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Os 4 monumentos que os mouros deixaram em Portugal

Os mouros deixaram muitos vestígios em Portugal, da língua à gastronomia. Mas apenas 4 monumentos mouros sobreviveram em Portugal e com muitas alterações.

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mouros
Castelo dos Mouros

 

De nome “al-Andalus”, a Península Ibérica foi, outrora, povoada e governada por vários povos, que se cruzaram entre si, misturando culturas, costumes e conhecimentos, influenciado aquela que, actualmente, é um dos ex-libris de Portugal, a arquitectura. O Castelo de Silves, o Palácio Nacional de Sintra, o Castelo dos Mouros e a Igreja Matriz de Mértola são algumas das heranças deixadas por todas aquelas gerações. 

Silves
Silves

Grande parte do território da actual Península Ibérica era dominada pelos visigodos. Após a morte do rei Vitiza, em 710, Rodrigo foi eleito o último rei visigodo da Hispânia. No ano de 711, várias tropas oriundas do norte de África cruzaram o estreito de Gibraltar e venceram Rodrigo, na batalha de Guadalete. Depois disto, o Reino Visigótico acaba. Esta conquista árabe recebeu o nome de Invasão Islâmica da Península Ibérica.

 

Origem da Península Ibérica

Nos séculos seguintes, os muçulmanos foram alargando as suas conquistas na península, apoderando-se do território a que chamaram “al-Andalus”, e que governaram durante quase oitocentos anos. A partir daí, os muçulmanos foram ampliando as suas conquistas territoriais e, em consequência do domínio territorial e militar, veio também a influência cultural.

A invasão dos mouros fez misturar povos com culturas distintas, dando origem uma sociedade muito heterogénea. Desde a invasão da Península Ibérica, os cristãos da região tentaram expulsar os muçulmanos e restituir o domínio no local. Mas o processo de reconquista prolongou-se durante todo o período da Idade Média.

Após oitocentos anos de tentativas de reconquista, finalmente, no início da chamada Idade Moderna, os Reis católicos, Fernando e Isabel, expulsaram definitivamente os muçulmanos e o Estado da Espanha foi unificado, em 1492.

 

A herança árabe

Apesar de expulsos, os vestígios materiais da longa permanência muçulmana ficam aquém das expectativas, principalmente porque a política cristã de reconquista foi a de “terra arrasada”. Cada localidade retomada aos árabes era destruída e os objectos e construções eram queimados em fogueiras que ardiam durante dias.

Castelo dos Mouros
Castelo dos Mouros

Mas restaram alguns elementos que atestam este período da vida portuguesa, principalmente nas muralhas e castelos, bem como no traçado de ruelas e becos de algumas cidades do sul do país.

 

Arte islâmica

A Arte Islâmica desenvolveu-se em Portugal durante a presença muçulmana do país (712 – 1249). O termo “arte islâmica” refere-se à unidade criativa de uma arte e uma arquitectura próprias de uma civilização de enorme extensão geográfica. Nos primeiros tempos do Islão surgiu uma arte rica e variada baseada na tradição clássica, na arte bizantina, persa e de outros povos orientais conquistados.

 

Características da arquitectura árabe

A originalidade das estruturas arquitectónicas e dos motivos ornamentais deram origem a uma arte própria, tipicamente muçulmana. O arco em ferradura, de influência visigótica é a imagem de marca da civilização muçulmana em Portugal. A ornamentação é, sem dúvida, um dos aspectos que mais contribuiu para a unificação da arte islâmica.

Palácio Nacional de Sintra
Palácio Nacional de Sintra

A grande profusão de superfícies decoradas faz com que as estruturas fiquem parcialmente escondidas, num fenómeno preenchido de todos os espaços com decoração conhecido como horror ao vazio. A repetição de motivos – geométricos, cosmológicos, a caligrafia e motivos de origem vegetal estilizados – e a combinação de materiais e texturas originam um efeito tridimensional que confere aos edifícios uma certa aura de mistério e harmonia, para o que contribuem igualmente a luz e a presença de água. Outros dos elementos decorativos mais característicos são os adornos em estuque trabalhado.

