Início Cultura Língua Portuguesa: 50 pleonasmos que você deve evitar de usar

Língua Portuguesa: 50 pleonasmos que você deve evitar de usar

A Língua Portuguesa é um idioma belíssimo e convém não estragar tudo com o uso excessivo e repetitivo de certas palavras, ou seja, pleonasmos.

9869
13
Língua Portuguesa
Língua Portuguesa

A Língua Portuguesa é um idioma único e riquíssimo, tanto em palavras como em expressões. Hoje em dia é cada vez mais importante falar português de forma correcta, seja em contexto familiar ou em contexto profissional. Afinal de contas, um mau uso da Língua Portuguesa pode causar uma péssima impressão. Um dos exemplos mais frequentes de uso incorrecto da Língua Portuguesa é a frequência demasiado exagerada com que os falantes recorrem aos pleonasmos, ou seja, a repetição desnecessária de certas palavras.

O termo pleonasmo tem origem no grego. A partir de polys (muito) formou-se pleon, que por sua vez originou pleonasein, que significa “ser mais que o suficiente”. De pleonasein nasceu a palavra pleonasmos, que em português perdeu o “s” final e ganhou o significado de “redundância”.

O pleonasmo é uma figura de linguagem que se caracteriza, basicamente, pelo emprego de palavras que produzem redundância. Ele pode ser dois tipos: literário ou vicioso.

Pleonasmo literário: O pleonasmo literário consiste no uso de palavras redundantes com o objectivo de enfatizar o que está a ser dito. É chamado de literário porque é frequentemente empregado por escritores, poetas e compositores como recurso estilístico.

Pleonasmo vicioso: Também chamado de perissologia. Acontece quando palavras redundantes são utilizadas sem nenhuma função, já que o sentido completo da mensagem já foi expresso por outras palavras que vieram antes. Como o próprio nome indica, o pleonasmo vicioso é um vício de linguagem.

 

Os 50 pleonasmos mais comuns da Língua Portuguesa

1) Subir para cima.

2) Descer para baixo.

3) Sair para fora.

4) Entrar para dentro.

5) Cego dos olhos.

6) Gritar alto.

7) Pessoa humana.

8) Hemorragia de sangue.

9) Viúva do falecido.

10) Acabamento final.

11) Certeza absoluta.

12) Quantia exacta.

13) Países do mundo.

14) Juntamente com.

15) Expressamente proibido.

16) Em duas metades iguais.

17) Sintomas indicativos.

18) Há anos atrás.

19) Vereador da cidade.

20) Outra alternativa.

21) Detalhes minuciosos.

22) A razão é porque.

23) Anexo junto à carta.

24) De sua livre escolha.

25) Monopólio exclusivo.

26) Conviver junto.

27) Ganhar grátis.

28) Encarar de frente.

29) Multidão de pessoas.

30) Amanhecer o dia.

31) Criação nova.

32) Retornar de novo.

33) Empréstimo temporário.

34) Surpresa inesperada.

35) Repetir de novo.

36) Planear antecipadamente.

37) Abertura inaugural.

38) Continua a permanecer.

39) Elo de ligação.

40) última versão definitiva.

41) Baseado em factos reais.

42) Na minha opinião pessoal.

43) Maluco da cabeça.

44) Possivelmente poderá ocorrer.

43) Goteira no tecto.

44) Canja de galinha.

45) Propriedade característica.

46) Enfarte do coração.

47) A seu critério pessoal.

48) Comparecer pessoalmente.

49) Sorriso nos lábios.

50) Protagonista principal.

 

Não devemos confundir o pleonasmo com batologia

A batologia, também conhecida como chavões ou bordões, são palavras ou sons que dizemos de maneira totalmente involuntária que não contribuem com nada de relevante na comunicação. O uso de bordões em pequenas doses não é problemático, mas quando empregados com abuso tornam empobrecida a mensagem transmitida.

Por outro lado, os bordões transmitem insegurança ao falante, falta de preparação e pouco conhecimento sobre determinado assunto. Entre os chavões mais comuns, podemos destacar os seguintes: terminar as frases com o famoso “né”, iniciar uma frase dizendo “o que eu quero dizer” ou repetir sem justificativa as palavras bem, então, é verdade.

Tanto os bordões como os pleonasmos têm algo em comum, uma vez que em ambos os casos há um componente repetitivo que distorce a comunicação.

