Com a crise energética e a pressão para abandonar soluções assentes em combustíveis fósseis, muitas famílias em Portugal enfrentam hoje uma decisão prática: investir num sistema elétrico de ar condicionado com bomba de calor ou optar por uma salamandra a pellets.
Ambas as soluções permitem aquecer a casa com boa eficiência, mas diferem muito no custo inicial, na manutenção e na forma como o calor é distribuído. Eis uma comparação objetiva, pensada para 2026.
Ar condicionado (bomba de calor ar-ar)
O ar condicionado, em modo de aquecimento, funciona como uma bomba de calor: não “produz” calor, transfere energia do exterior para o interior.
Principais pontos a considerar
- Eficiência muito elevada – por cada 1 kWh de eletricidade consumido, consegue fornecer cerca de 3 a 4 kWh de calor.
- Versatilidade – permite aquecer no inverno, arrefecer no verão e desumidificar.
- Instalação – implica unidade interior e exterior em cada divisão a climatizar, com montagem por técnico certificado.
- Manutenção – simples: limpeza regular de filtros e revisão técnica anual.
É uma solução particularmente interessante para apartamentos ou moradias com divisões bem definidas.
Salamandra a pellets (biomassa)
As salamandras a pellets utilizam pequenos cilindros de madeira prensada como combustível.
Principais pontos a considerar
- Elevada potência térmica – adequadas para salas grandes e zonas amplas.
- Calor mais concentrado e localizado, com sensação térmica intensa na divisão onde estão instaladas.
- Instalação mais exigente – necessita de conduta de fumos para o exterior.
- Manutenção regular – limpeza frequente de cinzas e manutenção anual obrigatória.
Apesar de precisarem de eletricidade para ventilação e ignição, continuam a ser vistas como uma solução de biomassa.
Comparação direta
| Critério | Ar condicionado (A+++) | Salamandra a pellets |
|---|---|---|
| Custo de instalação | elevado (por divisão) | médio a elevado |
| Fonte de energia | eletricidade | pellets |
| Eficiência global | muito elevada (300–400%) | elevada (85–90%) |
| Distribuição do calor | rápida e homogénea na divisão | calor mais localizado |
| Versatilidade | aquece e arrefece | apenas aquece |
| Manutenção | baixa | média a elevada |
Qual recupera o investimento mais depressa?
O retorno do investimento depende sobretudo de dois fatores: o preço do kWh e o preço do saco de pellets.
- O ar condicionado tende a recuperar mais depressa quando existe produção própria de eletricidade (painéis fotovoltaicos). Nesse cenário, o custo de utilização baixa de forma significativa e o investimento pode ser amortizado em cerca de dois a três invernos.
- A salamandra a pellets torna-se mais interessante quando é necessário aquecer um espaço muito grande, pouco compartimentado e situado numa zona fria, onde seriam necessárias várias unidades de ar condicionado.
Nos últimos anos, a subida do preço dos pellets reduziu a vantagem económica que esta solução teve no passado.
Que solução faz mais sentido em cada caso?
Ar condicionado é mais indicado quando:
- a casa está dividida por várias divisões;
- se pretende um sistema automático, limpo e sem esforço diário;
- se valoriza também o arrefecimento no verão.
Salamandra a pellets é mais indicada quando:
- existe uma sala ampla ou em open space;
- se vive numa zona do interior com invernos rigorosos;
- se aceita a logística de armazenamento e manuseamento dos sacos de pellets.
Nota importante sobre apoios públicos
Antes de avançar com qualquer investimento, vale a pena verificar os apoios disponíveis no Fundo Ambiental.
Em muitos avisos recentes, as bombas de calor (onde se inclui o ar condicionado) têm beneficiado de incentivos superiores aos sistemas a biomassa, o que pode alterar de forma decisiva o custo inicial.
Em termos estritamente económicos e de eficiência, o ar condicionado com bomba de calor é, hoje, a solução mais equilibrada para a maioria das habitações.
A salamandra a pellets continua a ser uma alternativa válida para situações muito específicas, sobretudo em espaços grandes e frios.
A decisão final deve ter em conta a tipologia da casa, os hábitos de utilização e o acesso a eventuais incentivos públicos.







