Num mundo cada vez mais digital, onde pagamos o café com o telemóvel e o pão com o relógio, a ideia de guardar notas debaixo do colchão parece saída de um filme de época.
No entanto, o Banco Central Europeu (BCE) e os bancos centrais nacionais têm reforçado uma mensagem pragmática: o dinheiro físico não é apenas um meio de pagamento, é um instrumento de resiliência.
Em caso de ciberataques, falhas de energia prolongadas ou interrupções nos sistemas de pagamento eletrónico, as notas e moedas são a única garantia de que a economia não para.
A questão não é de alarmismo, mas de preparação. O BCE defende que o numerário cumpre uma função estratégica de “backup”. Se os terminais de pagamento (TPA) ficarem offline ou se o acesso ao seu homebanking for interrompido, o dinheiro físico é o único que permite adquirir bens essenciais como alimentos, água ou combustível de forma imediata.
Qual é o valor recomendado?
Embora o Banco Central Europeu não dite um valor exato para cada cidadão — uma vez que o custo de vida varia entre países da Zona Euro — autoridades de proteção civil europeias (como as da Alemanha e Áustria) sugerem uma regra de ouro: guardar o suficiente para cobrir despesas básicas durante 3 a 5 dias.
Para uma família média em Portugal, isto pode significar um valor entre 150€ a 300€, dependendo do número de pessoas e das necessidades essenciais.
A importância das notas pequenas e moedas
Em caso de falha sistémica, o troco torna-se um problema. Se tentar pagar um pão de 1€ com uma nota de 50€ num cenário de crise, o comerciante pode não ter como lhe devolver o restante.
- O conselho do BCE: O “fundo de emergência” doméstico deve ser composto maioritariamente por notas de 5€, 10€ e 20€, além de uma quantidade razoável de moedas.
Onde guardar o dinheiro?
A segurança é a maior preocupação ao guardar dinheiro em casa. O BCE alerta que, ao contrário do dinheiro depositado no banco, as notas guardadas em casa não estão protegidas contra roubo, incêndio ou inundação.
- Dicas de conservação:
- Evite locais óbvios como o congelador ou debaixo do colchão.
- Use locais secos e discretos, longe de fontes de calor.
- Considere um pequeno cofre ignífugo (resistente ao fogo).
O papel do Euro Digital nesta equação
Curiosamente, o futuro Euro Digital (que está em fase de preparação) também está a ser desenhado com esta preocupação. O BCE pretende que a nova moeda eletrónica tenha uma função offline, permitindo pagamentos entre telemóveis mesmo sem internet.
No entanto, as notas físicas continuarão a ser o suporte supremo em caso de falha total de energia.
Tabela de preparação
| Elemento | Recomendação | Porquê? |
| Valor Total | Despesas de 3 a 5 dias | Garante autonomia em crises curtas. |
| Denominação | Notas baixas (5€ e 10€) | Facilita o troco em pequenas compras. |
| Moedas | Pelo menos 10€ a 20€ em moedas | Útil para máquinas de venda automática ou pão. |
| Localização | Discreta e segura | Proteção contra furtos e acidentes domésticos. |
Conclusão
Ter dinheiro em casa não significa falta de confiança no sistema bancário, mas sim uma camada extra de segurança pessoal. Como diz o BCE, “o dinheiro físico é o único dinheiro de banco central disponível para todos, garantindo a inclusão e a autonomia”. Numa crise, quem tem numerário tem a capacidade de agir.







