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Castelo de Valongo: esquecido, abandonado e em ruínas no Alentejo

No Alentejo, o Castelo Real de Montoito permanece em ruína. Uma visita a um baluarte medieval que perdeu função, mas não presença na paisagem.

VxMag by VxMag
Fev 15, 2026
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Castelo de Valongo: esquecido, abandonado e em ruínas no Alentejo

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Entre Évora e a fronteira espanhola, numa ondulação suave da planície alentejana, surgem as ruínas do Castelo Real de Montoito. À distância, parecem apenas um recorte irregular no horizonte. De perto, revelam o que resta de uma fortaleza que já foi peça estratégica na organização do território.

Hoje, o castelo não tem bilheteira nem centro interpretativo. Há pedra exposta, vegetação espontânea e o silêncio largo do Alentejo. A experiência faz-se sem mediação.

Um castelo com selo régio

Montoito ganhou relevância no século XIII, quando recebeu foral de D. Afonso III, mais tarde confirmado por D. Dinis. O estatuto de “Real” indicava ligação direta à Coroa e atribuía à povoação um papel administrativo e defensivo relevante num território ainda em consolidação.

A fortificação, de planta quadrangular e reforçada por torres nos ângulos, seguia o modelo gótico que marcou várias construções militares do Alentejo. Para além da função bélica, o castelo estruturava a vida local: era centro de poder, ponto de controlo e referência na gestão de terras agrícolas e de criação de gado.

Com o tempo e a estabilização das fronteiras, perdeu importância estratégica. Passou para a esfera da Casa de Bragança e, mais tarde, para os Condes de Monsaraz, assumindo funções ligadas à administração rural.

O terramoto e o abandono

O terramoto de 1755 marcou o início do declínio. As estruturas sofreram danos significativos e nunca chegaram a ser plenamente recuperadas. A aristocracia privilegiava então residências mais confortáveis e centros urbanos, deixando as muralhas entregues ao desgaste natural.

Nas décadas seguintes, parte das pedras foi reaproveitada em construções vizinhas, prática comum em muitos monumentos abandonados. O castelo deixou de ser fortaleza e passou a ser pedreira.

Hoje, o que permanece são troços de muralha, arranques de torres e vestígios que exigem alguma imaginação para reconstruir mentalmente a antiga imponência.

A experiência da ruína

Visitar o Castelo Real de Montoito é percorrer um espaço onde o tempo se sobrepõe às intenções humanas. Não há percurso delineado. O visitante caminha entre blocos de alvenaria, mato e silêncios interrompidos apenas pelo vento.

É possível identificar as bases das torres, perceber o traçado original e reconhecer a lógica defensiva que orientou a construção. A planície em redor ajuda a entender o alcance visual que justificava a implantação naquele ponto.

Ao contrário de castelos restaurados e integrados em circuitos turísticos, Montoito mantém uma autenticidade crua. A ausência de intervenção acentua a percepção de fragilidade, mas também reforça a ideia de permanência mínima: mesmo reduzido a ruína, continua a marcar o território.

Um património entre memória e esquecimento

O Castelo Real de Montoito coloca uma questão recorrente no interior português: o que fazer com monumentos que perderam função e investimento? A recuperação integral exigiria recursos significativos. A não intervenção deixa o espaço entregue à erosão.

Entre estas duas possibilidades, a ruína subsiste como testemunho. Recorda um período em que a defesa da raia era prioridade e em que a autoridade régia se afirmava através de muralhas visíveis na paisagem.

Na planície alentejana, onde o horizonte se estende sem obstáculos, as pedras de Montoito continuam a assinalar um passado de vigilância e poder. Mesmo incompleto, o castelo permanece como referência — discreta, mas resistente — de uma etapa fundamental da história do território.

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