Na encosta verde da Serra da Lousã existe uma aldeia quase secreta. Chiqueiro tem apenas duas ruas, um punhado de casas em xisto e, atualmente, dois habitantes permanentes. O resto pertence ao silêncio da serra e ao som das cabras que percorrem os caminhos.
Integrada na rede das Aldeias do Xisto, esta pequena povoação mantém a traça tradicional: fachadas escuras de pedra, telhados de lousa e pequenas janelas voltadas para o vale. No centro destaca-se a Capela de Nossa Senhora da Guia, de paredes brancas, que contrasta com o tom dominante do xisto.
Um nome com história rural
O topónimo denuncia o passado agrícola. “Chiqueiro” remete para o espaço destinado aos porcos, animais que, tal como ovelhas, burros e galinhas, faziam parte da economia doméstica local. A aldeia foi, durante décadas, um núcleo ativo, com várias famílias a viver da pastorícia e da agricultura de subsistência.
A partir dos anos 80, a desertificação acentuou-se. Muitos partiram em busca de trabalho noutras regiões ou no estrangeiro. Permaneceram os mais velhos, guardiões de um modo de vida que parecia destinado a desaparecer.
Recuperação e nova vida
Nos últimos anos, alguns descendentes regressaram para recuperar casas e preservar a memória familiar. Parte das habitações foi restaurada para uso próprio ou para turismo rural, respeitando a arquitetura original.
Este processo devolveu dignidade ao casario e trouxe visitantes curiosos, atraídos pela autenticidade e pela escala íntima do lugar.
O que ver e fazer
Em Chiqueiro não há monumentos grandiosos. O interesse está nos detalhes: a fonte, o antigo tanque comunitário, o parque de merendas e as vistas abertas sobre o vale. Caminhar sem pressa pelas ruelas é a melhor forma de perceber a dimensão humana da aldeia.
A envolvente natural convida a explorar mais. O trilho PR5 – Caminho do Xisto – Rota dos Serranos liga Chiqueiro a outras aldeias como Talasnal e Casal Novo. É um percurso exigente, mas recompensador, atravessando bosques de carvalhos, sobreiros e pinheiros.
A poucos quilómetros encontram-se ainda Candal, Cerdeira e o Castelo da Lousã, implantado junto à Praia Fluvial da Nossa Senhora da Piedade.
Para quem aprecia miradouros, o Baloiço do Trevim oferece uma vista ampla sobre a serra e, em dias limpos, até ao Atlântico.
Fauna e natureza
A Serra da Lousã é habitat de javalis, corços e veados. Ao amanhecer ou ao entardecer é possível avistar alguns destes animais nas clareiras. As ribeiras que delimitam a aldeia reforçam a sensação de isolamento e frescura.
Um ponto de partida discreto
Chiqueiro não procura protagonismo. É um lugar pequeno, onde a escala humana ainda define o ritmo do dia. Visitar a aldeia é aceitar essa dimensão reduzida e descobrir que, mesmo com dois habitantes permanentes, a identidade de um território pode manter-se viva.
Para um fim de semana em contacto com a natureza ou como ponto de partida para explorar a Serra da Lousã, Chiqueiro oferece uma experiência simples e genuína, onde o passado continua presente nas paredes de xisto.







