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Pedra de Alvidrar: um dos locais mais perigosos e misteriosos de Sintra

Trata-se de um dos locais mais perigosos de Sintra e a ele estão associadas diversas lendas. Descubra a fascinante Pedra de Alvidrar.

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Pedra de Alvidrar
Pedra de Alvidrar

A Praia da Adraga uma das mais bonitas praias de Sintra foi considerada em 2003 uma das 20 melhores praias europeias, na opinião dos leitores e jornalistas do The Sunday Times, jornal britânico de grande circulação. Para esta classificação (Agreste, selvagem, de um azul intenso…. simplesmente bela) dos visitantes britânicos, que terão a mesma opinião dos muitos utilizadores daquele magnifico local, terá contribuído a beleza envolvente, como o rochedo em forma de arco que mergulha no mar, as falésias e a gruta.

Pedra de Alvidrar
Pedra de Alvidrar

Na maré baixa pode-se passar para a Praia do Cavalo e subindo a falésia pode-se admirar o Fojo, uma cratera natural que permite observar o mar daquele ponto elevado ou a Pedra de Alvidrar, local preferido de pescadores e ponto de visita obrigatório ao longo dos tempos para visitantes ilustres.

Pedra de Alvidrar
Pedra de Alvidrar

A Pedra de Alvidar, situada entre a Praia da Adraga e Praia da Ursa, embora de difícil acesso é o paraíso dos pescadores mais destemidos.

Além ter sido usada no tempo dos romanos, como local para julgamentos de onde se atiravam os acusados, se sobrevivessem eram inocentes, se não, tinham sido mesmo os culpados…

Praia da Adraga
Praia da Adraga

Antigamente era costume oferecer aos turistas o triste espectáculo de, a troco de uns magros cobres, homens e rapazes descerem e subirem essa rocha enorme, com risco da própria vida, para gáudio da inconsciente assistência.»

Praia da Ursa
Praia da Ursa

Francisco de Almeida Jordão,que terá nascido em 1712, escritor e formado em cânones pela Universidade de Coimbra, em 1748 no livro “Relação do castelo e serra de Sintra e do que há que ver de raro em todo ele,” referindo-se à “Pedra de Alvidrar”, escreve:

«É toda escabrosa em declive até ao mar, de uma altura imensa, que foge o lume dos olhos quando se olha para baixo.Há homens tão bárbaros, que descem e sobem por ela descalços, que parece impossível, por um pequeno prémio».

No mesmo local, a cerca de cinquenta metros da arriba, é imprescindível dar uma olhadela ao Fojo, poço natural muito profundo que, na sua base, tem comunicação com o mar.

A gruta do Fojo resultou da acção corrosiva da água das chuvas, através das fracturas existentes nas rochas calcárias, conjugada com a acção erosiva das ondas, que originaram um labirinto de grutas, cavernas e enormes fendas.

Consta que os Romanos acreditavam existir um Tritão a tocar búzio no fundo do buraco do Fojo, com cerca de 90 metros. Na realidade, seria o ruído causado pelas ondas, mas na época foi até enviada uma embaixada ao Imperador Tibério (entre o ano 14 e 34 d.C.) para relatar o fenómeno.

 

Lenda de Alvidrar

Há muitos séculos atrás, o Deus Vulcano, figura sinistra e perversa, jurou vingar-se para todo o sempre duma formosa princesa, espelho de virtudes sem par.

Pedra de Alvidrar
Pedra de Alvidrar

O maligno Vulcano, seguindo ruins desígnios, pretendeu casar-se com a esbelta princesa que já a outro prometera a sua mão. Pouco satisfeito com o inesperado facto, quis saber de quem se tratava. Furioso ficou quando soube que o futuro esposo da gentil princesa era o seu próprio sobrinho, filho primogénito da sua irmã.

Imediatamente acorreu à casa de sua irmã Zipa e queixou-se do seu desespero. Esta fez-lhe ver que nada tinha com o próximo enlace. Jovens e obedientes aos pais de cada um, tudo neles concorria para que fossem felizes. Em consciência nada teria a opôr-se e recomendou ao irmão prudência e resignação; a casta princesa não era para a sua idade, merecia um jovem como ela.

Praia da Adraga
Praia da Adraga

Vulcano não acatou os conselhos prudentes e nobres da irmã. Chegando a seus domínios, organizou fortíssima expedição que se dirigiu para as terras da princesa Al-Vidrar e de seu sobrinho Foje. Zipa veio ao seu encontro mas nada deteve Vulcano. Naquela cruenda batalha restam os corpos vulcanizados dos moços namorados aos quais chamamos PEDRA DE ALVIDRAR E O FOJE*.

In “Lendas Sintrenses” Recolha e relato de Luiz da Cunha Oliveira, 1968

*Fojo- O Fojo, um abismo aberto na rocha de onde se pode observar no fundo a agitação das ondas.

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