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Sefes: os verdadeiros antepassados dos portugueses

Muito antes dos Lusitanos, andaram por aqui os Sefes, que terão sido os verdadeiros antepassados dos portugueses. E antes deles estiveram os Estrímnios.

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Cromeleque dos Almendres

Fomos habituados a acreditar, através de tudo o que aprendemos na escola, que os portugueses descendem dos lusitanos, que teriam sido o povo que habitava a região que hoje corresponde a Portugal durante o tempo das invasões romanas. A verdade é que os Lusitanos existiram mesmo, mas não terão sido eles os primeiros a habitar estas paragens. Antes disso terão habitado aqui os Estrímnios (esses sim, os primeiros habitantes), que depois terão sido expulsos do território pelos Sefes, conhecido pelo “povo das serpentes”.

A “escolha” dos Lusitanos como o povo que originou os portugueses terá sido obra da propaganda da ditadura, que viu neste povo, caracterizado pela sua resistência aos romanos, o exemplo ideal para doutrinar a população na ideia de que os portugueses seriam, por serem descendentes dos Lusitanos, resistentes e capazes de enfrentar sacrifícios.

Lusitanos
Lusitanos

Rufius Festus Avienus, poeta latino, escrevendo no século IV mas apoiado em velho roteiros fenícios e gregos com quase mil anos – «escritos recônditos» e «antigas páginas», nas suas próprias palavras – relata-nos no seu poema Ora Maritima que a região ocidental da Península Ibérica, antes chamada Oestrymnis, se chamava agora Ophiussa, e que o seu nome lhe vinha de uma grande invasão de serpentes que fizera fugir os antigos habitantes da terra.

Os seus actuais habitantes chamavam-se Sefes e Cempsos (Saefes Cempsi), e habitavam as colinas e os campos de Ophiussa.

Cromeleque dos Almendres
Cromeleque dos Almendres

Este é o mito fundador de Portugal, desde sempre desprezado pelos historiadores, mas agora olhado de novo, à luz dos últimos mapas genéticos das populações peninsulares, onde os pergaminhos celtas das populações da Galiza e do Norte de Portugal são definitivamente rasgados e substituídos por novos e inimagináveis pergaminhos berberes (Amazighs), de populações aqui instaladas desde o Neolítico e que nada têm a ver com os invasores Mouros de 711… populações estabelecidas em Oestrymnis, na Estremadura portuguesa, e daqui expulsas por uma “invasão de serpentes” que fez instalar novas populações, Sefes e Cempsos.

Castro de São Lourenço
Castro de São Lourenço

Durante decénios, aceitando sem discutir a Teoria das Invasões de Bosch Gispera, fizemos destas populações Celtas vindos do centro da Europa, negando as evidências arqueológicas que apontavam noutra direcção, negando Avieno que claramente nos dizia que os Cempsos, agora no ocidente peninsular, tinham o seu berço nas margens do Lago Ligustino, sendo irmãos germanos dos Tartéssios.

Os fenícios tinham-nos preterido a favor destes últimos, e combatidos por uns e por outros, tinham os Cempsos partido para noroeste, arrastando na sua passagem uma multidão de povos menores.

Cromeleque do Xerez
Cromeleque do Xerez

A sua passagem como força invasora pelas planícies do Alentejo encontra-se arqueologicamente documentada, seja pelo desaparecimento súbito e inexplicável de povoados na Serra de Huelva e nas duas margens do Guadiana (o povoado de Passo Alto, na margem direita do Chança, é um caso paradigmático), seja pela alteração do modelo de povoamento no Alentejo Central, com as populações abandonando as suas quintas na planície, sem preocupações defensivas, e recuperando ou construindo grandes povoados fortificados, no cimo dos montes, como se pode comprovar nos povoados da Serra d’ Ossa.

Fundam uma primeira cidade, Dipo, que sobrevive até à epoca romana e que muito acreditam estar no subsolo de Évoramonte. E avançando para oeste e para noroeste fundam sucessivamente Beuipo (Alcácer do Sal), Olisipo (Lisboa) e Colipo (Leiria), avançando até às margens do Mondego. A terminação em “-ipo” das povoações que fundaram (os topónimos que o tempo não devorou), não nos ilude quanto à sua proveniência, pois a esmagadora maioria dos povoados em “-ipo” encontra-se a sul do Guadalquivir.

Ofiússa
Castros

Quanto aos Sefes, nada sabemos… tirando o facto de serem exógenos (os antigos habitantes, os Estrímnios (Oestrymni), foram expulsos e a terra ficou vazia, diz-nos Avieno). Não sabemos se os Sefes acompanharam os Cempsos no seu êxodo desde o Lago Ligustino ou se aqui chegaram na mesma altura, sendo seus aliados na conquista do país.

Tudo nos leva a apostar na segunda hipótese, pois Avieno diz-nos que os vizinhos dos Cinetas eram os Cempsos, estando pois estes últimos a sul dos Sefes e, sendo mais numerosos – eventualmente pelo número de povos que arrastaram – tenham acabado por exercer alguma hegemonia política, ao ponto de serem eles a nominar os novos povoados e, alcançando o Mondego, “cercarem” pelo norte e pelo sul os Sefes.

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Cromeleque do Xerez

Menos numerosos, os Sefes estabeleceram-se na Baixa Estremadura, onde partilharam os campos e as colinas com a grande coligação dos Cempsos, mas sem se unirem ou submeterem, pois Avieno identifica-os claramente. De onde vieram?

De leste claramente não vieram, pois aí estão instalados os povos que a História conhecerá por Lusitanos. Do norte também não é provável, pois esse movimento impediria o êxodo dos Estrímnios aquando da “Invasão das Serpentes”. Resta-nos a via marítima, o largo oceano onde o Tejo se derrama…

Castro de Monte Mozinho
Castro de Monte Mozinho

O mar era uma velha e familiar estrada, que sempre trouxera gente ao ocidente peninsular. Por ele tinham viajado os pioneiros neolíticos vindos do Mediterrâneo Oriental. Por ele tinham viajado os homens e as ideias que, da longínqua Bretanha, tornaram possível o fenómeno megalítico no Alentejo Central.

Por ele tinham viajado os homens e as mulheres que trouxeram o Campaniforme até Oestrymnis, desde a foz do Reno. E era em Oestrymnis, já na Era do Bronze, que se encontravam os comerciantes do nebuloso norte com os comerciantes do luminoso sul. Há cinco mil anos que o grande oceano era navegado, e há cinco mil anos que Oestrymnis era, no Ocidente, uma das principais razões porque os homens desafiavam esse grande oceano.

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Perante isto, não nos custa admitir terem os Sefes alcançado Oestrymnis por mar. Teriam chegado na mesma altura em que os Cempsos, uns por mar, outros por terra. Podemos mesmo, com alguma imaginação, reconstituir os primeiros passos no novo país onde escolhiam viver. Unidos por um objectivo comum e por uma bandeira comum (a serpente) teriam os dois povos pactuado a divisão da terra.

Os barcos dos Sefes, subindo o rio Tejo – mais largo do que hoje – muito para além de Santarém, transportavam os Cempsos da margem esquerda para a margem direita, derramando tropas e abrindo novas frentes de combate que rompiam as defesas dos Estrímnios. Era a grande «invasão das serpentes», que vinha pôr fim à civilização estrímnia e marcar uma nova era. Nascia o «País das Serpentes», que os Gregos, informados da lenda, traduziriam depois para Ophiussa.

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