A rejeição de qualquer imagem figurativa (aniconismo) é também característica da arte islâmica. Deve-se ao receio da idolatria, ou seja, da veneração de imagens que simbolizassem seres do outro mundo. Na arquitectura destacam-se os edifícios de carácter religioso, as mesquitas, cuja origem foi a casa do profeta Muhammad em Madina na actual Arábia Saudita.

Faro
Faro

As primeiras estruturas de ordem religiosa apareceram depois da deslocação do centro do poder de Matina para Damasco e Jerusalém: a Cúpula do Rochedo, em Jerusalém, e também a Mesquita de Damasco. Em Portugal, essa presença nota-se pelos monumentos como o Palácio Nacional de Sintra, o Castelo dos Mouros ou a Igreja Matriz de Mértola.

Na arquitectura islâmica foram adoptadas várias soluções e técnicas construtivas para a resolução de problemas de ordem estrutural dos edifícios. Os arcos, nomeadamente os arcos de ferradura, ocupam um lugar importante. As arcadas com colunas com capitéis, por vezes ricamente trabalhados foram uma das soluções estruturais também utilizadas.

Mértola
Mértola

Foram poucos os arcos em ferradura que em Portugal resistiram até aos dias de hoje: na Porta da Vila de Faro, um dos acessos à Medina de Elvas, em quatro portas da Mesquita de Mértola encontramos ainda alguns desses arcos em muito bom estado de conservação. Quanto aos capitéis, embora muitos tenham chegado aos nossos dias, apresentam-se fora do seu contexto inicial.

As paredes de taipa foram também fundamentais como material de construção de muitas estruturas. A taipa era por vezes intercalada com pilares de alvenaria. No caso das taipas mais pobres, o revestimento com cal era essencial para a longevidade da obra.

 

Influência na Língua Portuguesa

Quase todos os arabismos começam por al- (artigo definido invariável em árabe), por vezes com o “L” assimilado à consoante inicial do substantivo árabe (arrabalde, Arrábida, arrais), havendo frequentemente posterior simplificação (açorda, açúcar, ataúde, azougue).

Também são arabismos os nomes dos rios e de terras começados por Guad- (ou Od-), que em árabe quer dizer precisamente “rio”, tais como Guadiana (ou Odiana, antigo), Odemira, Odiáxere, Odeceixe, Odeleite, Guadalete, Guadalaxara, Guadalquivir, etc. Vários outros topónimos sofreram alterações fonéticas ao passar pelo cadinho árabe, como Lisboa (Olisipone), Tejo (Tagus), Beja (Pax Julia), etc.

 

Influência árabe na Gastronomia

Se dermos uma vista de olhos sobre a gastronomia portuguesa, imediatamente identificamos produtos e práticas de cozinha com uma pitada de cultura árabe. A cozinha árabe é a mais perfeita alquimia cultural. As semelhanças permitem concluir que a este tipo de cozinha foi a verdadeira matriz da cozinha alentejana.

Quase todas as receitas tradicionais do Alentejo têm fortes e directas influências da cozinha árabe, subtraindo todas as que estão directamente ligadas ao consumo do porco. Do período romano há noticias de uma sopa feita de ervas aromáticas, alho, pão, azeite e água. A Açorda atravessou culturas e os árabes fixaram-na definitivamente, levaram-na a um estatuto de «prato real», estatuto que vigorou até ao século XIV. A açorda Alentejana, pode ser feita com poejos ou coentros e tem a receita fixada há milénios.

A doçaria do Algarve também parece ter alguma coisa em comum com a passagem árabe por terras do sul. Os deliciosos bolinhos de amêndoa, que se fantasiam das mais variadas formas, são semelhantes a um tipo de doçaria que se encontra no Norte de África. O ensopado de borrego, a cabeça de borrego assada no forno, as famosas migas à alentejana e os carapaus de escabeche, são alguns dos inúmeros pratos típicos deixados por estes povos.

 

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