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História insólita de Portugal: o casamento durou um ano mas a rainha morreu virgem

O casamento durou um ano mas a rainha morreu virgem. Pelos menos é o que dizem as más línguas. Faleceu com 22 anos vítima de angina diftérica.

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Rainha D. Estefânia

 

Em Abril de 1858, o rei D. Pedro V e a rainha D. Estefânia casaram-se por Procuração, mas só se conheceram um mês depois. Voltaram a casar no dia 18 de Maio. Mas a noite de núpcias foi difícil para o rei que não demonstrou interesse. D. Pedro V era um puritano e queixava-se da futilidade das raparigas da corte. No entanto, depois de conhecer D. Estefânia tudo mudou: o casal parecia apaixonado, passeavam de mãos dadas pelos jardins de Sintra e Benfica.

D. Estefânia, esposa de D. Pedro V

Mas falta a rainha engravidar. Um ano depois do casamento, a rainha sentiu-se mal e foi internada. O marido ficou à cabeceira da sua cama, sem dormir, durante dois dias inteiros. D. Estefânia que tinha acabado de completar 22 anos de idade, não resistiu a uma angina diftérica. Os médicos da casa real fizeram uma autópsia, mas o seu resultado só foi tornado público 50 anos mais tarde num artigo do famoso médico Ricardo Jorge: a rainha morreu virgem!

D. Estefânia, esposa de D. Pedro V

Rainha de Portugal, era filha do príncipe Carlos António de Hohenzollern-Sigmaringen e de Josefina de Baden, a princesa Estefânia Frederica Guilhermina Antónia de Hohenzollern-Sigmaringen nasceu em Sigmaringen, na Alemanha, a 15 de Julho de 1837 e faleceu em 1859. Por conselho da rainha Vitória de Inglaterra, sua parente, casou-se com o rei D. Pedro V de Portugal. O casamento foi feito por procuração em 29 de Abril de 1858, na Igreja de Santa Hedwige em Berlim. O conde de Lavradio foi responsável pelo contrato do matrimónio. A 3 de Maio, D. Estefânia partiu de Düsseldorf, chegando de comboio a Ostende, de onde embarcou no barco a vapor “Mindelo” a Plymouth, Inglaterra. A corveta “Bartolomeu Dias” estava à sua espera para partir para a sua nova pátria.

D. Pedro V
D. Pedro V

A princesa Estefânia chegou à barra do Tejo no dia 17 de Maio de 1858, a bordo da corveta “Bartolomeu Dias”. O pintor João Pedroso retratou sua chegada, e hoje o quadro está presente no Palácio Nacional da Ajuda. Bela e instruída, D. Estefânia escreveu cartas íntimas à sua mãe em francês. Numa delas, critica a alta sociedade portuguesa: “Os portugueses têm o sentido do luxo e da pompa, mas não o da dignidade”. Embora tivesse sentido saudades das margens do Reno e não gostado do calor e da aridez de Lisboa, D. Estefânia escreveu que apreciara Sintra e Mafra. A companhia do sogro, D. Fernando II, não lhe agradava.

D. Pedro V
D. Pedro V

Faleceu catorze meses depois, a 17 de Julho de 1859, aos 22 anos de idade, vítima de uma angina diftérica que contraiu quando visitou Vendas Novas. O rei D. Pedro V cumpriu o desejo expresso pela rainha e mandou fundar um hospital com o seu nome em Lisboa, o D. Estefânia. Esta rainha era muito devota, tendo fama de ter sido muito bela e instruída. Para D. Pedro V esta perda foi trágica. O seu carácter taciturno, dado à angústia e depressão, agravaram-se cada vez mais, com um paliativo no trabalho e estudo desmesurados.

D. Pedro V
D. Pedro V e o seu irmão, D. Luís

Apenas a caça o distraía, como disse uma vez a Rainha, e foi pela caça que acabou por encontrar a morte, poucos anos depois. Estando em vila Viçosa, com três dos seus irmãos, beberam água estagnada e conspurcada de um poço ou charca onde passaram. Pouco depois de regressarem, morreu o Infante D. Fernando, logo seguido do Rei D. Pedro e do Infante D. João. D. Luís estava fora, embarcado na “Bartolomeu Dias”, de que era comandante, quando recebeu a terrível notícia de que era Rei de Portugal.

 

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