As burlas no WhatsApp tornaram-se mais elaboradas em Portugal. Deixaram para trás mensagens mal escritas e passaram a usar engenharia social, identidades falsas e até o nome de instituições públicas.
Em 2025, as autoridades reforçaram os alertas para novos esquemas que exploram a pressa e o medo.
Saber reconhecer os sinais é a melhor forma de travar o golpe antes que aconteça.
O padrão que se repete
Quase todas as burlas seguem a mesma lógica: urgência (“tem de agir agora”) ou oportunidade única (“é só hoje”). O objetivo é levar a agir por impulso, sem tempo para confirmar a informação.
Quatro sinais de alerta a não ignorar
Há indícios claros que devem levantar suspeitas imediatas:
- Dívidas de última hora
Mensagens que fingem ser do SNS24 ou da Autoridade Tributária, com pedidos de pagamento urgente por referência Multibanco. Entidades públicas não cobram dívidas via WhatsApp. - Pedido de código de 6 dígitos
Se chegar um SMS com um código de ativação do WhatsApp que não foi solicitado e, logo depois, alguém pedir esse código alegando engano, não partilhar. Esse número dá acesso total à conta. - O clássico “Olá pai/mãe”
O burlão faz-se passar por um filho que mudou de número e pede uma transferência imediata (MB WAY ou IBAN) para resolver uma emergência. - Investimentos e grupos “VIP”
Convites para grupos de criptomoedas ou tarefas online com lucros garantidos. A CMVM tem alertado repetidamente: promessas de ganhos fáceis são um sinal típico de burla.
Ferramentas de segurança mais recentes
O WhatsApp introduziu medidas para reduzir estes riscos. Em grupos criados por desconhecidos, passa a ser mostrado quem criou o grupo e quando, facilitando a denúncia imediata.
Em conversas com números novos, surgem avisos com mais contexto sobre a origem do contacto.
Estas informações ajudam a identificar perfis suspeitos antes de qualquer interação.
Como proteger a conta
A prevenção passa por alguns passos simples:
- Ativar a verificação em duas etapas nas definições da conta, criando um PIN adicional.
- Restringir a visibilidade da foto de perfil apenas a contactos, evitando cópias usadas em perfis falsos.
- Desconfiar de links e ficheiros inesperados, incluindo imagens com extensões pouco comuns, que podem esconder código malicioso.
Se a conta for comprometida
Caso alguém consiga acesso à conta:
- Avisar de imediato amigos e familiares para ignorarem pedidos de dinheiro.
- Reinstalar a aplicação e pedir um novo código por SMS, o que expulsa o intruso.
- Apresentar queixa junto do Gabinete de Cibercrime da PGR ou numa esquadra da PSP/GNR, guardando sempre provas.
A regra de ouro
No WhatsApp, pedidos inesperados de dinheiro, códigos ou cliques exigem pausa. Confirmar por chamada de voz continua a ser a forma mais eficaz de travar burlas que dependem da pressa e da distração.







