Depois de dias de chuva ou de uma passagem por caminhos de terra, é comum circular com o carro coberto de lama ou pó. À primeira vista, parece apenas uma questão estética. Mas há situações em que a sujidade passa a ser um problema legal — com coimas que podem chegar aos 600 euros e, em casos extremos, levar à retenção do veículo.
A regra é simples: sempre que a sujidade compromete a identificação do automóvel ou a segurança da circulação, há infração. É isso que tem sido reiterado pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária nas ações de fiscalização.
Quando a matrícula deixa de cumprir a lei
A matrícula é o principal elemento de identificação de um veículo e deve estar sempre legível. O Código da Estrada determina que a chapa não pode apresentar obstruções nem danos que dificultem a leitura.
Quando lama, pó, neve ou outros detritos tapam os caracteres, a situação passa a ser considerada contraordenação. As coimas variam entre 120 e 600 euros e pode ser ordenada a retenção do veículo até que a matrícula seja limpa ou substituída.
Segundo a ANSR, esta é uma das infrações mais frequentes após períodos de chuva intensa, sobretudo fora dos centros urbanos. Durante a fiscalização, não se avalia apenas a sujidade: matrículas dobradas, partidas ou com caracteres desbotados também podem dar origem a multa.
Luzes tapadas aumentam o risco – e a penalização
Faróis, luzes traseiras, piscas e luzes de travagem têm de estar visíveis e desobstruídos. Se ficarem cobertos por lama ou poeiras, o veículo deixa de cumprir as condições legais de circulação.
Nestes casos, a infração é considerada grave, uma vez que outros condutores podem não conseguir ver o automóvel ou antecipar manobras. O risco é maior ao anoitecer, com chuva ou nevoeiro, quando a iluminação é decisiva para a segurança.
As autoridades alertam ainda para a condensação no interior dos faróis. Nem sempre dá origem a coima imediata, mas pode reduzir a eficácia da iluminação e justificar uma advertência ou recomendação para reparação.
Vidros sujos também contam
A visibilidade do condutor é outro ponto sensível. Para-brisas, vidros laterais e retrovisores devem permitir uma visão clara da estrada. Sujidade acumulada, insetos colados após viagens longas ou resíduos deixados pela chuva podem reduzir o campo de visão.
Embora nem sempre resulte numa multa automática, a situação pode ser sancionada se a fiscalização considerar que a visibilidade ficou seriamente comprometida.
Pequenos gestos que evitam problemas
A prevenção é simples e demora poucos minutos. Antes de arrancar, convém confirmar:
- se a matrícula está limpa e legível;
- se faróis e luzes traseiras estão desobstruídos;
- se o para-brisas e os retrovisores permitem boa visibilidade;
- se o depósito do limpa-vidros tem líquido suficiente;
- se as escovas do limpa-para-brisas estão em bom estado.
Estas rotinas não servem apenas para evitar multas. Contribuem para uma condução mais segura e ajudam a preservar componentes essenciais do veículo.
Não é a sujidade – é o efeito dela
Circular com o carro sujo não é, por si só, ilegal. O problema surge quando a sujidade impede a identificação do veículo, tapa luzes ou reduz a visibilidade. Nessas situações, a estética dá lugar à lei — e o descuido pode sair caro.







