Início História Dipo: a cidade com 2300 anos escondida no Alentejo

Dipo: a cidade com 2300 anos escondida no Alentejo

Os arqueólogos acreditam que a cidade de Dipo, construída pelos Sefes há 2300 anos, pode estar debaixo de Évoramonte, mas as dúvidas persistem.

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Castelo de Évoramonte
Castelo de Évoramonte

 

Durante séculos, desde Camões quando escreveu os Lusíadas até aos tempos da ditadura, os Lusitanos foram celebrados como os primeiros antepassados dos portugueses. Podem, de facto, terem sido os mais importantes, mas não foram os únicos e nem sequer foram os primeiros. Antes dos Lusitanos estiveram em Portugal os Sefes (também chamados Ofis pelos historiadores gregos). E além dos Sefes, também estiveram, mais a sul, os Cónios, enquanto que a zona norte foi povoada por diversos povos, como por exemplo os Tamaganos e os Brácaros. Todos eles são povos de origem celta e contruíram algumas cidades no território que hoje corresponde a Portugal. Uma das maiores cidades, construída pelos Sefes, era Dipo.

Castelo de Évoramonte – Pedro Jorge Matos

Évora Monte pode esconder uma dos maiores povoados pré-romanos do Alentejo. Escavações no local confirmam a existência de edificações que remontam ao século III antes de Cristo, o que sugere que ali se encontra a cidade de Dipo. Os romanos tentaram conquistar Dipo por mais de uma vez e este povoado da Idade do Ferro foi referido, por diversas fontes, como sendo um dos principais aglomerados populacionais do Alentejo.

Castelo de Évoramonte

As fontes clássicas indicam a localização desta urbe entre as cidades romanas de Évora e Mérida, o que contribui para reforçar a teoria de que as ruínas escavadas pertencem a essa povoação. A suspeita de que Évora Monte é o local onde foi construída a cidade de Dipo é antiga e escavações realizadas nos últimos anos têm confirmado a existência de um povoado com alguma dimensão. A localização da cidade perdeu-se no tempo pois os romanos, após a conquista, construíram uma nova cidade num outro local, actualmente conhecida como Évora.

 

Quem eram os Sefes?

Rufius Festus Avienus, poeta latino, escrevendo no século IV mas apoiado em velho roteiros fenícios e gregos com quase mil anos – «escritos recônditos» e «antigas páginas», nas suas próprias palavras – relata-nos no seu poema Ora Maritima que a região ocidental da Península Ibérica, antes chamada Oestrymnis, se chamava agora Ophiussa, e que o seu nome lhe vinha de uma grande invasão de serpentes que fizera fugir os antigos habitantes da terra. Os seus actuais habitantes chamavam-se Sefes e Cempsos (Saefes Cempsi), e habitavam as colinas e os campos de Ophiussa.

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Celtas

A passagem dos Sefes como força invasora pelas planícies do Alentejo encontra-se arqueologicamente documentada, seja pelo desaparecimento súbito e inexplicável de povoados na Serra de Huelva e nas duas margens do Guadiana (o povoado de Passo Alto, na margem direita do Chança, é um caso paradigmático), seja pela alteração do modelo de povoamento no Alentejo Central, com as populações abandonando as suas quintas na planície, sem preocupações defensivas, e recuperando ou construindo grandes povoados fortificados, no cimo dos montes, como se pode comprovar nos povoados da Serra d’ Ossa.

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Cromeleque dos Almendres

Fundam uma primeira cidade, Dipo, que sobrevive até à época romana e que muito acreditam estar no subsolo de Évoramonte. E avançando para oeste e para noroeste fundam sucessivamente Beuipo (Alcácer do Sal), Olisipo (Lisboa) e Colipo (Leiria), avançando até às margens do Mondego. A terminação em “-ipo” das povoações que fundaram (os topónimos que o tempo não devorou), não nos ilude quanto à sua proveniência, pois a esmagadora maioria dos povoados em “-ipo” encontra-se a sul do Guadalquivir.

origem dos portugueses
Celtiberos

Embora se desconheça a data da fundação de Evoramonte, os vestígios encontrados demonstram a sua ocupação pelos romanos. Conquistada aos mouros por Geraldo Sem Pavor, no século XII, a povoação obteve o primeiro foral em 1248, concedido por D. Afonso III. Edificado no reinado de D. Dinis, o castelo de Evoramonte, monumento nacional, erigido num dos pontos mais elevados da Serra d´Ossa, está sob a responsabilidade do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).

Évora Monte

D. Dinis, em 1306, ordenou a fortificação da vila, restando dessa campanha a cerca amuralhada e as portas dionisinas. Na localidade foi assinada a Convenção de Evoramonte, em 26 de Maio de 1834, que pôs termo à guerra civil de 1832-1834, travada entre absolutistas e liberais.

 

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