Início História Mentiras da história portuguesa: estivemos 500 anos em África

Mentiras da história portuguesa: estivemos 500 anos em África

Não estivemos. A nossa presença efectiva nas colónias africanas tal como as entendemos não excedeu algumas décadas.

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Antes do 25 de Abril de 1974 era frequente ouvir-se falar da “presença portuguesa de 500 anos em África”. Segundo a teoria oficial do regime e a ideia-feita que já vinha da I República, Portugal teria estado meio milénio no continente africano, e seria para pôr fim a essa longa permanência que os “terroristas”, armados por potências estrangeiras, nos moviam guerra “a partir do exterior”.

Uma vez que o ensino era orientado, a informação censurada e o debate inexistente, a opinião pública imaginava que Angola e Moçambique “sempre” tinham sido o que eram.

Ora, a efectiva presença portuguesa em África, longe de ter durado 500 anos, não excedera algumas décadas, com especial incidência na primeira metade e nos meados do século XX. O equivalente à duração temporal dos impérios africanos de outros países europeus: Inglaterra, França, Bélgica, Itália e Alemanha.

É certo que os primeiros contactos do nosso país com as costas africanas remontam ao século XV, e nisso fomos mesmo pioneiros. Mas o estabelecimento de feitorias costeiras vocacionadas para o tráficos de ouro, marfim e escravos não basta para que se fale de colonização de países ou de povos.

Foi só na segunda metade do século XIX, depois da Conferência de Berlim, que a Europa definiu as regras a serem obedecidas na corrida às riquezas de África. E a primeira das regras a cumprir para que um país europeu pudesse reivindicar direitos a um território africano consistia na sua ocupação efectiva.

E foi assim que, nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX, Portugal se envolveu em grandes guerras em África. Chamava-se-lhes “de pacificação”. A mais popular delas foi a que culminou na destruição do Império Vátua do Sul moçambicano e na prisão do seu soberano, Gungunhana, num raide comandado pelo capitão Mouzinho de Albuquerque.

Passou-se isso em 1895, e seguiram-se muitas outras campanhas, quer em Moçambique quer em Angola, até 1940. Portanto, só nas décadas de 40 e 50 do século XX é que a África “portuguesa” adquiriu os contornos que muitos ainda conhecemos: habitada por centenas de milhares de compatriotas nossos.

Já agora: a grande importância histórica de Portugal está relacionada, não com a colonização africana, mas com a abertura da rota marítima para a Índia e para os países asiáticos mais além. Inaugurámos os contactos e as trocas entre o Ocidente e o Oriente.

Quanto à maior obra portuguesa no mundo, terá sido a criação do Brasil tal como ele hoje existe, e que, preconceitos à parte e encarado com objectividade, é mesmo “um imenso Portugal.”

1 COMENTÁRIO

  1. Quando se referiam á necessidade de carta de chamada para ir trabalhar para Angola,esclareço que Era uma medida acertada pois as áreas destes territorios são de tal ordem grandes que se não houvesse infra istruturas de estradas,escolas hospitais,os colónos podiam produzir mas não seriam capases de vender os produtos elaborados.Assim se criou o primeiro colonato em Moçambique que foi o do Limpôpo em que a área de terreno era oferecido com tractores comunitáros,sementes gratuitas e todas as infraestruturas .Em Angola vários colonatos como o do Caminho de ferro de Benguela,O maior de todo o continente Africano foi o do GOVE RIO Cunene ,onde estava prevista distribuição de terras para 200.000 famílias.Se não houvesse realmente control ,seria a mesma coisa que os abandonar á sua triste sorte.

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