Durante muitos anos, o ar condicionado foi visto sobretudo como um equipamento para enfrentar os dias mais quentes.
No entanto, os sistemas atuais assumem um papel cada vez mais relevante no aquecimento das habitações, graças ao funcionamento por bomba de calor, que permite transferir energia do exterior para o interior com elevada eficiência.
Ao contrário dos aquecedores eléctricos tradicionais, que produzem calor por resistência, o ar condicionado consegue gerar vários quilowatts de energia térmica a partir de apenas um quilowatt de eletricidade consumida.
Ainda assim, uma utilização pouco criteriosa pode anular essa vantagem e refletir-se diretamente na fatura mensal.
A temperatura faz mais diferença do que parece
Um dos erros mais comuns consiste em programar temperaturas muito elevadas, na expectativa de aquecer a divisão mais depressa. Na prática, essa estratégia apenas obriga o compressor a trabalhar durante mais tempo em regime máximo.
A referência mais equilibrada situa-se entre os 20 °C e os 22 °C. Acima deste intervalo, cada grau adicional pode representar um aumento significativo no consumo energético, sem um ganho proporcional de conforto.
A posição das palhetas influencia a eficácia
No modo de aquecimento, a direcção do ar assume um papel determinante. Como o ar quente sobe naturalmente, quando as palhetas estão orientadas para cima ou em frente, o calor acumula-se junto ao tecto e demora a chegar à zona ocupada.
Durante o inverno, a orientação mais eficaz é para baixo. Desta forma, o ar quente é projectado em direcção ao pavimento e distribui-se de forma mais homogénea à medida que sobe, aquecendo a divisão mais depressa.
Porque é que o ar condicionado consome menos a aquecer
| Equipamento | Tecnologia | Eficiência aproximada | Consumo relativo |
|---|---|---|---|
| Aquecedor a óleo | Resistência eléctrica | 1 kW → 1 kW de calor | Muito elevado |
| Termoventilador | Resistência com ventilação | 1 kW → 1 kW de calor | Elevado |
| Ar condicionado | Bomba de calor | 1 kW → até 4 kW de calor | Mais baixo |
É esta diferença de princípio de funcionamento que torna o ar condicionado uma solução particularmente competitiva para aquecimento regular.
Filtros limpos garantem rendimento real
Um filtro sujo limita a passagem do ar e obriga o equipamento a trabalhar com maior esforço para atingir a temperatura pretendida. O resultado é um sistema menos eficiente e com maior desgaste.
Em períodos de utilização frequente no inverno, a limpeza dos filtros deve ser feita, pelo menos, uma vez por mês, com água morna e secagem completa antes da reposição. Um simples gesto pode traduzir-se numa melhoria imediata do desempenho.
Evitar ciclos constantes de desligar e ligar
Os equipamentos atuais com tecnologia inverter foram concebidos para manter a temperatura estável com variações mínimas de potência.
Desligar o aparelho sempre que se sai da divisão por curtos períodos obriga o sistema a efetuar picos de consumo quando volta a arrancar. Se a ausência for de apenas uma ou duas horas, é mais eficiente reduzir a temperatura para cerca de 17 °C ou 18 °C do que desligar totalmente o equipamento.
Reduzir as perdas de calor da habitação
Nenhum sistema de aquecimento funciona bem quando o calor se perde continuamente pelas janelas, portas ou caixas de estores.
Pequenas intervenções, como a colocação de vedantes, a calafetagem de caixilharias ou o fecho das persianas ao final da tarde, ajudam a manter a temperatura interior estável e reduzem o tempo de funcionamento do ar condicionado.
Utilizar melhor a tecnologia para gastar menos
O ar condicionado é hoje uma das soluções mais eficientes para aquecer a casa, desde que seja utilizado de forma ajustada ao seu modo de funcionamento.
Manter uma temperatura moderada, orientar corretamente o fluxo de ar, assegurar a limpeza regular dos filtros e reduzir as perdas térmicas da habitação são medidas simples, mas decisivas, para tirar partido desta tecnologia sem agravar a fatura da eletricidade.







