No alto de um outeiro granítico, com vista ampla sobre o vale do Tâmega, ergue-se o Castelo de Arnoia. A fortaleza domina a paisagem e explica, por si só, a sua função original: vigiar e proteger a antiga Terra de Basto, uma região estratégica durante os séculos da Reconquista.
As origens do castelo remontam ao século X, quando a instabilidade na fronteira entre territórios cristãos e muçulmanos exigia estruturas defensivas sólidas.
Ao longo dos séculos XI e XII, no contexto do movimento de encastelamento, o conjunto foi reforçado, consolidando-se como centro de poder senhorial e administrativo.
Uma arquitetura adaptada ao terreno
O castelo apresenta planta irregular, moldada pela topografia do monte. Entre os elementos principais destacam-se:
- Torre de menagem, com cerca de 17 metros de altura, ponto mais elevado da estrutura e símbolo de autoridade.
- Torreão quadrangular, que reforçava o sistema defensivo.
- Porta única, voltada a sul, controlando o acesso ao interior.
- Cisterna subterrânea, essencial para garantir água em caso de cerco.
A atual configuração resulta de intervenções realizadas no século XX, que recuperaram parte das ameias e do último piso da torre.
Do centro administrativo ao abandono
Entre os séculos XIV e XVI, o castelo foi habitado e assumiu funções administrativas. A vila de Basto desenvolveu-se nas imediações, consolidando a importância da fortificação.
Com a progressiva pacificação do território, a estrutura perdeu relevância militar. Em 1717, a sede do concelho foi transferida para Britelo — atual Celorico de Basto — e o castelo entrou em declínio.
Classificado como Monumento Nacional em 1946, foi posteriormente alvo de trabalhos de conservação que permitiram estabilizar as estruturas e abrir o espaço à visita pública.
Um miradouro privilegiado
Hoje, a visita é gratuita e permite percorrer as muralhas, subir à torre e contemplar a paisagem envolvente. Em dias claros, a vista abrange campos agrícolas, vinhas e pequenas povoações dispersas, revelando a importância estratégica do local.
O Castelo de Arnoia integra a Rota do Românico, itinerário cultural que valoriza o património medieval do Vale do Sousa e do Baixo Tâmega. No concelho, vale a pena conhecer ainda o Mosteiro de São Bento de Arnoia e várias igrejas românicas, como a de Fervença e a de Ribas.
O que explorar em Celorico de Basto
Celorico de Basto combina património histórico com paisagem rural. A região é conhecida pelo vinho verde, pelas quintas senhoriais e pela Festa Internacional das Camélias, que todos os anos colore as ruas da vila.
A Ecopista do Tâmega oferece um percurso ciclável ao longo da antiga linha ferroviária, ideal para um passeio tranquilo entre montes e vinhedos. Na gastronomia destacam-se o pão-de-ló local, as cavacas e pratos tradicionais minhotos.
Uma sentinela de pedra
Mais do que uma ruína, o Castelo de Arnoia é um marco identitário da região. A sua presença no topo do monte continua a lembrar a importância histórica da Terra de Basto e a relação entre território, poder e paisagem.
Visitar esta fortaleza é percorrer séculos de história e, ao mesmo tempo, desfrutar de um dos panoramas mais amplos do Norte de Portugal.






