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História insólita de Portugal: o Rei que foi deposto por ser impotente

Pode um Rei ser deposto por impotência? Ao que parece, qualquer argumento é válido, mesmo que se suspeite de golpe palaciano. História insólita de Portugal.

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O caso foi julgado por três autoridades da Igreja e um júri composto por quatro desembargadores e quatro cónegos. Entre as muitas testemunhas, destacavam-se algumas mulheres entre os 15 e os 30 anos, com quem Afonso VI tinha tentado relacionar-se. Apesar da composição religiosa de tal ajuizado, não pouparam nos pormenores:
•    que quase todas foram levadas ao Rei – a pedido de seus criados – mais do que uma vez, para se deitarem “na cama com Sua Majestade”;
•    Jacinta Monteiro, uma dessas testemunhas que na altura “estava donzela”, afirmou que esteve três dias despida para nada: “Ora se lhe abaixava o membro viril, ora derramava semente extravas, sem que nunca nas três noites e três dias o pudesse fazer intravas”. Jacinta também contou ao tribunal que, mais tarde, viria a ser “desflorada” por um amigo, o que a levou a concluir que o Rei “não prestava nem tinha actividade para penetrar mulheres donzelas”;
•    a Joana Tomásia – outra das testemunhas – o Monarca justificou-se, alegando que estava muito “gastado de mulheres”. Esta testemunha considerou o “membro viril” muito diferente do de outro homem que conhecera, “porquanto o de Sua Majestade, quando derramou semente, ficou como o de uma criança, e muito desigual quando estava erecto, por ser muito mais delgado na raiz do que na extremidade”;
•    Catarina Henriques, que afirmou ter estado 12 vezes com o soberano ao longo de três anos e, apesar de ter recebido 12 mil réis por mês da casa real – uma pequena fortuna para a época – também denunciou a incapacidade de D. Afonso VI “e reparou ainda nos grãos, pela desigualdade que havia entre ambos, por ser um maior e outro muito mais pequeno”;
•    Jerónima Pereira confidenciou que se tinha espantado com o cheiro da semente, que era diferente do da semente do marido;
•    Joana de Saldanha contou que o Chefe de Estado respirava com cansaço e lhe dizia “já não posso, já não posso” e outras vezes “já sou velho, já sou velho”(tinha 24 anos);
•    a Joana de Almeida, o Monarca pediu desculpa pela “fraqueza e a pouca actividade”, e acrescentou: “É grande trabalho ser um homem aleijado!”.

Os médicos do Rei atribuíram esta sua “frouxidão” a um acidente que sofreu aos 3 ou 4 anos de idade, e que quase lhe paralisou o lado direito do corpo. Pensa-se hoje que o Rei tenha sofrido de uma doença do sistema nervoso central, talvez uma meningoencefalite.

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