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Ponte Romana de Trajano (Chaves)

Com quase 2 mil anos, a Ponte Romana de Trajano, em Chaves, é o orgulho dos flavienses e um dos mais bem conservados monumentos romanos em Portugal.

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Chaves - Rui Videira

 

Erguida em sólido e duro granito transmontano, a antiga Ponte de Trajano, sobre o leito do Rio Tâmega, ligava ambas as margens da importante civitas romana de Aquae Flaviae, correspondente à moderna cidade de Chaves. Esta ponte romana foi uma importante obra de engenharia do eixo viário que estabelecia a ligação entre Bracara Augusta (Braga) e a cidade espanhola de Astorga. Com um comprimento total do tabuleiro alcançando os 140 metros, os parapeitos em pedra que o resguardavam foram desmantelados e substituídos por grades de ferro no ano de 1880.

Ponte de Trajano
Ponte de Trajano – Fernando Ribeiro

A ponte flaviense de Trajano é formada por 16 arcos concêntricos, dos quais quatro se encontram soterrados por construções e sucessivas camadas de aluvião. Estruturalmente, os arcos de volta inteira que enformam a ponte são compostos por robustas aduelas alongadas, magnificamente talhadas e aparelhadas.

Ponte Romana de Trajano
Ponte Romana de Trajano

Os arcos alternam com olhais, sendo os pilares da arcaria amparados por pontiagudos e fortes talha-mares. A jusante, estes pilares não são reforçados pelos usuais contrafortes. No centro da ponte, em ambos os lados, erguem-se os sólidos marcos-colunas, contendo importantes inscrições epigráficas comemorativas. Este par de marcos-colunas foi deslocado do seu lugar original, devido à construção de casas sobre a margem direita da ponte.

Ponte de Trajano

A inscrição que se situa a montante informa que a ponte foi concebida na época do imperador Trajano (finais do século I, inícios do século II d. C.) com o esforço económico dos habitantes de Chaves. A jusante do resguardo da ponte destaca-se o outro marco-coluna, podendo-se ler neste uma extensa inscrição epigráfica latina, que invoca uma avultada obra pública (não identificada com segurança) realizada em cooperação entre os soldados romanos da 7ª Legião, os habitantes flavienses e mais nove povos circunvizinhos.

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Ponte de Trajano – Fernando Ribeiro

E, tal como sucedia noutras situações similares, Trajano terá custeado pessoalmente a edificação pétrea da ponte flaviense. O imóvel foi, no entanto, objecto de algumas remodelações ao longo dos séculos posteriores, tendo sido destruída parcialmente por uma cheia ocorrida no século XVI. Após algumas intervenções realizadas com vista à reconstrução e manutenção da ponte, quer logo em quinhentos, quer no século XIX e, sobretudo, já na centúria de XX, o imóvel acabaria por, na generalidade, conservar as características originais, bem patentes no próprio aparelho construtivo utilizado.

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Ponte Romana de Trajano – António Cunha

E apesar de D. Jerónimo Contador de Argote (1676-1749) se referir à ponte como possuindo dezasseis arcos de volta perfeita, com cerca de 152 m de comprimento, o facto é que, no século XVIII, alguns deles já se encontrariam soterrados, sendo actualmente visíveis apenas doze, embora alguns entaipados, numa extensão máxima de aproximadamente 100 m (Ibid.). Quanto aos quebra-rios, eles apresentam-se ligeiramente escalonados, característica presente em diversas pontes localizadas acima do Douro.

Ponte Romana de Trajano – Rui Videira

Relativamente às duas colunas atribuídas aos imperadores Titus Flavius Vespasianus (c. 9-79) e Trajano, localizadas sensivelmente a meio do tabuleiro, é plausível que proviessem de outro local, nomeadamente de umas das extremidades da própria ponte. Revestem-se, todavia, de uma importância acrescida em virtude de datarem o monumento, em si, e ostentarem referências únicas relativas às comunidades envolvidas na sua edificação, dados fundamentais para um melhor entendimento da designação dos povos que habitaram a Lusitânia (Id., Ibid., pp. 71-72).

Ponte de Trajano

Entretanto, durante a prospecção arqueológica conduzida em 2001, no âmbito do projecto de remodelação do centro histórico da cidade, foi descoberto um troço de cinquenta metros de calçada romana na actual Rua Cândido dos Reis, de acesso à ponte.

 

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