Início Sociedade Porque razão ainda hoje há portugueses a desejar a união com Espanha?

Porque razão ainda hoje há portugueses a desejar a união com Espanha?

Muitos séculos após a Independência, continua a existir a vontade, por parte de algumas pessoas, em unir Portugal e Espanha. Quais as razões?

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Brasão de Armas da Ibéria

O Iberismo é um movimento político e cultural que defende a aliança das relações a todos os níveis entre Portugal e Espanha e, finalmente, a fusão política dos mesmos estados.

O Iberismo, como projecto de construção de um Estado ibérico, pretende ter uma só entidade política, ou seja, criar um único país que incorpore o actuais estados de Portugal e Espanha. Tal união levaria a que ambos os países, já unificados, se tornassem no 44.º maior país do Mundo, no 5.º maior país da União Europeia, e o 24.º mais populoso (em 2009).

Argumentos geográficos e culturais

Portugal e Espanha partilham uma unidade geográfica que se revela na longa fronteira comum (1.214 km), no seu cruzamento por vários rios importantes, como o Minho, Douro, Tejo e Guadiana, pelo mesmo clima, base rural, etc., características estas de relevância especial para a Península Ibérica.

Além disso, os dois países têm uma História – por vezes comum, por vezes paralela – desde as dominações romana, visigótica, árabe, até à consolidação dos reinos cristãos medievais, continuando pela era dos Descobrimentos, a união dinástica aeque principaliter das três coroas da Península Ibérica sob o mesmo soberano da Casa de Áustria, a Guerra Peninsular (chamada em Espanha de Guerra da Independência), a Quádrupla Aliança (1834) frente às guerras carlista e miguelista, o Pacto Ibérico (1942), e terminando com a adesão de ambos os países à União Europeia.

As propostas iberistas englobam, para além do território peninsular, as ilhas adjacentes que historicamente estão relacionadas com os Estados e habitantes da Península. No Mar Mediterrâneo situam-se as Ilhas Baleares, unidas historicamente à Coroa de Aragão e posteriormente a Espanha.

No oceano Atlântico situam-se vários arquipélagos que partilham o espaço geográfico conhecido como a Macaronésia, sendo os Açores e a Madeira povoados pelos portugueses, e as ilhas Canárias anexadas à Coroa de Castela durante o século XV. A inclusão de outros territórios peninsulares, como Andorra e Gibraltar, ou do norte de África (Ceuta e Melilla) é geralmente aprovada, ainda que sujeita a discussão.

À excepção do idioma basco, as restantes línguas da península procedem do latim e pertencem ao Grupo Ibero-Romântico, as quais se foram configurando e definindo durante a época da Reconquista. Todos os idiomas da península sofreram influência das línguas vizinhas. Como exemplo pode-se assinalar a palavra izquierda que, procedendo doeuskera, passou aos restantes idiomas ibéricos.

Argumentos históricos

Durante o Antigo Regime, as tentativas de união ibérica surgiram a reboque de circunstâncias políticas internacionais. Estas tentativas fundamentavam-se na política matrimonial fomentada desde a Idade Média.

Durante o século XVI, como consequência da morte do rei de Portugal, D. Sebastião, na Batalha de Alcácer-Quibir, o seu tio,D. Filipe II, rei de Espanha, filho de D. Isabel de Portugal e neto do rei D. Manuel, fez valer a sua pretensão ao trono português, e em Junho de 1580 enviou o Duque de Alba e o seu exército a Lisboa para assegurar a sua sucessão.

Filipe II foi aclamado rei de Portugal, como D. Filipe I, nas Cortes de Tomar em Abril de 1581. O outro pretendente, D. António, Prior do Crato, foi derrotado em Alcântara (1580) acabando por se refugiar nos Açores, onde a armada filipina lhe infligiu a derrota final.

