Muitas pessoas continuam a usar as palavras “ATM” e “Multibanco” como se fossem equivalentes. Na prática, essa confusão pode traduzir-se em comissões inesperadas, sobretudo em zonas turísticas e aeroportos.
Em Portugal, nem todas as caixas automáticas pertencem à mesma rede — e perceber essa diferença é hoje a forma mais simples de proteger a carteira.
A rede Multibanco
A rede Multibanco é a infraestrutura nacional de pagamentos gerida pela SIBS e é facilmente identificável pelo logótipo azul e branco.
Na prática, é nesta rede que se concentram quase todas as operações sem custos adicionais para cartões de débito emitidos por bancos portugueses.
Entre as principais funcionalidades estão:
- levantamentos de numerário;
- pagamentos de serviços e ao Estado;
- carregamentos de telemóvel;
- consulta de saldo e alteração de PIN;
- ativação de serviços como o MB Way.
Na maioria dos casos, estas operações não implicam qualquer comissão direta para o utilizador.
As caixas ATM de redes independentes
Nos últimos anos tornaram-se frequentes máquinas identificadas apenas como “ATM”, muitas delas pertencentes a redes internacionais, como a Euronet.
Estas caixas:
- estão normalmente localizadas em zonas de grande afluência turística;
- servem quase exclusivamente para levantamento de dinheiro;
- não disponibilizam os serviços alargados da rede Multibanco.
Embora um cartão de débito nacional possa, em alguns casos, funcionar sem custos diretos, estas máquinas são conhecidas por apresentar opções que podem levar ao pagamento de taxas adicionais, sobretudo quando estão associados cartões estrangeiros ou cartões de crédito.
Principais diferenças práticas
| Característica | Rede Multibanco | ATM independentes |
|---|---|---|
| Identificação | Logótipo Multibanco | Apenas “ATM” |
| Pagamentos de serviços | Sim | Geralmente não |
| Levantamentos com débito nacional | Regra geral sem comissão | Podem surgir avisos de custos |
| Levantamentos com cartão de crédito | Comissão de cash advance do banco | Comissões normalmente mais elevadas |
| Ativação de serviços nacionais | Sim | Não |
Atenção à conversão dinâmica de moeda
Um dos principais riscos nas ATM independentes é a chamada conversão dinâmica de moeda (Dynamic Currency Conversion).
Quando a máquina deteta um cartão associado a uma conta estrangeira, surge frequentemente no ecrã a opção de converter o valor para outra moeda antes de concluir a operação.
Na prática:
- a taxa aplicada pela própria máquina é quase sempre menos favorável;
- o valor final pago acaba por ser mais elevado do que se a conversão fosse feita pelo banco emissor do cartão.
A opção mais segura continua a ser selecionar sempre “sem conversão” ou “pagar na moeda local”.
Como evitar comissões inesperadas
Para não pagar mais pelo mesmo levantamento, convém seguir algumas regras simples:
- Confirmar no equipamento a presença do logótipo da rede Multibanco.
- Ler com atenção as mensagens no ecrã antes de validar a operação. Sempre que surge um aviso de comissão, é preferível cancelar.
- Dar prioridade ao levantamento através de código gerado na aplicação bancária ou via MB Way, garantindo o uso da rede nacional.
Conclusão: nem todas as caixas são iguais
A diferença entre uma caixa Multibanco e uma ATM independente pode parecer irrelevante à primeira vista, mas traduz-se facilmente em vários euros de custo por operação.
Hoje, a regra é simples: sempre que possível, utilizar equipamentos da rede Multibanco, sobretudo para levantamentos regulares ou operações de pagamento.
Em zonas turísticas, caminhar alguns metros até encontrar uma caixa da rede nacional continua a ser a forma mais eficaz de evitar encargos desnecessários.







