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História insólita de Portugal: o rei que mandou castrar o escudeiro por ciúmes

D. Pedro I, conhecido pelo seu amor com Inês de Castro, ficou ainda famoso pelo cognome de "o cruel", talvez porque mandou castrar o escudeiro por ciúmes.

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O desconhecido Afonso Madeira (Séc. XIV) foi um escudeiro do rei D. Pedro I de Portugal. Segundo a crónica de Fernão Lopes, era favorito do rei. Foi castrado por ter sido apanhado a dormir com Catarina Tosse, mulher casada com Lourenço Gonçalves, o corregedor da corte.

Embora havendo três filhos do seu segundo casamento e tendo vivido uma relação intensa com Inês de Castro, com quem também houve descendência, acerca do temperamento deste soberano, o cronista Fernão Lopes dedicou um capítulo que intitulou “Como El-Rei mandou capar um seu escudeiro porque dormia com uma mulher casada“, permitindo entrever que o gesto teria sido motivado por ciúmes do monarca por seu escudeiro, de nome Afonso Madeira.

Madeira é descrito como um grande cavalgador, caçador, lutador e ágil acrobata, e regista: “Pelas suas qualidades, El-Rei amava-o muito e fazia-lhe generosas mercês.

Túmulo de D. Pedro I
Túmulo de D. Pedro I

O escudeiro, entretanto, apaixonou-se por Catarina Tosse, esposa do Corregedor, descrita como “briosa, louçã e muito elegante, de graciosas prendas e boa sociedade“.

Para se aproximar dela, Madeira fez-se amigo do Corregedor, seduzindo-a e consumando a traição. O soberano, entretanto, tudo descobriu e não perdoou Madeira, castigando-o brutalmente.

Fernão Lopes
Fernão Lopes

O cronista insiste no afecto do soberano, referindo enigmaticamente: “Como quer que o Rei muito amasse o escudeiro, mais do que se deve aqui dizer (…)“, mas regista que D. Pedro mandou “cortar-lhe aqueles membros que os homens em maior apreço têm“.

O escudeiro recebeu assistência e sobreviveu, mas “engrossou nas pernas e no corpo e viveu alguns anos com o rosto engelhado e sem barba“.

Pedro e a sua amante, Inês de Castro
Pedro e a sua amante, Inês de Castro

No entanto, embora a teoria a época aponte para que o motivo real da castração fosse castigar o escudeiro por seduzir uma mulher casada (o que já de si é estranho porque o próprio rei era infiel à sua rainha), há quem aponte que o verdadeiro motivo era o ciúme que o rei sentia pelas excelentes qualidades de Afonso Madeira como cavaleiro, caçador e lutador, insinuando-se também que poderia haver uma relação amorosa entre os dois.

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