Quando chega o reembolso do IRS ou sobra algum dinheiro ao fim do mês, surge um dilema frequente nas famílias portuguesas: onde aplicar este valor para que renda mais sem assumir riscos excessivos?
Em 2026, com taxas de juro mais estáveis e ajustes na fiscalidade dos produtos de poupança, a comparação entre Certificados de Aforro e Planos Poupança Reforma (PPR) continua a fazer todo o sentido.
Apesar de ambos serem vistos como soluções seguras, servem objectivos muito diferentes. A decisão passa, sobretudo, por uma pergunta simples: este dinheiro pode ficar parado vários anos ou pode vir a fazer falta a curto prazo?
Certificados de Aforro: poupança segura e disponível
Os Certificados de Aforro, actualmente na Série F, mantêm-se como um dos produtos mais conservadores do mercado.
- Rentabilidade: indexada à Euribor a 3 meses, com um limite máximo definido e prémios de permanência ao longo do tempo.
- Segurança: o capital é garantido pelo Estado português.
- Liquidez: o resgate é possível após os primeiros três meses, sem penalizações.
- Fiscalidade: os juros são tributados à taxa autónoma de 28%, com retenção na fonte.
São particularmente adequados para quem quer manter o dinheiro acessível, funcionando bem como fundo de emergência ou poupança de curto e médio prazo.
PPR: poupança com forte componente fiscal
O PPR é frequentemente associado à reforma, mas em Portugal destaca-se sobretudo pelos benefícios fiscais, tanto à entrada como à saída.
- Rentabilidade: varia consoante o tipo de produto.
- Seguros PPR oferecem capital garantido.
- Fundos PPR podem ter maior retorno, mas implicam risco.
- Benefício no IRS: é possível deduzir até 400 euros por ano no IRS, consoante a idade e o valor investido.
- Fiscalidade à saída: o imposto sobre os ganhos pode descer até 8%, se o resgate for feito nas condições legais.
- Liquidez: limitada. Levantamentos fora das situações previstas implicam devolução dos benefícios fiscais, acrescida de penalizações.
O PPR faz mais sentido para quem tem um horizonte temporal alargado e quer optimizar a carga fiscal.
Comparação direta
| Característica | Certificados de Aforro | PPR |
|---|---|---|
| Horizonte temporal | Curto / médio prazo | Médio / longo prazo |
| Risco | Muito baixo | Baixo a moderado |
| Dedução no IRS | Não | Até 400 € por ano |
| Imposto sobre ganhos | 28% | 8% a 21,5% |
| Acesso ao dinheiro | Fácil | Condicionado |
O que escolher em 2026?
Certificados de Aforro fazem mais sentido se:
- é importante manter o dinheiro disponível;
- está a construir uma reserva para imprevistos;
- não há interesse em compromissos de longo prazo;
- o limite de deduções no IRS já foi atingido.
Um PPR pode ser a melhor opção se:
- o objectivo for reduzir o IRS a pagar ou aumentar o reembolso;
- o dinheiro puder ficar investido durante vários anos;
- existir interesse em usar o PPR, no futuro, para pagar prestações do crédito à habitação;
- se procurar uma rentabilidade potencialmente superior à dos produtos indexados à Euribor.
A estratégia intermédia
Em muitos casos, a solução mais equilibrada passa por combinar os dois produtos. Uma estratégia comum em 2026 consiste em aplicar o valor necessário para obter a dedução máxima no PPR e colocar o restante em Certificados de Aforro, garantindo simultaneamente benefício fiscal e liquidez.
Conclusão
Não existe uma resposta universal. Certificados de Aforro e PPR não concorrem diretamente: complementam-se. A escolha certa depende do prazo, da necessidade de acesso ao dinheiro e da importância atribuída aos benefícios fiscais. Avaliar estes três fatores continua a ser a melhor forma de decidir onde aplicar cada euro.







