Todos os anos, a mesma questão regressa quando se aproxima o período de entrega do IRS: vale a pena aplicar dinheiro apenas para reduzir o imposto a pagar? Em 2026, com a atualização dos escalões e novas reduções no IRS, a resposta é afirmativa — desde que exista planeamento e conhecimento das regras.
O sistema fiscal português continua a premiar quem direciona parte do rendimento para instrumentos específicos. Alguns são bem conhecidos, outros surgem reforçados este ano. Eis as principais formas legais de transformar investimento em alívio fiscal.
PPR: o instrumento que continua a liderar
O Plano Poupança Reforma mantém-se como a opção mais direta para reduzir o IRS. O Estado permite deduzir 20% do valor investido, dentro de limites definidos pela idade do contribuinte:
- Até aos 35 anos: dedução máxima de 400 euros
- Entre os 35 e os 50 anos: até 350 euros
- Mais de 50 anos: até 300 euros
Em 2026, vários produtos surgem acompanhados de incentivos comerciais, como prémios de subscrição promovidos por entidades como a Caixa Geral de Depósitos. Estes bónus não substituem o benefício fiscal, mas reforçam a atratividade do investimento.
Certificados de Reforma: a alternativa pública
Conhecidos como o “PPR do Estado”, os Certificados de Reforma permitem descontar mensalmente uma percentagem do salário — entre 2% e 6% — para uma conta individual associada à Segurança Social.
A dedução fiscal segue a mesma lógica dos PPR tradicionais: 20% do valor aplicado, até um máximo de 350 euros. A gestão dos fundos é assegurada pelo Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, o que se traduz em comissões reduzidas e maior previsibilidade.
Cultura e habitação: incentivos reforçados em 2026
O Orçamento do Estado trouxe novidades que funcionam como benefícios fiscais indiretos. As despesas culturais passaram a permitir a dedução de 15% do IVA suportado em livros, espetáculos, concertos ou visitas a museus.
No setor imobiliário, os proprietários que optem pelo arrendamento acessível beneficiam de uma redução significativa da taxa autónoma de IRS sobre rendas, que desce de 25% para 10%. É um incentivo claro à disponibilização de habitação a preços moderados.
Donativos: poupança fiscal com impacto social
Os donativos a instituições de solidariedade social continuam a permitir uma dedução de 25% do valor entregue. Embora não exista retorno financeiro direto, trata-se de uma forma eficaz de reduzir a fatura fiscal enquanto se apoia causas sociais, de saúde ou educativas.
O limite que não deve ser ignorado
Todos estes benefícios estão sujeitos ao limite global de deduções à coleta. Este teto varia consoante o rendimento anual e torna-se particularmente restritivo nos escalões mais elevados.
Para rendimentos superiores a 80 mil euros, o limite máximo de deduções é de 1.000 euros. Antes de realizar um investimento com fins fiscais, é prudente confirmar a situação no portal e-fatura. Ultrapassado o teto, o investimento mantém o seu valor financeiro, mas deixa de produzir efeitos no IRS.
Conclusão
Em 2026, investir para pagar menos imposto continua a ser uma estratégia válida e legal. O segredo está em escolher os instrumentos certos, respeitar os limites de dedução e agir com antecedência. Mais do que “comprar” um reembolso, trata-se de usar as regras fiscais de forma informada.







