Com o final do ano à vista, ainda há margem para otimizar o reembolso do IRS. As deduções fiscais têm por base as despesas realizadas entre 1 de janeiro e 31 de dezembro, o que significa que gastos feitos até ao último dia do ano contam para a declaração entregue no ano seguinte.
Um planeamento simples, feito a tempo, pode traduzir-se numa diferença relevante no valor a receber.
As categorias que mais pesam no reembolso
1. Despesas de saúde
As despesas de saúde permitem deduzir 15% dos valores gastos. Incluem consultas, tratamentos dentários, exames, fisioterapia, internamentos, medicamentos com receita médica e ainda óculos ou lentes de contacto, quando prescritos.
O que ainda pode fazer:
- Marcar consultas ou tratamentos adiados
- Realizar check-ups
- Avançar com tratamentos dentários planeados
- Comprar óculos ou lentes com receita
É essencial pedir sempre fatura com NIF.
2. Educação e formação
Esta é uma das categorias mais vantajosas, com uma dedução de 30%. Abrange propinas, livros, material escolar, creches, ATL e cursos de formação profissional certificados.
Até ao final do ano:
- Pagar propinas ou mensalidades em atraso
- Comprar livros e material necessário
- Liquidar despesas de creche ou ATL
- Investir em formação reconhecida
3. Habitação
No arrendamento, é possível deduzir 15% das rendas pagas, até ao limite legal. No caso de crédito habitação antigo (contratos anteriores a 2011), os juros continuam a ser relevantes.
Verifique se:
- Todas as rendas estão pagas e comunicadas
- A renda de dezembro foi liquidada dentro do ano
- Os contratos estão corretamente registados
4. Despesas gerais e familiares
Funcionam como uma “almofada” fiscal, permitindo deduzir 35% de despesas do dia a dia, como restauração, oficinas, cabeleireiros, ginásios ou vestuário, até ao teto previsto.
O que ajuda a atingir o limite:
- Pedir sempre fatura com NIF
- Usar serviços pessoais necessários
- Fazer compras essenciais antes do fim do ano
5. Lares e apoio a dependentes
As despesas com lares, centros de dia e apoio a dependentes permitem deduzir 25% dos valores pagos.
Antes de 31 de dezembro:
- Regularizar mensalidades em atraso
- Avaliar a possibilidade de antecipar pagamentos, se permitido
6. Seguros de saúde
Os prémios de seguros de saúde são dedutíveis em 15%, de forma autónoma face às despesas médicas.
Pode ainda:
- Contratar um seguro até ao final do ano
- Pagar o prémio anual antecipadamente
- Confirmar que o NIF está corretamente associado
7. Arrendamento e eficiência energética
Quem arrenda imóveis ou investiu em melhorias de eficiência energética pode beneficiar de deduções específicas.
Até ao fim do ano:
- Concluir obras de eficiência energética
- Instalar painéis solares ou melhorar o isolamento
- Registar contratos de arrendamento
Dicas práticas para maximizar as deduções
- Acompanhe o e-fatura no Portal das Finanças e confirme se as despesas estão bem classificadas
- Distribua despesas no agregado, quando aplicável
- Guarde comprovativos durante pelo menos quatro anos
- Não ultrapasse os limites: diversificar despesas é mais eficaz do que concentrá-las
- Valide faturas pendentes até meados de fevereiro
Erros comuns a evitar
- Pedir faturas sem NIF
- Confundir despesas pessoais com não elegíveis
- Gastar além dos tetos de dedução
- Esquecer a validação no e-fatura
Planeamento que compensa
As últimas semanas do ano são decisivas para organizar despesas, corrigir falhas e aproveitar benefícios fiscais ainda disponíveis. Um pequeno esforço agora pode traduzir-se num reembolso mais elevado no IRS de 2026.







