Na estrada, a sinalização é uma linguagem que não admite interpretações livres. Cada cor, forma e símbolo transmite uma regra concreta, pensada para garantir a segurança de peões, ciclistas e condutores. Ainda assim, há sinais que continuam a gerar dúvidas, mesmo entre quem conduz há muitos anos.
Os sinais D7e e D7f são um bom exemplo. Ambos são circulares, azuis e apresentam figuras de peões e bicicletas. À primeira vista, parecem indicar a mesma coisa. Na prática, impõem regras diferentes, previstas no Código da Estrada e no Regulamento de Sinalização do Trânsito.
Sinais parecidos, significados distintos
Os sinais D7e e D7f pertencem à categoria dos sinais de obrigação. Isso significa que o seu cumprimento é obrigatório para todos os utilizadores da via.
- D7e: indica pista obrigatória partilhada por peões e velocípedes, que circulam no mesmo espaço.
- D7f: indica pista obrigatória para peões e velocípedes, mas segregada, com faixas distintas para cada um.
Esta diferença altera completamente a forma de utilização da via. No D7e, a circulação é conjunta e exige maior atenção entre utilizadores. No D7f, cada grupo deve manter-se na sua faixa própria.
O grafismo faz toda a diferença
Apesar da cor e do formato serem iguais, o significado está no desenho:
- No D7e, as figuras do peão e da bicicleta surgem lado a lado, sem separação.
- No D7f, os símbolos aparecem divididos por uma linha vertical, que representa a separação física ou marcada no pavimento.
Ignorar este detalhe pode levar a comportamentos incorrectos e a situações de risco, sobretudo em zonas urbanas com tráfego intenso.
Consequências legais de interpretar mal o sinal
A sinalização prevalece sobre as regras gerais de circulação e deve ser respeitada por todos os utentes da via. Circular numa faixa indevida, especialmente em vias segregadas, constitui infracção.
No caso do sinal D7f, a utilização da faixa errada pode configurar uma contraordenação grave, com coima e eventual perda de pontos na carta de condução. Já no D7e, embora o enquadramento sancionatório seja diferente, o desrespeito pela lógica de partilha aumenta o risco de conflitos e acidentes.
Erros frequentes no dia a dia
Segundo o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, a distinção entre estes sinais continua a gerar erros, inclusive em exames práticos de condução. Entre os comportamentos mais comuns estão:
- ciclistas a circular em zonas destinadas apenas a peões;
- peões a ocupar faixas reservadas a bicicletas;
- condutores que não compreendem a organização destas vias e a prioridade associada.
Situações aparentemente menores acabam por tornar a circulação mais confusa e menos segura.
Uma regra simples para não falhar
Há uma forma prática de memorizar a diferença:
- Figuras juntas: espaço partilhado.
- Figuras separadas: cada um no seu espaço.
Este princípio ajuda a interpretar rapidamente o sinal, mesmo em contextos de circulação mais exigentes.
Atenção e formação fazem a diferença
Especialistas em segurança rodoviária sublinham a importância da actualização contínua dos conhecimentos. Recordar sinais menos comuns e rever regras básicas é uma forma eficaz de reduzir multas e prevenir acidentes.
A distinção entre o D7e e o D7f pode parecer um pormenor, mas traduz-se em comportamentos distintos na via pública. Compreender essa diferença é cumprir a lei e contribuir para uma mobilidade urbana mais segura e organizada.






