Início Cultura Língua Portuguesa: qual é a origem da expressão “sangue azul”?

Língua Portuguesa: qual é a origem da expressão “sangue azul”?

Qual é a origem da expressão "ter sangue azul"? Descubra mais um dos mistérios da Língua Portuguesa e aprenda a falar um bom português.

3056
0
Língua Portuguesa
Língua Portuguesa

É uma das expressões mais conhecidas da Língua Portuguesa (apesar de também existir noutros idiomas). Dizer que alguém tem “sangue azul” significa que essa pessoa pertence à realeza. Durante muitos séculos, a expressão estava tão enraizada que muitas pessoas pensavam mesmo que ela exprimia uma realidade e que os Reis teriam, efectivamente, o sangue azul. Mas afinal qual é a origem da expressão “ter sangue azul”?

Há duas explicações para a criação da expressão usada para designar membros de famílias nobres. A mais aceite pelos etimologistas, os estudiosos da língua, é a de que ela tem origem na Espanha do século 6. Faz referência à cor clara da pele, sob a qual se destacavam as veias e artérias azuis – quase invisíveis na pele de mouros e judeus, constantemente expostos ao sol durante o trabalho.

Teria tido origem na Europa Renascentista, onde o padrão estético da nobreza era o tom de pele mais claro, quase da cor de porcelana. Dizia-se que havia sangue azul (nobre) devido às veias localizadas nos membros superiores, de cor azul. Famílias importantes da Europa usavam, então, o termo para mostrar superioridade perante os escravos e os pobres, ou perante outros grupos raciais, como o índio, o mestiço e o negro. Isto deve-se ao facto de que a aristocracia de pele clara podia ver o sangue venoso, de tom azulado, através da pele, o sangue pobre em oxigénio, que circula pelas veias sistémicas e pela árvore arterial pulmonar.

Porém, alguns pesquisadores defendem que a origem da expressão seja bem mais antiga e esteja no antigo Egipto. Segundo eles, os faraós diziam ter sangue azul como as águas do rio Nilo, contrapondo-o ao vermelho do sangue dos súbditos.

O simbolismo da cor azul está relacionado com a cor do céu. Os egípcios usavam a cor azul para estabelecerem a relação entre os faraós e a sua alegada origem divina. A cor azul foi também usada pelos Reis de França para estabelecer a ligação dos Reis à religião cristã.

Em Portugal, como D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, era descendente dos Reis de França, a primeira bandeira da monarquia portuguesa era constituída por uma cruz azul sobre fundo branco. «Possuir sangue azul» era, portanto, uma expressão simbólica, porque os cavaleiros deviam servir a religião cristã e a monarquia.

Observe-se que é tradicional relacionar a expressão em causa com a cor aparente do sangue. Como sabemos, o sangue venoso é mais escuro que o sangue arterial. Além disso, as veias apresentam um tom azulado e são mais evidentes nas pessoas de pele clara. É, pois, corrente a explicação segundo a qual a expressão «sangue azul» teria origem ibérica: os nobres não se haviam miscigenado com os conquistadores árabes e, por isso, tinham uma pele muito pálida em que sobressaíam as veias azuladas.

Também há quem defenda a hipótese de este efeito ter antes uma razão social: as classes populares dos reinos ibéricos estavam expostas ao sol, porque trabalhavam no campo, enquanto a aristocracia dele se resguardava e, consequentemente, era muito mais pálida, de tal maneira, que sob a pele “translúcida” as veias pareciam azuis.

Estas hipóteses confirmam a prestígio da cor azul, mas esquecem a sua importância como símbolo de realeza e do orgulho social ou nacional: por exemplo, o azul, que era a cor tradicional da monarquia francesa, continuou a ser usada pelos franceses mesmo depois da Revolução de 1789.

Em Espanha, o azul também ganhou valor, sobretudo, depois da Guerra da Sucessão de Espanha, já que a família que começou uma nova dinastia e ainda hoje detém o trono espanhol constitui um ramo dos Bourbons, que ocupavam o trono de França.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here