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História de Portugal: a batalha mais misteriosa de todos os tempos

Portugal está repleto de histórias mal contadas. Mas talvez nenhuma seja tão confusa como a história da batalha mais misteriosa de todos os tempos.

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Batalha de Ourique
Batalha de Ourique

Batalha travada em 25 de Julho de 1139, dia de Sant’Iago, entre as forças do nosso primeiro rei e as de um chefe islâmico denominado Esmar. A Batalha de Ourique associa-se à história da aclamação de Afonso Henriques como rei pela nobreza guerreira, em que se descreve o seu regresso triunfal a Coimbra, com a possível indicação de ter sido a partir desse momento que o infante passou a intitular-se rei.

Batalha de Ourique
Batalha de Ourique

Tudo nesta Batalha é muito estranho: a começar pela data (dia de São Tiago, conhecido como o Mata Mouros e que seria também o aniversário do Rei D. Afonso Henriques; a localização (existe até uma teoria que diz que a Batalha teria ocorrido em Espanha); o número de tropas envolvidas; o suposto milagre que na realidade seria uma desculpa para legitimar Afonso Henriques como Rei e até a introdução dos símbolos da Bandeira Nacional (as quinas, os castelos e os escudos).

Batalha de Ourique
Batalha de Ourique

Localização

Os primeiros historiadores como Alexandre Herculano, defenderam sempre que a Batalha teria ocorrido na povoação com o mesmo nome, no Baixo Alentejo. Autores recentes apontam outras alternativas como Vila Chã de Ourique (próximo de Santarém); Campo de Ourique (actualmente em Lisboa); Campo de Ourique (perto da nascente do Rio Lis, no distrito de Leiria).

D. Afonso Henriques
D. Afonso Henriques

A hipótese inicial de Ourique, parece estar um pouco abandonada, pois não só corresponde à lógica dos acontecimentos anteriores, como parece ser um empreendimento demasiado arriscado. Parece um pouco ousado, mesmo para D. Afonso Henriques, percorrer mais de 300 km em território hostil desde Coimbra, e travar um Batalha da qual, seria praticamente impossível de retirar em segurança, caso a contenda não lhe fosse favorável. Tem que se ter ainda em conta, que D. Afonso Henriques, poucos dias depois estava de volta a Coimbra.

Monumento comemorativo da Batalha de Ourique
Monumento comemorativo da Batalha de Ourique

As hipóteses de Vila Chã de Ourique e de Campo de Ourique no Lis, estão dentro do contexto das operações militares que se tinham vindo a desenvolver anteriormente. Após várias ofensivas muçulmanas a Coimbra, como resposta, os “portugueses” forçam a linha de fronteira, fixando-a no eixo Leiria-Ourém-Tomar, onde D. Afonso Henriques fez importantes doações ás Ordens Militares, como forma de suster quaisquer tentativas de reconquista por parte do inimigo. É assim lógico que a batalha de Ourique tivesse ocorrido um pouco abaixo dessa linha, já em terreno inimigo.

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Quanto à hipótese Lisboeta, ela parece ser um pouco afastada da região onde se costumavam confrontar as forças “portuguesas” e muçulmanas.

Componente Militar

As crónicas da época falam de um batalha enorme, com dezenas de milhar de homens envolvidos. No entanto, os historiadores desde Alexandre Herculano, defendem que não se produziu um choque de exércitos, mas um “fossado” ou ataque repentino “português”, que envolveu largas centenas ou talvez poucos milhares de homens.

Milagre de Ourique

Milagre de Ourique
Milagre de Ourique

Após a morte de D. Afonso Henriques, iniciam-se duas crónicas sobre a sua vida, a Gesta de Afonso Henriques e os Anais de Santa Cruz de Coimbra. Esta última crónica, fala na aparição de Cristo a D. Afonso Henriques de forma a incitar à vitória sobre os infiéis e dando assim protecção divina ao Reino que se estava a formar. Uma lenda deste género, numa época de grande religiosidade como a Idade Média, era a melhor forma de enaltecer a grande vitória “portuguesa”.

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As Cinco Quinas

Foi Luís de Camões que eternizou a explicação do escudo português, onde o número dos reis vencidos era representado pelos cinco escudetes existentes no brasão de Portugal. No entanto, os selos e moedas posteriores a 1139 não comprovam essa tradição.

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Alguns historiadores defendem, por exemplos, que os círculos brancos não simbolizariam as chagas de Cristo mas sim moedas, o que indicaria que D. Afonso Henrique já se considerava ele próprio como Rei de Portugal e portanto teria o poder de cunhar moeda própria.

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