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As 10 cidades mais decisivas na história de Portugal

Por vezes parece que os acontecimentos cruciais só ocorreram em Lisboa ou no Porto. Conheça 10 cidades, pequenas, mas decisivas, na história de Portugal.

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Santuário do Bom Jesus do Monte
Santuário do Bom Jesus do Monte

Quais foram as cidades mais importantes da história de Portugal? As respostas mais óbvias seriam Porto e Lisboa. A história e a importância destas duas cidades são sobejamente conhecidas. No entanto, neste artigo, resolvemos focar a nossa atenção nas pequenas cidades que, tendo desempenhado papéis absolutamente cruciais na história do país, são muitas vezes esquecidas e desvalorizadas. Estas foram as cidades mais importantes e decisivas na história de Portugal.

 

1. Chaves

Chaves foi um importante centro romano. Alguns dos primeiros livros em português foram impressos nesta cidade. Foi um importante centro de resistência contra as invasões francesas. Aqui existiu uma das primeiras escolas de cirurgia do país no século XVIII. Aqui se consolidou a República em 8 de Julho de 1912 quando o povo de Chaves derrotou as tropas monárquicas de Paiva Couceiro.

Chaves
Chaves – Rui Videira

Poucas cidades de pequeno tamanho como Chaves se podem gabar de terem tido uma importância tão crucial na história de Portugal. Para além de todas as batalhas aqui travadas, o facto de ter sido um ponto de passagem dos peregrinos para Santiago de Compostela fez com que Chaves se tornasse num dos centros culturais do país sendo que, por exemplo, aqui foi impresso o primeiro livro português.

 

2. Coimbra

Nesta cidade foi criada a primeira Universidade do país e uma das mais antigas da Europa. Foi a 2ª Capital de Portugal, depois de Guimarães. Foi um importante centro de resistência contra as invasões francesas.

Coimbra
Coimbra

Mas o papel maior que coube a Coimbra no desenvolvimento de Portugal foi, sem dúvida, a função de ser um centro educativo e de conhecimento. Em Coimbra construiu-se a primeira universidade portuguesa (uma das mais antigas da Europa) que formou muitos daqueles que viriam, ao longo dos séculos, a desempenhar papéis cruciais na vida do país.

 

3. Elvas

Elvas teve uma importância capital na Guerra da Restauração. Aqui foi D. João IV proclamado Rei, em 3/12/1640. Mas o maior feito heróico, a que o nome de Elvas está ligado, é a “BATALHA DE LINHA DE ELVAS”, que teve altas consequências morais e materiais para os portugueses, vindos da esplêndida vitória alcançada no dia 14 de Janeiro de 1659. Também na guerra da Sucessão Elvas teve, igualmente, um importante papel, pois aqui concentrou o Marquês de minas as suas tropas para atacar a Espanha, onde tomámos Placência e Alcântara.

Elvas
Elvas

Em 1706 e 1711 foi atacada pelo Marquês de Bay, mas repeliu sempre os ataques com grandes perdas para o inimigo. Na curta guerra de 1801, os espanhóis cortaram a ligação de Elvas com o exército português, e o seu Governador, D. Francisco Xavier de Noronha, foi convidado a render-se. Este respondeu, bravamente, que enquanto houvesse pedra sobe pedra nos baluartes,  um soldado que pudesse disparar um tiro e fosse vivo o General Comandante, ninguém falaria em capitular. O inimigo retirou-se.

 

4. Guimarães

A cidade de Guimarães é considerada o «berço» da nacionalidade portuguesa, pois, para além de, segundo a tradição, aqui ter nascido o primeiro rei de Portugal (embora haja quem defenda que nasceu em Coimbra ou em Viseu), também foi neste local que se deram os acontecimentos mais marcantes que conduziram à independência de Portugal.

Guimarães
Guimarães

A partir de Guimarães planeou-se a conquista de todo o território nacional a sul do rio Douro. Mais tarde, por motivos estratégicos, a capital do reino foi mudada para Coimbra e, posteriormente, para Lisboa. No entanto, Guimarães continuou a desempenhar um papel crucial na história de Portugal.

