais dispendiosos em termos energéticos. Manter dezenas de litros de água constantemente aquecidos é pouco eficiente.
A instalação de um temporizador permite que o aparelho funcione apenas nas horas necessárias, idealmente durante períodos de tarifa reduzida. Ajustar o termóstato para cerca de 60 °C é suficiente para garantir segurança e evitar desperdícios.
Consumo médio mensal por equipamento
| Eletrodoméstico | Consumo médio mensal | Impacto na fatura |
|---|---|---|
| Frigorífico eficiente | 30–50 kWh | Médio (constante) |
| Termoacumulador elétrico | 150–250 kWh | Muito elevado |
| Máquina de secar roupa | 60–80 kWh | Elevado |
| Forno elétrico (uso frequente) | 20–40 kWh | Médio |
| Placa de indução | 30–50 kWh | Médio |
Stand-by: o consumo invisível
Televisões, consolas, boxes e carregadores continuam a consumir energia mesmo quando parecem desligados. Este consumo residual pode representar até 10% da fatura mensal.
A solução passa por utilizar extensões com interruptor, permitindo desligar vários aparelhos em simultâneo durante a noite ou quando a casa está vazia.
Forno elétrico ou Air Fryer?
O forno elétrico necessita de aquecer um espaço grande, mesmo para pequenas quantidades de comida. Em muitas situações, alternativas como a Air Fryer ou o micro-ondas são mais eficientes.
A Air Fryer, em particular, pode consumir entre 50% e 70% menos energia do que um forno tradicional para a mesma tarefa, graças ao aquecimento rápido e ao espaço reduzido.
Reduzir a fatura da eletricidade não implica abdicar de conforto, mas sim gerir de forma mais consciente os aparelhos que funcionam continuamente ou que produzem calor.
Ajustes simples, como lavar a frio, desligar equipamentos em stand-by ou programar o termoacumulador, podem ter efeitos visíveis já no mês seguinte.