Deste modo, desde 1580 a 1640, quando Portugal se rebelou sob a liderança de D. João, duque de Bragança, efetivou-se a união da península sob uma única coroa; não obstante, manteve-se a distinção formal entre “as Espanhas” e Portugal, como exemplifica o título de Hispaniarum et Portugalliae Rex D. João IV recebeu um apoio generalizado do povo português, e os espanhóis – que tinham de lutar contra rebeliões em muitos dos seus domínios, para além da guerra com França – foram incapazes de responder.

Espanhóis e portugueses mantiveram-se num estado de paz de facto entre 1641 e 1657. Quando D. João IV morreu, os espanhóis tentaram lutar por Portugal contra o seu filho D. Afonso VI, mas foram derrotados na batalhas do Ameixial (1663), Castelo Rodrigo (1664) e Montes Claros (1665), o que levou Espanha a reconhecer a independência portuguesa em 1668 pelo Tratado de Lisboa.

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7 COMENTÁRIOS

  1. Depois da chamada Uniao Dinastica (1580-1640) comecaram imediatamente grandes problemas para Portugal. As clausulas das Cortes de Tomar foram de pronto desrespeitadas e Filipe II recusou-se prontamente a nomear o seu filho como Vice-Rei de Portugal o que era um grande desejo dos Portugueses. Em Vez disso Filipe nomeou um italiano qualquer como Vice-rei num acto de fazer ver aos Portugueses que tinha de facto perdido a Independencia e de que o filipe nao cederia a qualquer desejo ou exigencia dos Portugueses. Aui ha uns tempos graxejei com os meus colegas espanhois sobre uma uniao iberica para ver a opiniao deles. Deseram-me logo que como eles (espanhois) eram a esmagadora maioria no que respeita a populacao todas as decisoes seriam tomadas por eles e os Portugueses nao teriam nada a dizer. Isto demonstra-nos no que resultaria uma peseudo uniao politica entre Portugal e espanha. Seria uma catastrofe para os Portugueses e desta vez nao haveria Restauracao que nos valesse.

  2. Não sei como pode existir em Portugal alguém que possa crer na hipótese desse disparate que seria unir os dois países, que apesar de vizinhos tem hábitos e cultura bem diferentes. O território que mais tem a ver com Portugal é a Galicia que mesmo assim não justifica essa absurda fusão.

  3. A nossa Terra é sagrada. Os povos que viviam no sítio de que hoje Portugal é feito não são bem os mesmos que no resto da Península Ibérica como muitas vezes nos querem fazer crer, se bem que em muitos casos e épocas se confundam. A nossa História, a nossa Mística, o nosso Percurso, a nossa Missão é outra. Em suma, outra identidade. Porque não sonhar antes com um Grã Portugal, caso a Galiza assim o desejasse.

  4. Creo que seria un grave error por parte de España. Portugal es un pais mucho más atrasado y supondría un lastre para la econimía española.

    • Não se preocupe, porque nós, “país atrasado” não pretendemos ser um peso para ninguém. Deixem-nos aqui no nosso canto, e vocês deixem-se estar no vosso. Simples assim. Quanto aos portugueses que realmente querem ser a união, duvido que perfaçam sequer 1% da população. Esses inquéritos além de tecnicamente incompetentes, são irrelevantes, reflectem mais o descontentamento de alguns portugueses em relação aos seus políticos do qualquer genuína intenção de deixar de ser português. Se esses inquéritos fossem sobre uma união com a China, Brasil ou até mesmo, com os marcianos ou com os unicórnios cor-de-rosa, os resultados seriam exactamente os mesmos.

    • Fique sabendo que muitos conterrâneos seus adoram Portugal,cada vez mais nos visitam e talvez o senhor devesse visitar-nos também a fim de saber mais sobre o que diz…para nós é que seria uma tragédia a união com o atraso de uma monarquia ( onde cuja rainha faz tantas plásticas que certamente nos levaria á falência ).
      É internacionalmente conhecida a arrogância dos espanhóis, não digo que o sejam todos, porém já notei que Muitos espanhóis teem a mania ( vá se lá saber porquê) que são melhores que os portugueses mas acho que teem é inveja porque o nossos produtos : pão,vinho, café,azeite ,tudo é melhor que em Espanha.

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