 

5. Angra do Heroísmo

A cidade de Angra do Heroísmo, mais de uma vez, teve parte activa na história de Portugal: à época da Crise de sucessão de 1580 resistiu ao domínio Castelhano, apoiando António I de Portugal que aqui estabeleceu o seu governo, de 5 de Agosto de 1580 a 6 de Agosto de 1582. O modo como expulsou os espanhóis entrincheirados na fortaleza do Monte Brasil em 1641 valeu-lhe o título de “Sempre leal cidade“, outorgado por João IV de Portugal. No século XIX, Angra constitui-se em centro e alma do movimento liberal em Portugal. Tendo abraçado a causa constitucional, aqui se estabeleceu em 1828 a Junta Provisória, em nome de Maria II de Portugal. Foi nomeada capital do reino por Decreto de 15 de Março de 1830.

Angra do Heroísmo
Igreja da Misericórdia de Angra do Heroísmo

Aqui, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), Pedro IV de Portugal organizou a expedição que levou ao desembarque do Mindelo e aqui promulgou alguns dos mais importantes decretos do novo regime, como o que criou novas atribuições às Câmaras Municipais, o que reorganizou o Exército Português, o que aboliu as Sisas e outros impostos, o que extinguiu os morgados e capelas, e o que promulgou a liberdade de ensino no país. Em reconhecimento de tantos e tão destacados serviços, o Decreto de 12 de Janeiro de 1837 conferiu à cidade o título de “mui nobre, leal e sempre constante cidade de Angra do Heroísmo“, e a Rainha D. Maria II de Portugal condecorou-a com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

 

6. Braga

Sendo uma das mais antigas cidades europeias convertidas ao cristianismo, a história de Braga divide-se em diferentes períodos que podem ser mais claramente divididos desta forma devido às influências que produziram no território: Os Brácaros, Os Romanos, Os Suevos, Os Muçulmanos, A fundação de Portugal, A afirmação como Primado Católico, O Estado Novo e o Pós-25 de Abril.

Braga
Braga

Braga está intimamente ligada à história do cristianismo em Portugal. A partir desta cidade minhota, o clero controlava grande parte das suas actividades em todo o país. Sendo a terceira maior cidade portuguesa, Braga contribuiu decisivamente para o crescimento económico do país, concentrando à sua volta grande parte da indústria exportadora de Portugal.

 

7. Viseu

Viseu está associada à figura de Viriato, já que se pensa que este herói lusitano tenha talvez nascido nesta região. Depois da ocupação romana na península, seguiu-se a elevação da cidade a sede de diocese, já em domínio visigótico, no século VI. No século VIII, foi ocupada pelos muçulmanos, como a maioria das povoações ibéricas e, durante a Reconquista da península, foi alvo de ataques e contra-ataques alternados entre cristãos e muçulmanos. Foi repovoada por Hermenegildo Guterres, conde de Coimbra, no ano de 868, tendo pertencido a este condado até à última década do século X, aquando da ofensiva de Almançor.

Viseu
Viseu

De destacar a morte de D. Afonso V rei de Leão e Galiza no cerco a Viseu em 1027 morto por uma flecha oriunda da muralha árabe (cujos vestígios seguem a R. João Mendes, Largo de Santa Cristina e sobem pela R. Formosa). A reconquista definitiva caberia a Fernando Magno rei de Leão, depois de assassinar em 1037 o legítimo rei Bermudo III (filho de Afonso V) vencedor da batalha de Cesar em 1035 (segundo a crónica dos Godos), no ano de 1058.

 

8. Covilhã

Era já na Idade Média uma das principais “vilas do reino”, situação em seguida confirmada pelo facto de grandes figuras naturais da cidade ou dos arredores se terem tornado determinantes em todos os grandes Descobrimentos dos séculos XV e XVI: o avanço no Oceano Atlântico, o caminho marítimo para a Índia, as descobertas da América e do Brasil, a primeira viagem de circum-navegação da Terra. Em plena expansão populacional quando surge o Renascimento, sector económico tinha particular relevo na agricultura, pastorícia, fruticultura e floresta. O comércio e a indústria estavam em franco progresso. Gil Vicente cita “os muitos panos finos”.

