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A curiosa origem de 27 expressões populares portuguesas

Ficar a ver navios mesmo sem poder com uma gata pelo rabo são coisas do Arco da Velha. A curiosa origem de 27 expressões populares portuguesas.

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Acordo leonino

Significado: Um «acordo leonino» é aquele em que um dos contratantes aceita condições desvantajosas em relação a outro contratante que fica em grande vantagem.

Origem: «Acordo leonino» é, pois, uma expressão retórica sugerida nomeadamente pelas fábulas em que o leão se revela como todo-poderoso.

 

Que massada!

Significado: Exclamação usada para referir uma tragédia ou contra-tempo.

Origem: É uma alusão à fortaleza de Massada na região do Mar Morto, Israel, reduto de Zelotes, onde permaneceram anos resistindo às forças romanas após a destruição do Templo em 70 d.C., culminando com um suicídio colectivo para não se renderem, de acordo com relato do historiador Flávio Josefo.

 

Passar a mão pela cabeça

Significado: perdoar ou acobertar erro cometido por algum protegido.

Origem: Costume judaico de abençoar cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto se pronunciava a bênção.

 

Gatos-pingados

Significado: Tem sentido depreciativo usando-se para referir uma suposta inferioridade (numérica ou institucional), insignificância ou irrelevância.

Origem: Esta expressão remonta a uma tortura procedente do Japão que consistia em pingar óleo a ferver em cima de pessoas ou animais, especialmente gatos. Existem várias narrativas ambientais na Ásia que mostram pessoas com os pés mergulhados num caldeirão de óleo quente. Como o suplício tinha uma assistência reduzida, tal era a crueldade, a expressão ” gatos pingados” passou a denominar pequena assistência sem entusiasmos ou curiosidade para qualquer evento.

 

Meter uma lança em África

Significado: Conseguir realizar um empreendimento que se afigurava difícil; levar a cabo uma empresa difícil.

Origem: Expressão vulgarizada pelos exploradores europeus, principalmente portugueses, devido às enormes dificuldades encontradas ao penetrar o continente africano. A resistência dos nativos causava aos estranhos e indesejáveis visitantes baixas humanas. Muitas vezes retrocediam face às dificuldades e ao perigo de serem dizimados pelo inimigo que eles mal conheciam e, pior de tudo, conheciam mal o seu terreno. Por isso, todos aqueles que se dispusessem a fazer parte das chamadas “expedições em África”, eram considerados destemidos e valorosos militares, dispostos a mostrar a sua coragem, a guerrear enfrentando o incerto, o inimigo desconhecido. Portanto, estavam dispostos a ” meter uma lança em África”.

 

Queimar as pestanas

Significado: Estudar muito.

Origem: Usa-se ainda esta expressão, apesar de o facto real que a originou já não ser de uso. Foi, inicialmente, uma frase ligada aos estudantes, querendo significar aqueles que estudavam muito. Antes do aparecimento da electricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para iluminação. A luz era fraca e, por isso, era necessário colocá-las muito perto do texto quando se pretendia ler o que podia dar azo a ” queimar as pestanas”.

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12 COMENTÁRIOS

  1. Rés-Vés Campo de Ourique não tem nada a ver com o terramoto. Essa é uma falsa noção, infelizmente muito propagada pela internet.
    Os estragos do terramoto não ficaram limitados por Campo de Ourique.
    A onda pouco subiu acima do Rossio, e Campo de Ourique é muito mais alto. Quanto ao terramoto, atingiu zonas para além de Campo de Ourique, mas poupou outras muito aquém (por exemplo,
    a Sé e o Castelo)
    A expressão tem a ver com a estrada da Circunvalação (1852, um século depois do terramoto), que foi de Alcântara até S. Sebastião da Pedreira, passando pela zona do Arco do Carvalhão, mesmo ao lado de Campo de Ourique: rés-vés Campo de Ourique.
    Isto pode ser confirmado pelos serviços da Câmara Municipal de Lisboa

  2. “Ficar a ver navios”… então e o facto de Junot, quando veio a Portugal com as tropas francesas com o objetivo de aprisionar a família real e não pôde mais que ficar em São Julião da Barra a ver os navios que partiam para o Brasil, sem poder ir no seu ençalço?

    • Que a origem do “ver navios” seja o desapontamento de Junot, concorda com o que sei.
      Já quanto à “lança em África”, tenho opinião diferente da sua, que direi noutra ocasião.
      Mário Ventim Neves

  3. A expressão “meter uma lança em África” parece ter origem muito anterior às citadas dificuldades criados pelos “nativos” à “penetração do continente Africano” .
    Segundo a “Crónica dos Carmelitas….”, de frei Joseph Pereira de Sant’Anna (1745), estaria o
    o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, já professado nos Carmelitas, conversando no convento do Carmo com outras pessoas sobre um possível novo perigo vindo de Castela, quando alguém questionou se a sua idade e estado físico lhe permitiriam lutar novamente. O Condestável teria tomado uma lança, e arremessou-a do alto do Carmo. A lança atravessou o vale da baixa e cravou-se numa porta no Rossio. E D. Nuno teria dito que se fosse necessário para salvar o reino, meteria uma lança, não no Rossio, mas em África.
    O episódio é referido em livros mais recentes, como “A vida misteriosa das palavras”, de J.G.Monteiro e A.C.Leão, Portugália Edit, 1944; e, se estou recordado, em “Ditos Portugueses dignos de Memória” (anónimo), anotado e comentado por José Hermano Saraiva, Europa-América, 1979.
    Outras variantes do episódio (quanto à ocasião e data) podem ser encontradas na literatura, incluindo na internet (por exemplo, na entrada “Nuno Álvares Pereira” na wikipéda)

    MVN

  4. Mas que o terramoto, não maremoto, estragou muita coisa até “quase ou rés-vés” Campo de Ourique é verdade.

  5. Para mim o “arco da velha”
    Acho que se refere a um arco como um lugar
    Ao seja um sitio longínquo ou desconhecido…
    Como “onde o diabo perdeu as botas”

  6. Procurei a não encontrei e expressão:
    Com todos os ss e rr”

    Gostava de saber uma hipótese racional e provável da sua origem.

    Até mais logo.

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