A presença de bicicletas, trotinetes eléctricas e outros veículos ligeiros aumentou de forma clara nas cidades portuguesas.
Com mais utilizadores a partilhar o espaço urbano, surgem também dúvidas sobre regras básicas de circulação, sobretudo nos pontos de contacto com os peões. Uma das mais frequentes é simples: pode um ciclista atravessar uma passadeira montado?
A resposta encontra-se no Código da Estrada e é mais clara do que muitos pensam.
O enquadramento legal das passadeiras
A lei portuguesa define de forma precisa a função das passadeiras. O artigo 101.º do Código da Estrada estabelece que a passagem para peões é um espaço destinado exclusivamente à travessia de quem circula a pé.
Esta definição não é apenas indicativa. O artigo 103.º reforça que a prioridade nesses locais pertence apenas aos peões, isto é, a quem se desloca a pé. O enquadramento legal não deixa margem para interpretações alternativas.
Bicicletas e trotinetes são veículos
Do ponto de vista jurídico, bicicletas, trotinetes eléctricas e motas são consideradas veículos, independentemente da velocidade a que circulam ou do tipo de motor. Enquanto o utilizador estiver montado, não é tratado como peão.
Assim, atravessar uma passadeira montado numa bicicleta ou trotinete significa utilizar um espaço reservado a peões, sem direito a prioridade e em violação das regras de trânsito.
A forma correta de atravessar
A solução prevista na lei é simples. Para atravessar legalmente uma passadeira, o utilizador deve desmontar antes de entrar na zona de travessia. Ao fazê-lo, passa a ser considerado peão e pode atravessar com prioridade.
Depois de sair da passadeira, pode voltar a montar e retomar a circulação. Esta regra aplica-se de igual forma a bicicletas tradicionais, trotinetes eléctricas e motas.
Quando é permitido atravessar montado
Importa não confundir passadeiras com travessias próprias para velocípedes. Estas infraestruturas, previstas no artigo 61.º do Código da Estrada, têm marcações específicas no pavimento e destinam-se à circulação de bicicletas.
Nesses locais, os ciclistas podem atravessar montados, precisamente porque não se trata de uma passadeira para peões. No caso das trotinetes eléctricas, a regra mantém-se: as passadeiras continuam reservadas a peões, salvo indicação em contrário através de sinalização específica.
Segurança e consequências legais
Estas normas existem por razões de segurança. Os condutores esperam encontrar peões nas passadeiras, não veículos a entrar de forma inesperada. Esse comportamento aumenta o risco de colisões, sobretudo em meio urbano.
O incumprimento pode resultar em coima e agravar a responsabilidade do utilizador em caso de acidente, especialmente se houver feridos ou danos materiais.
Em termos práticos, a regra é fácil de memorizar: montado, não atravessa; a pé, pode atravessar. É assim que a lei portuguesa enquadra o uso das passadeiras e é assim que se reduzem conflitos e riscos no espaço público.








Era essencial ensinarem esta matéria nas escolas. Isto sim, é cidadania.
Já sinalizei a ciclistas acerca da travessia montado e a resposta foi o dedo do meio em riste…. Triste isso pois depois disso se vejo ciclista a atravessar montado, já começo a buzinar sem parar!! Se existe regras, que seja cumprida!!! O mais prosaico disso é que numa vez a própria GNR estava próxima, viu e nada fez!