Covilhã
Covilhã

O Infante D. Henrique, conhecendo bem esta realidade, passou a ser “senhor” da Covilhã. A gesta dos Descobrimentos exigia verbas avultadas. As gentes da vila e seu concelho colaboraram não apenas através dos impostos, mas também com o potencial humano. Há 800 anos aqui existe o trabalho da lã que hoje se reflecte em modernas unidades industriais, sendo a Covilhã um dos principais centros de lanifícios da Europa e é por esse motivo uma localidade com forte cultura operária. Poucos centros urbanos podem assumir uma actividade económica regular ao longo de oito séculos, mas é esse o caso da Covilhã e do trabalho dos lanifícios. Como manufactura primeiro, como indústria depois, o certo é que ainda hoje a cidade é um dos principais centros europeus de produção de lanifícios.

 

9. Tomar

Depois da conquista da região aos mouros pelo Rei Afonso Henriques, Tomar foi doada como feudo à Ordem dos Templários. O Grão-Mestre desta Ordem, Dom Gualdim Pais, iniciou em 1160 a construção do Castelo e Convento que viriam a ser a sede dos Templários em Portugal antes deste já um terá sido iniciada a sua construção (castelo de ceras), donde actualmente só resultam as ruínas. De Tomar os Templários governavam vastas possessões do centro do Reino de Portugal, que estavam obrigados a defender dos ataques vindos dos estados islâmicos a sul. Em 1314, sob pressão do Papa, que queria abolir a Ordem Templária de toda a Europa, o Rei D. Dinis, persuadiu antes o Vaticano a criar a nova Ordem de Cristo e transferir todas as propriedades e pessoal dos Templários para esta. Esta Ordem foi sediada primeiramente em Castro Marim (no sudeste do Algarve) em 1319 mas em 1356 regressou a Tomar.

Tomar
Festa dos Tabuleiros – Tomar

No Século XV o clérigo Grão-Mestre passou a ser nomeado pelo Papa, enquanto o leigo Mestre ou Governador passava a ser indicado pelo Rei, em substituição a serem ambos eleitos pelos frades. O Infante Dom Henrique foi designado mais tarde Governador da Ordem, e acredita-se que os recursos e conhecimentos desta lhe foram cruciais para o sucesso das suas expedições para África e o Atlântico. A Cruz da Ordem de Cristo era pintada nas velas das caravelas que partiam, enquanto todas as missões e igrejas cristãs além-mar permaneceram sob jurisdição do Prior de Tomar até 1514.

 

10. Santarém

No Século XVI, encontram-se ou relacionam-se com Santarém grandes vultos da ciência náutica, das artes e das letras, como Pedro Álvares Cabral (Descobridor do Brasil), Luís de Camões (Poeta Lírico), Fernão Lopes Castanheda (Historiador dos Descobrimentos), e Martim Afonso de Melo (1º Europeu que chegou à China por mar). Durante o Século XIX, Santarém voltou a estar ligada a alguns dos principais acontecimentos da História do nosso País.

Santarém
Santarém

Para além de servir de palco das Guerras Peninsulares (quartel-general das III Invasões Francesas lideradas pelo General Massena), e sitiada pelo Duque de Wellington em 1810-11, (acontecimentos dos quais nos ficou uma narrativa de viagens do médico escocês e oficial do exército inglês, John Gordon Smith, extraordinário relato contemporâneo designado “Santarém or sketches of manners and costums in the interior of Portugal”), a urbe foi uma das cidades de primeira linha das lutas liberais. Sá da Bandeira (Estadista e Militar), Passos Manuel (Estadista e Militar), Braamcamp Freire (Político) são exemplos de liberais nascidos e ligados a Santarém. Refira-se o papel de Santarém na opção democrática do Portugal actual, traduzido no forte apoio ao movimento libertador do 25 de Abril de 1974, liderado pelas tropas do Capitão Salgueiro Maia.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Deixaram de fora a capital Lisboa e a cidade do Porto. Quiseram dar importância a outras cidades segundo o vosso critério.
    Na minha opinião a primeira é a última deste artigo. Cidade que teve um papel detreminante nas épocas mais esplendorosas da história de Portugal.

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