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Descubra como se chamava a sua cidade no tempo dos mouros

Estiveram em Portugal durante vários séculos e deixaram marcas na toponímia, especialmente na zona sul do país. Descubra como se chamava a sua cidade no tempo dos mouros.

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Árabe

 

Os Árabes/Muçulmanos entraram na Península Ibérica em 711 e focaram até 1249 em Portugal e 1492 na Espanha, tiveram uma influência grande em várias áreas, algumas das quais ainda hoje estão a ser estudadas. Todavia é preciso recordar vários aspectos: as marcas são maiores no sul mediterrânico, onde permaneceram mais tempo; durante séculos eles foram encarados como invasores e por isso a sua cultura desvalorizada e até destruída, como aconteceu, por exemplo, em Lisboa (Lisbûna em árabe). Hoje depois de muitos estudos, há muitas escavações e por isso sabe-se que o legado islâmico no território que hoje é Portugal, embora menor que no oriente peninsular (Espanha), é imenso.

Mértola
Mértola

O povo árabe nascido na Península arábica, devido ao comércio que praticava entre o oriente e ocidente, conheceu vários povos com culturas diversas, das quais fez uma amálgama, originando a cultura islâmica/árabe. Esta é influenciada por povos tão distintos como gregos, romanos, bizantinos, indianos, persas, egípcios, judeus, hindus e chineses.

mouros
Castelo dos Mouros

Da China os Árabes trouxeram para a Europa invenções importantes, como a bússola, um dos contributos para o avanço dos conhecimentos náuticos e geográficos em Portugal. Veio o papel, tendo fundado na Península Ibérica a primeira fábrica europeia; a pólvora, que contribuiu para revolucionar as técnicas militares. Divulgaram conhecimentos matemáticos, filosóficos e científicos, aos quais foram acrescentando novos conceitos de Álgebra, Medicina, Astronomia e Aritmética. Espalharam, por exemplo, o sistema de numeração arábico, a que chamamos árabe ou decimal.

Palácio Nacional de Sintra
Palácio Nacional de Sintra

À semelhança dos Romanos mantiveram um estilo de vida mediterrânico, urbano, luxuoso, visível, não tanto em Portugal, mas nas mesquitas e nos palácios da Espanha, onde o tamanho, a decoração, as casas de banho, as fontes e os jardins manifestam fartura e riqueza. No entanto as cidades de Coimbra, Lisboa, Faro, Évora e outras, foram cidades islamizadas, onde ainda se encontram traços de muralhas, portas, traçados urbanos e vestígios de mesquitas.

locais para visitar no Algarve
Silves – Joe Price

Os árabes deixaram ainda um legado enorme na toponímia, ou seja, no nome das localidades. Muitos dos nomes que ainda hoje usamos para nos referir a algumas das cidades mais importantes de Portugal têm origem na época dos mouros. Descubra algumas:

 

