Início História Arqueologia: Ruínas do Prazo, o Machu Picchu português

Arqueologia: Ruínas do Prazo, o Machu Picchu português

As ruínas do Prazo, em Freixo de Numão, são um tesouro da arqueologia em Portugal. São tão especiais que são apelidadas de Machu Picchu português.

9050
1
Ruínas do Prazo
Ruínas do Prazo

Provavelmente, nunca terá ouvido falar das Ruínas romanas de Prazo, em Freixo de Numão, Vila Nova de Foz Côa. Trata-se de um dos mais interessantes e bem preservados locais com vestígios de uma antiga vila romana. A sua envolvência e a enorme quantidade de vestígios arqueológicos faz com que muitos apelidem este local de Machu Picchu português.

A comparação é notoriamente exagerada mas, mesmo assim, consegue dar uma ideia sobre aquilo que aqui pode encontrar e sobre a riqueza da arqueologia deste fantástico local.

Ruínas do Prazo
Ruínas do Prazo

O local tem multiplicidade de ocupações desde do neolítico antigo e provavelmente de períodos anteriores, até à idade média; vestígios do templo paleocristão bem conservados; 22 sepulturas com ossadas de diferentes épocas; uma “estela antropomórfica” de grandes dimensões, podendo o seu aproveitamento reportar-se ao Neolítico, assim como um imponente Menir. A presença de uma casa senhorial e da zona balnear testemunham a importância desta “Villa Senhorial Romana”.

Ruínas do Prazo
Ruínas do Prazo

Esta estação Arqueológica de Prazo é mais um verdadeiro exemplar de uma Vila Romana que teve a sua ocupação entre o século I e o início do V d.C.. Possivelmente esta estação foi o aproveitamento de outras civilizações que aqui passaram, pois encontramos vestígios pré-históricos dos períodos Paleolítico, Mesolítico e Neolítico.

No século V o edifício senhorial foi transformado numa Basílica PaleoCristã, que se vai manter activa até ao século XIII. No século XV o edifício da Basílica vai ser reabilitado como casa de campo de um casal agrícola. Esta última ocupação foi comprovada através de uma gravação “Crismon” (marca das cerâmicas no período da Alta Idade Média), no fundo de um pequeno vaso de cerâmica cinzento.

Ruínas do Prazo
Ruínas do Prazo

No perímetro urbano da freguesia de Freixo de Numão pode visitar o Museu Da Casa Grande, instalado num belo Solar Barroco (segunda metade do séc. XVIII), com mostras significativas de Arqueologia e Etnologia. No quintal anexo, ruínas romanas, medievais e modernas, tendo ainda ali sido recolhidos materiais da Idade do Ferro.

Imponente, como sítio arqueológico mas também como miradouro, é o Castelo Velho, onde campanhas sucessivas de escavação têm permitido estudar um povoado dos III e II milénios A.C. (Idades do Cobre e do Bronze). Povoado fortificado ou apenas sítio monumentalizado, questões que os investigadores hoje colocam quanto às funções de tão ancestral símbolo da presença humana na região.

Ruínas do Prazo
Ruínas do Prazo

Vestígios importantes do Calcolítico, podemos igualmente encontrá-los nos abrigos do Vale Ferreiro e da Painova. No entanto, é no sítio do Prazo que valiosos vestígios do Neolítico Antigo estão agora a começar a ser postos a descoberto. Outros sítios elevados como o Alto dos Barreiros, Alto de Santa Eufémia, lugar Do Castelo de Freixo de Numão, têm-nos surpreendido com achados que vão do Calcolítico à Idade do Ferro!

Ruínas do Prazo
Ruínas do Prazo

Da presença dos Romanos cheiram-se vestígios por toda a parte no aro de Freixo de Numão e limítrofes. Em fase de estudo avançado encontram-se as villas rústicas: do Prazo, com três ocupações (séc.l/II d.C, segunda metade do séc. III d.C. e a era de Constantino – séc.IV d.C.); do Rumansil (ocupado desde a segunda metade do séc. III d.C. até ao séc. V d.C.); do Zimbro II (com ocupação desde o séc. I d.C. até ao séc. IV d.C.; da Colodreira/ Escorna Bois (com ocupação a partir dos finais do séc. II d.C. até aos sécs. VI d.C.); entre outros.

No que é hoje a área urbana da freguesia de Freixo de Numão, deve ter existido um importante castro (Idade do Ferro), depois fortemente romanizado.

Ruínas do Prazo
Ruínas do Prazo

Vestígios de um grande vicus ou até mesmo de uma provável civitas, jazem debaixo de casas e ruas da zona antiga da freguesia. Referência (através de achados epigráficos) a deuses e deusas como Juno, lovi (Júpiter), Lares, Breaegui, Turocicis favorecem as suspeitas da existência dessa civitas!

Em bom estado de conservação encontra-se o troço de 500 metros de calçada romana no lugar de Regadas, bem como uma lagareta cavada na rocha, ferraria e provável Mutatio. No sítio do Laranjal, um conjunto de quatro lagaretas cavadas na rocha quererão dizer-nos da importância de todo aquele vale, na era dos imperadores, no que toca à produção vinícola.

Ruínas do Prazo
Ruínas do Prazo

Da Alta e Baixa Idade Média, os vestígios mais significativos encontramo-los na Igreja Medieval do Prazo. Variados tipos de sepulturas, infra e extra-muros da “velha igreja”, quererão indicar-nos tempos diferentes, rituais distintos executados por homens de diferentes épocas. Cerca de quatro dezenas de esqueletos foram exumados e encontram-se em fase de estudo.

Ruínas do Prazo
Ruínas do Prazo

No fundo das Regadas pode ainda apreciar um raro exemplar de Moinho de Cubo com a data de 1715. A juntar a este valioso património arqueológico, um riquíssimo património natural, onde sobressai a Reserva Florística da Mela, O Forno-Anta da Colodreira, as quedas de água do Pontão das Três Bocas. Por tudo isto, a zona de Freixo de Numão (antiga S. Pedro de Freixo) merece a nossa e vossa visita.

1 COMENTÁRIO

  1. VxMag boa noite e parabéns pelo artigo sobre Freixo de Numão. Conhecia, há muitos anos Numão, com o seu belo castelo de fundação romana e em 2018 ao passar pelo Douro, entre Pesqueira e Foz-Coa, visitei esse belo local do Prazo, caminho romano, moinho, palácio, etc, o que encaixou no que sabia de Numão. Sim, terá sido uma bela civitas dado os vestígios que ainda apresenta. Cumprimentos e um abraço de amizade, Carlos Cardozo

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here