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D. António Prior do Crato: o homem que foi Rei de Portugal durante 2 meses

É considerado por muitos como o 18º Rei de Portugal e, caso tivesse sido apoiado nas suas pretensões, Portugal nunca teria caído no domínio de Espanha.

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Prior do Crato
D. António Prior do Crato

 

Estava destinado à vida eclesiástica mas abraçou com a espada a causa da pátria. D. António participou nas expedições em África, foi pretendente à Coroa, e lutou até ao fim contra o domínio filipino. Chegou a ser aclamado “defensor de Portugal”. A educação do filho bastardo do infante D. Luís é confiada a monges, padres, cardeais e a outros grandes mestres das Artes, das Humanidades e da Teologia. O pai quer vê-lo na realeza do clero, porém António não se sente talhado para a carreira eclesiástica. Ainda recebe o priorado do Crato, um dos mais ricos do reino, mas a morte do pai liberta-o do dever e logo recusa a ordenação de presbítero.

Cortes de Tomar em 1581
Cortes de Tomar em 1581

O cardeal- regente D. Henrique, seu tio, reprova a nova vida do sobrinho. D. António retira-se várias vezes para Castela. A partir de 1568 , D. António participa em missões de combate no norte de África, recebe o título de governador de Tânger e conquista a estima do rei, D. Sebastião. Acompanha o jovem monarca na batalha de Alcácer-Quibir, onde é feito prisioneiro e libertado após convencer os mouros de que não passava de um pobre padre. Regressado a Lisboa, começa a fase mais política da sua vida. Com a independência de Portugal cada vez mais ameaçada pelos espanhóis, D. António toma a liderança de um dos partidos nacionais que se opõe à unificação dos dois países. Tudo se precipita com a morte do rei-cardeal, seu velho tio, que sucedeu a D. Sebastião.

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Cardeal D. Henrique

O pretendente espanhol, D. Filipe II, conta com o apoio de muitos nobres portugueses que vai sabendo aliciar. O prior do Crato declara-se pretendente à Coroa mas não tem tropas nem dinheiro para impedir a invasão castelhana. Chega a ser aclamado rei na vila de Santarém, mas acaba vencido na batalha de Alcântara a 25 de Agosto de 1580. Foge primeiro para o norte do país, mais tarde para França e por fim para Inglaterra. Durante alguns anos é procurado vivo ou morto.

Filipe II
Filipe II

No exílio angaria auxílio militar para a sua causa: restaurar a independência. A ilha Terceira, nos Açores, é o seu reduto e, até ao fim, faz resistência aos castelhanos. Apesar das incursões, D. António não consegue libertar Portugal, que fica nas mãos dos Filipes durante sessenta anos. Alguns autores consideram que Dom António reinou efectivamente de 19 Junho a 25 de Agosto de 1580, e, por isso, consideram-no o décimo oitavo rei de Portugal.

 

O Reinado de D. António

A 19 de Junho de 1580, durante a preparação para a esperada invasão espanhola, D. António foi aclamado rei de Portugal pelo povo, no castelo de Santarém. D. António pedira ao povo que o aclamasse apenas regedor e defensor do reino, mas já o povo rejubilava. É aclamado também em Lisboa, Setúbal e em numerosos outros lugares. No entanto, um mês mais tarde, a 25 de Agosto, as suas forças são derrotadas na batalha de Alcântara pelas do duque de Alba.

Tendo sobrevivido ao combate, D. António foge para o Norte, com as tropas de Sancho de Ávila a persegui-lo até Viana do Castelo. Durante 6 meses, de Novembro de 1580 até Maio do ano seguinte, vive homiziado no seu «reino», abrigando-se quer em mosteiros quer em casas de partidários devotados. De Junho a Setembro de 1581 está em Inglaterra, na corte de Isabel I, procurando ali em vão auxílio militar, e em seguida dirige-se a França, onde o encontra. Em 1582 está na ilha Terceira, nos Açores, que havia tomado o seu partido e de onde continuou a governar. Era reconhecido apenas localmente, de modo que, em Portugal Continental e na Madeira, o poder passou a ser exercido por Filipe II de Espanha, reconhecido oficialmente pelas Cortes de Tomar de 1581 como Filipe I de Portugal. Iniciava-se, na História de Portugal, a Dinastia Filipina.

D. António desembarcou na vila de São Sebastião, ao invés de no porto de Angra, tendo marchado por terra até aos portões de São Bento nesta cidade. Ali era esperado por Ciprião de Figueiredo, pelo conde de Torres Vedras, por Manuel Silva e outras personalidades locais. À sua chegada, as fortificações de Angra salvaram, o mesmo tendo feito as guarnições, com seus mosquetes e arcabuzes. Ficou hospedado no Convento de São Francisco e, posteriormente, no palácio do marquês de Castelo Rodrigo. Na ilha, visitou a baía da Salga e a baía da Praia (actual Praia da Vitória). Frequentou ainda o Convento da Esperança, cujas religiosas também o apoiavam.

De imediato determinou reforçar as defesas de Angra, face à iminência de um ataque espanhol e à acção dos corsários, tendo contado para tal com o incondicional apoio de Dona Violante do Canto, inclusive financeiro. Ainda com relação às finanças, cunhou moeda – um acto típico de soberania e realeza. Por essas razões, aqueles já mencionados autores não hesitaram em considerá-lo o derradeiro príncipe da Casa de Avis, ao invés do Cardeal D. Henrique, e o décimo oitavo rei de Portugal.

Em Julho de 1580, D. António já havia escrito à rainha de França, Catarina de Médici, uma carta pedindo auxílio. Na ilha Terceira, em 1581, regista-se a primeira tentativa de desembarque de tropas espanholas, ferindo-se a batalha da Salga, onde os Espanhóis foram completamente derrotados. Participaram neste combate os escritores Cervantes e Lope de Vega.

Finalmente em 1583, quando D. António já ali não se encontrava, forças espanholas muito superiores, sob o comando de D. Álvaro de Bazán, (vencedor da batalha de Lepanto), logram dominar a ilha após violentos combates. Após a derrota de suas forças nos Açores, D. António instalou-se em França – inimigo tradicional dos Habsburgos de Espanha – onde se exilou.

 

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