VortexMag
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle
No Result
View All Result
VortexMag
No Result
View All Result
Home Notícias

Bordeira: toda a alma do Algarve em apenas uma aldeia

Bordeira, no concelho de Aljezur, é uma aldeia algarvia de cal branca e vento atlântico, com um naufrágio do século XVI e apanhadores de percebe nas falésias.

VxMag by VxMag
Mar 25, 2026
in Notícias
0
Bordeira

Bordeira

Partilhar no FacebookGuardar no Pinterest

ArtigosRelacionados

Castelo Rodrigo aldeias históricas de Portugal

Castelo Rodrigo: a aldeia que traiu o rei e pagou por isso durante séculos

Mar 25, 2026
Foz d'Égua: um pequeno segredo para descobrir na Serra do Açor

Foz d’Égua: a aldeia que o xisto e a água construíram juntos

Mar 25, 2026
Gardénia

10 plantas com flores brancas para encher a casa e o jardim de elegância

Mar 25, 2026
Plantas que absorvem a humidade de casa

Humidade em casa? Estas plantas são as suas melhores aliadas

Mar 25, 2026

A primeira coisa que se nota ao entrar em Bordeira não é a igreja nem o largo. É o canteiro de flores à beira da rua — uma faixa de cor entre o branco das fachadas e a terra seca do Algarve interior. Pequeno, cuidado, completamente fora de moda. E por isso mesmo, difícil de esquecer.

A aldeia fica no concelho de Aljezur, a poucos quilómetros da Costa Vicentina, mas o mar aqui não se vê. Sente-se — no vento, na luz, na forma como as pessoas falam dele mesmo quando estão a falar de outra coisa.

A igreja que não é bem simétrica

No centro da aldeia, a igreja paroquial chama a atenção pela torre sineira desproporcional e pela fachada que recusa a simetria habitual.

A cal é muito branca, os elementos de cantaria sobressaem com precisão, e há trabalhos em argamassa que sobreviveram a várias campanhas de obras — a construção original é do século XV, com acrescentos manuelinos, mas a maior parte do que se vê data do século XVIII.

Vale a pena parar no largo à frente. Há sombra, há um café, e o ritmo da aldeia torna-se imediatamente legível a partir dali.

O navio que ainda está lá

A quatro quilómetros de Bordeira, a praia que leva o seu nome é hoje o que mais atrai visitantes à região — mas a costa aqui guarda histórias mais antigas do que o surf.

Em 1555, a nau espanhola La Condesa, vinda de Porto Rico carregada de prata, naufragou nestas águas. Quatrocentos e quarenta anos depois, um mergulhador chamado Vítor Cruz encontrou 50 canhões de bronze no fundo do mar, em frente à Carrapateira.

O navio continua lá — as correntes e a profundidade impedem qualquer retirada. O que se sabe dele pode ser visto no Museu do Mar e da Terra, em Aljezur.

Na aldeia vizinha da Carrapateira, no forte que vigiava a costa contra piratas, há uma pequena igreja com dois pórticos manuelinos e um sino com uma inscrição estranha gravada no bronze: WAIMATE. A origem é incerta — talvez venha de um outro naufrágio, nunca identificado.

Os apanhadores de percebe

Perto do portinho do Forno existem vestígios de um povoado sazonal islâmico do século XII — pescadores que chegavam no verão, trabalhavam a costa e partiam no inverno. A lógica não mudou muito.

Ainda hoje, em certas manhãs, é possível ver os apanhadores de percebe a descerem as falésias presos a cordas, a saltarem de rocha em rocha, a esperarem a janela certa entre duas ondas. É trabalho de precisão e de risco, feito em silêncio, com uma intimidade com o mar que não se aprende depressa.

Ali perto, o portinho da Zimbreirinha — uma plataforma de madeira encostada à arriba, quase desativada — é o que resta de um tempo em que esta costa tinha outra relação com as embarcações pequenas.

Pedralva, a dez minutos

Quem passa por Bordeira e tem tempo deve continuar até Pedralva, em Vila do Bispo. A aldeia estava completamente abandonada e foi recuperada integralmente — as casas podem ser alugadas, a arquitetura algarvia foi respeitada, e o resultado é um dos poucos casos em que a palavra “recuperação” não é eufemismo para outra coisa.

Bordeira não vive do espetáculo. Vive da acumulação de pequenos detalhes — o canteiro de flores, o sino com o nome que ninguém explica, os homens que descem as falésias de manhã cedo. Um lugar que se deixa ficar, aos poucos, sem que se perceba bem quando isso aconteceu.

VxMag

VxMag

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Castelo Rodrigo aldeias históricas de Portugal
Notícias

Castelo Rodrigo: a aldeia que traiu o rei e pagou por isso durante séculos

by VxMag
Mar 25, 2026
0

Há aldeias medievais em Portugal onde o passado se sente como cenário. Castelo Rodrigo não é uma delas. Aqui, o...

Read moreDetails
Bordeira

Bordeira: toda a alma do Algarve em apenas uma aldeia

Mar 25, 2026
Foz d'Égua: um pequeno segredo para descobrir na Serra do Açor

Foz d’Égua: a aldeia que o xisto e a água construíram juntos

Mar 25, 2026
Gardénia

10 plantas com flores brancas para encher a casa e o jardim de elegância

Mar 25, 2026
Plantas que absorvem a humidade de casa

Humidade em casa? Estas plantas são as suas melhores aliadas

Mar 25, 2026
Reforma baixa? Este apoio pode acrescentar dinheiro todos os meses

Reforma baixa? Este apoio pode acrescentar dinheiro todos os meses

Mar 25, 2026

© 2024 Vortex Magazine

Mais infomação

  • Ficha Técnica
  • Quem somos
  • Política de privacidade
  • Estatuto editorial

Redes Sociais

No Result
View All Result
  • Cultura
  • Sociedade
  • História
  • Viagens
  • Gastronomia
  • Lifestyle

© 2024 Vortex Magazine