Nas casas portuguesas, o inverno traz um desconforto muito próprio: mesmo com o aquecimento ligado, persiste aquela sensação de frio húmido que parece entrar nos ossos. Muitas vezes, o problema não está na temperatura indicada no termóstato, mas sim na quantidade de água suspensa no ar.
A humidade elevada altera a forma como o corpo sente o calor. Perceber esse efeito é essencial para escolher o aparelho certo.
O efeito do frio húmido
Um dia frio e seco é quase sempre mais suportável do que um dia com a mesma temperatura e ar carregado de humidade. Isto acontece porque as partículas de água no ar facilitam a perda de calor do corpo humano. O resultado é uma sensação térmica mais baixa do que a temperatura real.
Quando a humidade relativa numa divisão ultrapassa os 65% ou 70%, o aquecedor passa a gastar energia não apenas para aquecer o ar, mas também toda a água que nele está suspensa. Por isso, muitas casas aquecem no termómetro, mas continuam desconfortáveis na prática.
O papel do desumidificador
Embora não seja um equipamento de aquecimento, o desumidificador tem um impacto direto no conforto térmico.
Em primeiro lugar, ao retirar a humidade do ar, torna-o mais leve e mais fácil de aquecer. Um ar mais seco conserva melhor o calor, o que faz com que a mesma temperatura seja sentida como mais elevada.
Em segundo lugar, os desumidificadores domésticos libertam sempre algum calor residual. O ar que sai do aparelho costuma estar um a dois graus mais quente do que o ar que entra, o que contribui para um ligeiro aumento da temperatura da divisão.
Quando usar cada aparelho
A escolha entre aquecedor e desumidificador depende do estado do ar interior.
Quando a humidade está acima dos 65% e existe sensação de frio persistente, o desumidificador é a melhor primeira opção. Ao secar o ar, os 18 °C de uma sala podem passar a ser sentidos como 20 ou 21 °C.
Se a humidade já estiver abaixo dos 55%, mas o ar estiver realmente frio, então o aquecedor faz mais sentido, pois o problema já não é a água no ar, mas a falta de calor.
Nos casos em que há condensação nas janelas ou sinais de bolor, o desumidificador é indispensável. O aquecedor, por si só, pode até agravar o problema se não houver controlo da humidade.
| Se a sua casa tem… | O que deve ligar? | Porquê? |
| Humidade > 65% e sensação de “osso frio” | Desumidificador | Retirar a água do ar vai fazer com que os 18°C pareçam 21°C. |
| Humidade < 55% mas o ar está gelado | Aquecedor | O ar já está seco; precisa apenas de energia térmica. |
| Condensação nas janelas e bolor | Desumidificador | O aquecedor sozinho pode até piorar o bolor se não houver ventilação. |
A estratégia mais eficaz
Em muitas casas portuguesas, a solução mais eficiente passa por usar os dois aparelhos de forma coordenada.
O primeiro passo deve ser ligar o desumidificador durante uma ou duas horas, para baixar a humidade da divisão. Só depois deve entrar o aquecedor. Com o ar mais seco, o calor espalha-se mais depressa e o consumo de eletricidade é menor.
O que realmente faz a diferença
Quando se trata de combater o frio típico das casas húmidas, o desumidificador resolve muitas vezes mais do que se imagina. É um aparelho barato de manter ligado e atua na causa principal do desconforto: o excesso de água no ar.
Ainda assim, o equilíbrio é essencial. Um ambiente demasiado seco também é desconfortável. Um simples higrómetro, que custa poucos euros, permite saber quando a humidade está dentro da zona ideal e tomar decisões com base em dados reais, e não apenas na sensação térmica.