 

Outros vícios de linguagem

Pleonasmos e bordões não são os únicos vícios de linguagem. Os barbarismos são erros gramaticais que consistem em pronunciar ou escrever incorrectamente as palavras (escrever peneu ao invés de pneu ou cidadões no lugar de cidadãos). O dequeísmo está baseado no uso indevido da preposição “de”, por exemplo, “Os vizinhos são da opinião de que a segurança é deficiente” está incorrecto, sendo “Os vizinhos acham que a segurança é deficiente” o certo.

A anfibologia ocorre quando as ideias expressas podem ser interpretadas com um sentido muito diferente, por exemplo, quando afirmo “este é o porco do meu amigo”, não se sabe se o seu amigo tem um porco ou se está a insultar o amigo.

13 COMENTÁRIOS

  1. Gostaria de ver comentado o uso actual do verbo Meter em vez de colocar, pôr!!! É uma agressão constante a uma língua tão rica como é a nossa!!!

    • Tambem achei estranho aquele “evitar de usar”. Um barbarismo!
      Foi boa a lista, mas deviam ter incluído “planos para o futuro”, que aqui em Portugal está até em livros para o ensino da língua portuguesa! Um acinte! Por acaso alguém faz planos para o presente ou para o passado???
      Num dos parágrafos pode-se ler “ao invés de” quando deviam ter escrito “em vez de”, uma vez que os termos postos em oposição não são contrários. “Ao invés de” usa-se em expressões do tipo “entrou ao invés se sair”, “subiu ao invés de descer”… (termos opostos).
      E mais uma vez o autor do texto erra no uso das conjunções coordenados alternativas “seja…seja” Já escrevi sobre isso três vezes, mas parece que não leem os comentários. Devem achar-se tão bons que nem olham o que se diz dos textos. Se olhassem, podiam melhorar. Mas parece que já estão no topo do caminho da perfeição.
      Mais uma coisa: a definição de anfibologia está equivocada.
      Gosto de receber esses textos, mas lamento que não peçam uma segunda leitura antes de o publicar. Revisão textual. Faz bem.

      • É curioso descreverem dequeísmo como vício de linguagem e não repararem no título. De facto, parece que não leem os comentários. Ainda outra coisa: penso que “pessoa humana” poderá não ser pleonasmo se “humano” não se referir a “ser humano” mas a qualidades como ser compassivo, solidário, ou outras, que enriquecem a pessoa, a tornam mais “humana”. O contrário de desumano. Pode-se dizer “pessoa desumana”, no sentido de cruel, fria, sem sentimentos, ou algo do género. Isto é apenas o que estou a pensar mas, face ao observado, duvido que o autor, ou autora, do artigo se junte à discussão.

  2. Na vossa lista de 50 pleonasmos, os números (não a designação) 43 e 44 estão repetidos.
    Dúvida: Há locutores de TV (e Rádios) que, constantemente, usam a frase APENAS E SÓ. Não é, também, um pleonasmo?
    Agradecia o favor de uma resposta. Obrigado.

  3. No meu comentário anterior, eu não queria escrever “APENAS E SÓ” não é um um pleonasmo, mas sim: TEM O MESMO SIGNIFICADO… “Parece-ME a MIM”, dizem alguns locutores e não só. tem o mesmo significado, não é?

  4. Enfarte do coração não é pleonasmo. Também existem enfartes noutros locais. Exemplos: enfarte cerebral, enfarte esplénico, …

  5. Gostei muito de ler os outros comentários! Sempre é bom aprender mais e mais.

    Já vimos que os autores dos textos não participam dos comentários, infelizmente. Então deduzo que podemos “conversar” nós aqui, os comentaristas. Quanto à dúvida do Arnaldo, “apenas e só” e “dão-me a mim” são formas comuns em Portugal e são redundâncias, já que “apenas” e “só” são sinónimos, assim como “me” e “mim” também são. Portanto, podem ser consideradas pleonasmos. Alguns dirão que não, que é o jeito de se expressar em Portugal e que não pode ser considerado pleonasmo. Discutível. O mesmo acontece com a expressão “livre e espontânea vontade”.

    Agradeço ao Nuno por me ter dado a oportunidade de aprender que “enfarto” não é só do coração (já que “enfarto” é a “obstrução de um vaso sanguíneo” e isso pode, portanto, ocorrer em várias partes do corpo — acabo de conferir isso no dicionário, porque o comentário dele realmente me surpreendeu!).

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here