Início História D. João V: o Rei que morreu por excesso de afrodisíacos

D. João V: o Rei que morreu por excesso de afrodisíacos

Diziam as más línguas que a rainha era pouco bonita e por isso o rei procurava com frequência a companhia de amantes. Mas ao que parece... exagerava.

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D. João V

D. João V teve os cognomes de “O Magnânimo” e “O Rei-Sol Português”, e alguns historiadores recordam-no também como “O Freirático”. “O Magnânimo”, dada a generosidade com que abriu mão de enormes fortunas, tanto para engrandecer a coroa como para satisfazer os seus caprichos pessoais. D. João V era tão esbanjador que um dia mandou fazer uma banheira em Inglaterra para oferecer a uma das suas amantes.

A banheira pesava 100 kg, era dourada, tinha pés em forma de golfinhos e sereias, e um enorme Neptuno com um tridente na mão à cabeceira. Custou 3500 guinéus (equivalente a 4200 euros actuais).

Convento de Mafra
Convento de Mafra, mandado construir por D. João V

Mas D. João V tinha outra faceta: perdia a cabeça por todas as mulheres, mas a sua verdadeira paixão estava em Odivelas, no ninho da madre Paula. A verdade é que nesse tempo a vocação era uma das últimas razões para as mulheres irem para freiras e as visitas aos conventos faziam parte da etiqueta social.

Era frequente, um nobre ter a sua freira, com quem se correspondia, a quem visitava no convento onde se trocavam presentes. As celas transformavam em alcovas ou bordeis.

Da relação com a madre Paula, o rei D. João V investiu uma enorme riqueza para transformar uma modesta cela conventual em aposentos dignos de uma rainha. O Palácio Pimenta, no Campo Grande, onde hoje está instalado o Museu da Cidade de Lisboa, foi mandado construir por D. João V para a mesma amante.

Aqueduto das Águas Livres
Aqueduto das Águas Livres, mandado construir por D. João V

A obsessão de D. João V pelo sexo levou-o ao uso descontrolado de afrodisíacos, designadamente cantáridas, que lhe minaram a saúde e apressaram a morte. O Rei faleceu em 31 de Julho de 1750 após quase meio século de governo. Jaz no Panteão dos Braganças, ao lado da esposa, no Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa.

 

Quem era Madre Paula?

No século XVIII, em pleno reinado de D. João V de Portugal, viviam-se tempos de fausto na corte e de devassidão nos conventos. As freiras mais belas, mais jovens e mais ricas eram visitadas regularmente por homens poderosos da corte, da nobreza e até do clero, os quais, em clima de secretismo, as procuravam para satisfação sexual. D. João V era assíduo do Mosteiro de Odivelas, onde mantinha pelo menos uma amante.

É para este Mosteiro que Paula, uma jovem órfã de mãe tão bela quanto pobre, é levada à força pelo seu pai, um ourives falido, que vê no convento a única hipótese de dar às filhas uma vida digna.

Madre Paula
Madre Paula

Paula resiste com todas as suas forças a ingressar na clausura da vida religiosa, apesar da sua irmã mais velha, Maria da Luz, já residir no Mosteiro de Odivelas, para onde Adrião, o pai de ambas, leva Paula no início da história. Mas, mesmo rejeitando Deus, Paula não tem alternativa se não ficar no convento com a sua irmã.

Por serem muito pobres, fazem parte do lote de freiras que exercem no Mosteiro as tarefas básicas e árduas, como cozinhar, cultivar as hortas, limpar, etc. Para as freiras oriundas de famílias ricas e ilustres estão reservadas apenas três “ocupações”: cantar no coro da igreja, não terem de usar hábito (ostentam os seus luxuosos vestidos e jóias) e usufruírem de um estatuto superior ao das restantes freiras.

Inicialmente, tudo isto contribui para aumentar ainda mais a revolta de Paula com a vida no convento, mas, aos poucos, a noviça irá perceber que poderá conquistar poder se enveredar pelo caminho certo.

Assim, Paula conhece o Conde de Vimioso e envolve-se com ele, permitindo que se torne no primeiro homem na sua vida. Por se tornar a escolhida de um Conde, Paula ganha outro estatuto no convento, mas o mais significativo acontecimento na sua existência chega quando conhece o Rei D. João V, por quem se apaixona perdidamente.

Palácio Pimenta
Palácio Pimenta

D. João V, homem de muitas amantes dentro e fora de conventos, sente-se atraído por Paula como por nenhuma outra mulher até aí (e até ao fim da sua vida), acabando também por se apaixonar por ela. Rei e freira tornam-se amantes e viverão um amor de uma intensidade avassaladora, capaz das mais belas alegrias e dos maiores tormentos. Este amor durará até ao fim da vida de ambos e dele nascerá um filho ilegítimo, mais um dos muitos que o Rei D. João V foi gerando à sua passagem.

As infidelidades recorrentes do Rei à sua esposa, a Rainha Maria Ana de Áustria, e a procriação ilegítima que várias vezes daí resulta são o principal foco de conflito no casamento entre ambos. Maria Ana, uma Rainha infeliz e só, transforma a sua mágoa numa perseguição implacável aos filhos ilegítimos de D. João V, os quais manda tirar às mães à nascença, jurando que nenhum bastardo será Rei. D. João V não se perturba com tais intervenções, mas tudo será diferente quando Maria Ana perceber que Paula não é apenas mais uma na vida do Rei, é sim a única que ele verdadeiramente amou, ama e amará para sempre.

A Rainha decide encarar Paula como uma ameaça séria e não poupará esforços para a eliminar da vida de D. João V, aliando-se àqueles que, na corte, conspiram contra o Rei, nomeadamente nobres e, o mais perigoso de todos, o Infante Francisco, irmão de D. João V.

Palácio Pimenta
Palácio Pimenta

Francisco odeia o irmão, considerando-o um homem vaidoso e egoísta, sem capacidades para ser Rei. O seu objectivo é afastar D. João V do trono de Portugal e ocupar ele mesmo esse trono. As suas conspirações contra o Rei com os nobres da corte, muitos deles descontentes com a ausência de títulos nobiliárquicos atribuídos pelo monarca, são constantes, perversas e perigosas.

Chegam a incluir uma mentira sobre uma nau afundada ao largo da costa de Inglaterra… O Rei enfrenta muitas ameaças e tem muitos inimigos. D. João V não foge a esta regra, mas o maior perigo está dentro de casa, personificado no seu próprio irmão.

O amor entre Paula e D. João V crescerá entre os espinhos da própria relação e também dos seus opositores, mas será tão imenso que ficará marcado para sempre na História.

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