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História insólita de Portugal: a Rainha que se deixou raptar porque o Rei era impotente

Há episódios que não aparecem nos livros de história: conheça a rainha que se deixou raptar porque o rei era impotente.

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D. Sancho II

O casamento de D. Sancho II, com Mécia Lopes do Haro, começou mal, por várias razões, uma delas porque ia ao encontro do desejado por sua tia D. Berenguela de Castela neta da poderosa Leonor de Aquitânia e que desejava para o sobrinho mais do que uma bastarda viúva do magnate fronteiriço castelhano Álvaro Pires de Castro. Continuaria mal porque um rei sem descendência, que casa com uma mulher viúva de mais de 30 anos e também sem descendência anterior, não deixava antever nada de bom.

Por outro lado, a nova rainha insistia em rodear-se de aias e criados castelhanos, com excepção de alguns validos, um transtorno para os cortesãos, a quem não era assim permitida a aproximação ao rei através de D. Mécia. D. Sancho, encantado com a beleza da sua rainha, encheu-a de riquezas, fazendo-a senhora de Torres Vedras, Sintra, Ourém, Abrantes, Penela, Lanhoso, Aguiar de Sousa, Celorico de Basto, Linhares, Vila Nova de Cerveira e Vermoim.

O povo, que vivia na miséria, passou a odiar a rainha – estrangeira, bela e rica. O casamento entre parentes próximos era frequente nas cortes ibéricas da Reconquista: bastava obter do Papa a “dispensa de consanguinidade”. Mas os nobres e bispos aproveitaram para dar novo fôlego à conspiração contra o rei. Escreveram ao Papa a denunciar a situação e em Fevereiro de 1245 Inocêncio IV declarou nulo o casamento e ordenou que o casal “empeçado” (ilegítimo) se separasse.

Por este tempo, a envolver directamente D. Mécia, sucedeu-se um facto que enfraqueceria ainda mais o poder que D. Sancho ainda conservava. Um nobre de nome Raimundo Viegas de Portocarreiro, segundo consta acompanhado por outros cavaleiros afectos ao conde de Bolonha, consegue entrar no paço real de Coimbra e arranca a rainha do leito onde se recolhiam D. Mécia e D. Sancho, levando-a para o paço real em Vila Nova de Ourém.

Tendo ido no alcance da esposa, D. Sancho ordenou que lhe abrissem as portas do castelo, conseguindo somente que lhe fossem arremessados vários projécteis. Achando-se pouco capaz para insistir na tentativa de recuperar D. Mécia, resigna-se. D. Sancho reuniu um pequeno exército para ir libertá-la. A vila foi cercada e o rei preparava-se para recuperar a mulher – quando ela se recusou a voltar para ele, assumindo a adesão ao partido de D. Afonso.

Achando-se pouco capaz para insistir na tentativa de recuperar D. Mécia, D. Sancho resigna-se. O escândalo foi tremendo. D. Mécia foi acusada de ter anuído ao rapto, em conluio com o cunhado D. Afonso. Pior: a recusa em voltar para o marido, associada ao facto de não haver filhos do casamento, deu origem ao rumor de que D. Sancho era impotente.

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