Início História Carvalho Araújo: a bravura do mais desconhecido dos heróis de Portugal

Carvalho Araújo: a bravura do mais desconhecido dos heróis de Portugal

É um dos mais desconhecidos dos heróis de Portugal e o seu valor só foi reconhecido quando foi elogiado pelos próprios inimigos. Falamos de Carvalho Araújo.

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Estátua de Carvalho Araújo, em Vila Real

José Botelho de Carvalho Araújo nasceu no Porto, em 1880. Frequentou a Academia Politécnica do Porto, onde realizou os Preparatórios que lhe permitiram ingressar, em 12 de Outubro de 1899 na Escola Naval. Fez duas comissões em África, e quando regressou prestou serviço na esquadrilha de patrulhas de defesa do porto de Lisboa, foi comandante do caça-minas Manuel de Azevedo Gomes, entregando o comando quando passou para o Ministério das Colónias, a fim de ir desempenhar o cargo de governador de Inhambane.

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Após o seu regresso deste cargo, voltou a integrar a mencionada esquadrilha, tendo recebido o comando do caça-minas Augusto de Castilho, onde viria a falecer em combate. Augusto de Castilho recebeu a missão de escoltar o paquete S. Miguel em viagem para os Açores.

No trânsito da Madeira para os Açores, no dia 14 de Outubro de 1918, foi avistado o submarino alemão U-139. Ao detectar o submarino inimigo, o comandante do Augusto de Castilho não teve a menor dúvida em dar combate ao mesmo, protegendo deste modo o paquete. A sua missão era escoltar o S. Miguel. Para tal, Carvalho Araújo decidiu interpor-se entre este e o submarino alemão.

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NRP Augusto de Castilho

Durante mais de duas horas travou intenso combate artilheiro contra o submarino, possibilitando a fuga do paquete. Quando o submarino conseguiu colocar o Augusto de Castilho fora de combate, já o S. Miguel se encontrava suficientemente afastado para ser impossível ao navio alemão alcançá-lo.

No combate perderam a vida, além do comandante, o Aspirante de Marinha Elói de Freitas, e mais quatro praças. O número de feridos foi também bastante elevado, contando-se entre estes o imediato: Guarda-marinha Armando Ferraz.

Luftbild vom U-Boot (U 34) der Klasse 212A in Fahrt

Quando cessou o fogo, os feridos receberam tratamento ministrado pelo médico do navio alemão, tendo o respectivo comandante enaltecido a bravura dos marinheiros portugueses, que com um navio tão pequeno tanto trabalho lhes tinham dado. Os sobreviventes navegaram em duas embarcações salva-vidas até aos Açores.

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