Início História D. Sancho II: o Rei português que morreu por desgosto de amor

D. Sancho II: o Rei português que morreu por desgosto de amor

Foi uma espécie de Guerra dos Tronos (Game of Thrones) à portuguesa: o Rei conquista o Reino roubando a mulher ao irmão. Esta é a história do Rei D. Sancho II, o Capelo.

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D. Sancho II
D. Sancho II, Dona Mécia e D. Afonso III

 

D. Sancho II (1209-1248) teve um reinado atribulado e turbulento que terminou quando perdeu o confronto militar com o irmão mais novo, futuro D. Afonso III. Este último retirou-lhe a coroa com o apoio de parte da nobreza e do clero. O rei assume o trono ainda criança após a morte do pai, D. Afonso II, um monarca que tinha combatido ao crescente poder da alta nobreza portuguesa, tanto no campo de batalha como também através da supressão de poder e terras.

D. Sancho II
D. Sancho II

A tenra idade de D. Sancho deixa o reino aberto a diversos abusos por parte das classes dirigentes, situação que vai resultar no choque com as mais baixas camadas da sociedade que até aí tinham beneficiado do apoio real que havia atribuído forais, fomentado a criação de concelhos e de feiras. A instabilidade política leva diversos dirigentes políticos e religiosos a apelar ao Papa para que este resolvesse a situação. A solução vai passar por derrubar D. Sancho II, colocando no trono o seu irmão mais novo, D. Afonso III, que era também Conde de Bolonha.

D. Sancho II
D. Sancho II

Começou a governar em 1223 e terminou em 1248, Dom Sancho II tinha treze anos apenas quando subiu ao trono. Não lhe era fácil portanto fazer valer a sua autoridade em todo o reino, pois os grandes senhores do clero e da nobreza recusavam essa autoridade e consideravam que nas suas terras só eles próprios deviam mandar. Adolescente e inseguro, não sabia a quem dar razão nem como impedir que os opositores começassem a matar-se uns aos outros, tal como era costume na época, os grupos em confronto trataram de enviar mensageiros a Roma com a incumbência de exporem a causa e pedirem apoio ao papa. Isto de nada serviu e o problema ficou por resolver.

D. Sancho II
D. Sancho II

Como o rei não conseguia impor a ordem, as brigas tornaram-se cada vez mais violentas e perderam o significado político. Bandos enfurecidos saqueavam igrejas, conventos, castelos, quintas, para roubarem tudo o que aí houvesse de valor. Raptavam mulheres e crianças a fim de exigirem resgate, matavam quem se lhes atravessasse no caminho. Uma autêntica onda de loucura varreu o país. Durante algum tempo imperou a lei do mais forte. Todavia em 1244 vários elementos da nobreza, do clero e do povo decidiram recorrer de novo ao papa, e este decidiu que Dom Afonso, irmão de Dom Sancho II, deveria assumir o governo de Portugal, mas o rei continuaria a ser Dom Sancho II. Dom Afonso aceitou ser apenas “Governador e Defensor” do país enquanto o irmão fosse vivo, mas depois queria subir ao trono.

D. Afonso III
D. Afonso III

Isso só era possível se Dom Sancho II e Dona Mécia não tivessem filhos. Então Dom Afonso lembrou ao papa que eles eram primos e que tinham casado sem pedir a licença da Igreja, como era costume. O papa considerou o casamento nulo e ordenou que o rei e a rainha passassem a viver separados. Dom Sancho II reagiu muito mal tanto à nomeação do irmão como ao facto de lhe tirarem a mulher.

D. Sancho II
D. Sancho II

Instalou-se em Coimbra e dali procurou arranjar aliados para enfrentar o irmão, que entretanto desembarcara em Lisboa. Os opositores de Dom Sancho II não conseguiram vencê-lo pela força tão depressa como pretendiam. Decidiram então humilhá-lo e desacreditá-lo aos olhos de quem o apoiava, raptando-lhe a mulher. E levaram-na para o castelo de Ourém, que pertencia à própria rainha. O rei perseguiu-os mas não conseguiu alcançá-los no caminho.

D. Sancho II
D. Sancho II

Quando chegou às portas do castelo exigiu que lhe devolvessem a mulher. Em vez de lhe obedecerem, correram-no à pedrada. Este rude golpe terá diminuído muito o rei aos olhos dos súbditos. O escândalo foi tremendo. D. Mécia foi acusada de ter anuído ao rapto, em conluio com o cunhado D. Afonso. Pior: a recusa em voltar para o marido, associada ao facto de não haver filhos do casamento, deu origem ao rumor de que D. Sancho era impotente. O rei ainda tentou lutar mas, vendo que não conseguia vencer, acabou por desistir e retirou-se para Toledo. Nessa altura Dom Afonso assumiu plenamente o cargo de “Governador e Defensor do Reino”.

 

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