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História Insólita de Portugal: a Rainha que dizia ser virgem… mas já tinha um filho

Uma mulher ambiciosa e um Rei sem escrúpulos e dá nisto... a futura Rainha dizia ser virgem para poder casar com o Rei mas afinal... já tinha um filho.

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Leonor Teles
Leonor Teles

Senhora de grande formosura, despertou amor no rei e ódio no povo. Mas se a ambição de Leonor Teles alcançou o trono, na história ficou como uma das piores rainhas de Portugal. Com ela no poder, o reino esteve em risco de perder a independência. No início de 1372 corria em Lisboa o rumor de que o rei D. Fernando podia em breve desposar a dama a quem chamavam barregã, aleivosa e adúltera. A jovem, nascida na região de Trás-os-Montes, tinha sangue nobre mas não correspondia ao modelo de rainha virgem que o povo se habituara a ver no trono.

De que morreu cada um dos Reis de Portugal?
D. Fernando I

Leonor Teles era já casada e tinha um filho quando conheceu o monarca apelidado de Formoso e começou a partilhar o leito real. Apesar de saber da importância do matrimónio na frágil relação com Castela, D. Fernando, que tinha compromisso ajustado com uma infanta do reino vizinho, preferiu o coração aos interesses políticos. Para a arraia-miúda e alguma burguesia, o rei não resistira aos jogos de sedução da bela e ambiciosa fidalga do norte.

Para anular o casamento com o seu primeiro marido e poder casar com o Rei D. Fernando, D. Leonor Teles alega perante o Papa que o marido é impotente. O Rei D. Fernando corrobora a versão e chega mesmo a dizer que D. Leonor Teles é virgem, o que constitui uma prova das suas acusações contra o esposo. Tal facto é deveras curioso dado que, a futura Rainha, já tinha um filho do homem que ela dizia agora ser impotente.

O casamento era tão impopular que, para evitar arruaças, a cerimónia realizou-se no discreto Mosteiro de Leça do Bailio, nos arredores da cidade do Porto. É por este mosteiro, palco de outros acontecimentos importante, que começa a história da rainha mal-amada, a quem Alexandre Herculano chamou de “Lucrécia Bórgia portuguesa”.

Leonor Teles
Leonor Teles

Os protestos foram afogados em sangue, e Leonor recebe meio Portugal como presente de casamento. Receosa do prestígio do seu cunhado o infante D. João, filho de Pedro I e Inês de Castro, casado com a sua irmã D. Maria Teles, promete a este a mão de sua filha a infanta D. Beatriz, ficando portanto herdeiro do trono, mas teria que matar primeiramente a sua sua mulher. D. João assim o faz, matando-a à punhalada e apresentando o pretexto do seu mau comportamento. Mas D. Leonor Teles casou a filha com D. João I rei de Castela e o infante assassino teve que fugir de Portugal.

A conduta de Leonor Teles tornou-se mais odiosa depois da morte do jovem rei em 1383, quando assumiu a regência, prevista nas cláusulas do contrato nupcial por falta de herdeiro masculino. Tendo por conselheiro o Conde Andeiro, um nobre galego feito seu amante ainda D. Fernando era vivo, os dois usavam de poucos escrúpulos para manter o governo, cada vez menos apoiado.

Se por um lado as manobras políticas pareciam querer evitar que o genro, o rei de Castela casado com D. Beatriz, tomasse o trono português, por outro,  foi D. Leonor quem o convidou a invadir Portugal. Por duas vezes tentou e por duas vezes foi derrotado: primeiro pelas tropas comandadas por Nuno Álvares Pereira e, da segunda vez, em Aljubarrota pelo mestre de Avis, que se proclamou rei com o título de D. João I. Com ele começava a segunda dinastia.

Morte do Conde Andeiro
Morte do Conde Andeiro

Morto D. Fernando, em 22 de Outubro de 1383, Leonor que ainda em vida do rei, como dizia o povo, era amante de João Fernandes Andeiro, conde de Ourém, toma a regência do reino. Andeiro acaba por ser morto pelo Mestre de Avis e por Rui Pereira em 6 de Dezembro de 1383. Nas lutas e intrigas que se seguem foge de Lisboa para Alenquer, mas acaba por ser desterrada para Castela, e internada, na condição de prisioneira, no Mosteiro de Tordesilhas, onde morre a 27 de Abril de 1386.

2 COMENTÁRIOS

  1. A pintura que ilustra o artigo, de José Malhoa, não é de D. Leonor Teles mas sim de D. Leonor de Lencastre fundadora das misericordias.

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