  • Albufeira: al-Buhera
  • Alcabideche: al-Qibdhaq
  • Alcácer do Sal: al-Qasr-al-Baja ou al-Qasr abu Danis (قصر أبي دانس)
  • Alcáçovas: al-Qasba (fortificação)
  • Alcains: al-Kanisa (igreja)
  • Alcântara: al-Qântara (ponte)
  • Alcantarilha: diminutivo de al-Qântara (ponte)
  • Alcaria: al-Qariya (vila)
  • Alcobaça: al-Qubasha (carneiro); também pode derivar do latim Helicobatia
  • Alcoutim: derivado do latim Alcoutinium, manteve-se durante a ocupação muçulmana
  • Alfama: al-Hamma (fonte, lugar de banhos)
  • Algés: al-Jeis
  • Algoz: al-Ghuz (ﺰ‎ﻐ‎ﻠ‎ا )
  • Algueirão: al-Gar (gruta, caverna)
  • Alhandra: al-Hamma (fonte, lugar de banhos)
  • Aljezur: al-Jazirah (ﺮ‎ﺰ‎ﺠ‎ﻠ‎ا ilha, península)
  • Aljustrel: al-Lustr
  • Almacave: al-Mugabar (cemitério)
  • Almada: Hisn al-Madin (حصن المعدن, literalmente castelo [hisn] da cidade [al-Madin])
  • Almargem do Bispo: al-Marje (prado)
  • Almeirim: al-Mairim (talvez um antropónimo)
  • Almodôvar: al-Mudawwar (المدوّر)
  • Almoster: al-Monasterium (contracção do artigo definido árabe al- com o substantivo latino monasterium)
  • Alqueidão: al-Qaiatun (tenda; passagem estreira)
  • Alvaiázere: al-Baiaq (falcoeiro)
  • Alvalade: al-Balat (campo murado)
  • Alverca: al-Birka ou al-Borka (pântano)
  • Alvorge: al-burj, (البرج, a torre)
  • Beja: al-Bajah az-Zayt (باجة الزيت)
  • Bobadela: abu ‘Abd Allah (أبو عبد الله, filho do servo de Allah)
  • Cacela: Hisn-Qastalla
  • Cacém / Santiago do Cacém: al-Qashim (divisão)
  • Caia: al-Qaya
  • Caneças: al-Kanisa (igreja)
  • Castro Marim: al-Qasruh
  • Coimbra: al-Qulumriyya (قلمريّة), ou mais raramente Kuwīmbrā (كويمبرا)
  • Elvas: al-Bash
  • Évora: al-Yabura (يابرة)
  • Façalamim: Actualmente, Santiago da Guarda. O nome anterior, muçulmano, significa “Foice do Amim”.
  • Faro: al-Farun ou al-Harun (فارو) al-Uqshunuba [Ossónoba] (أخشونبة) Shantamariyyat al-Gharb [Santa Maria do Ocidente/Santa Maria do Algarve] (شنتمريّة الغرب)
  • Fátima: al-Fatimah (فاطمة)
  • Idanha: al-Antaniya
  • Juromenha: al-Julumaniya
  • Lagos: al-Zawiya
  • Lisboa: al-Ushbuna (الأشبونة) raramente al-Lishbuna (لشبونة)
  • Loulé: al-‘Ulyâ (ﺎ‎ﻴ‎ﻠ‎ﻌ‎ﻟ‎ﺍ‎)
  • Marachique: Marajiq
  • Marvão: Marwan (مروان), de Ibn Marwan
  • Massamá: al-Massamah (que está no alto; lugar onde se toma boa água)
  • Mértola: al-Martulah (مارتلة)
  • Messejana: al-Masjana (cárcere, prisão)
  • Monsanto: Munt Shiyun (do latim Mons Sanctus)
  • Moscavide: al-Masqba
  • Moura: al-Manijah ou al-Maura
  • Odeleite: wadi-Lait
  • Odemira: al-Uadhra
  • Odivelas: wadi-Bala’a
  • Olhão: al-Hain
  • Oriola: Uryūlâ (أريولة), Ūryūlâ (أوريولة)
  • Palmela: Balmallah (em nome de Allah, بسملة)
  • Portimão: Burj Munt (Monte da Torre)
  • Porto: Burtuqal (برتقال), ou mais raramente, Ūbūrtū (أوبورتو)
  • Queluz: Qâlluz (vale da amendoeira)
  • Sacavém: aš-Šaqaban (شقبان)
  • Sagres: Saqris
  • Santa Iria de Azóia: al-Zawiya (الزاوية) [al-Taytal]
  • Santarém: as-Shantariyn ou Santaryn (شنترين) ([cidade de] Santa Iria / Santa Irene)
  • São Brás de Alportel: Šanbras (ﺲ‎ﺮ‎ﺒ‎ﻨ‎ﺷ‎)
  • São Miguel de Alcainça: al-Kanisa (igreja)
  • Segura: Šaqūrâ (شقورة)
  • Serpa: Shirba
  • Silves: as-Shilb (شلب)
  • Sintra: as-Shantara
  • Tavira: at-Tabira
  • Terena: at-Talanna
  • Tunes: at-Tunis (تونس)
  • Vila Franca de Xira: as-Shirush

 

1 COMENTÁRIO

  1. Je suis désolé, je ne peux pas écrire en portugais mais je le comprends et le lis. Je tiens d’abord à vous féliciter pour vos articles très instructifs. Ma remarque porte sur le fait que vous parler des villes à l’époque des “Mouros” et dans votre développement vous faites des mouros des arabes. Ceci est une erreur à mon avis car les Maures sont des berbères nord africains qui ont été islamisés et arabisés et qui ont occupé la péninsule ibérique avec à leur tête un grand chef berbère Tarik Ibn Zeyad. A la différence des Français qui parlent des Arabes d’Andalousie, les Espagnoles et les Portugais qui les côtoyés les appellent les Mouros car ils savent qu’ils ont affaires aux berbères même si les dirigeants sont souvent venus du Moyen Orient et le font croire.
    Bien à vous
    Rezak

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