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A curiosa origem de 27 expressões populares portuguesas

Ficar a ver navios mesmo sem poder com uma gata pelo rabo são coisas do Arco da Velha. A curiosa origem de 27 expressões populares portuguesas.

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Memória de elefante

Significado: Ter boa memória; recordar-se de tudo.

Origem: O elefante fixa tudo aquilo que aprende, por isso é uma das principais atracções do circo.

 

Lágrimas de crocodilo

Significado: Choro fingido.

Origem: O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima.

 

Não poder com uma gata pelo rabo

Significado: Ser ou estar muito fraco; estar sem recursos.

Origem: O feminino, neste caso, tem o objectivo de humilhar o impotente ou fraco a que se dirige a referência. Supõe-se que a gata é mais fraca, menos veloz e menos feroz em sua própria defesa do que o gato. Na realidade, não é fácil segurar uma gata pelo rabo, e não deveria ser tão humilhante a expressão como realmente é.

 

Mal e porcamente

Significado: Muito mal; de modo muito imperfeito.

Origem: «Inicialmente, a expressão era “mal e parcamente”. Quem fazia alguma coisa assim, agia mal e ineficientemente, com parcos (poucos) recursos.

Como parcamente não era palavra de amplo conhecimento, o uso popular tratou de substituí-la por outra, parecida, bastante conhecida e adequada ao que se pretendia dizer. E ficou ” mal e porcamente”, sob protesto suíno.

 

Rés-vés Campo de Ourique

Significado: Ficar muito perto de alcançar algo.

Origem: A expressão “rés-vés Campo de Ourique” remonta a 1755 quando o terramoto assolou Lisboa tendo destruído a cidade até à zona de Campo de Ourique, que ficou intacta. A partir daí o ditado generalizou-se.

 

Ficar a ver navios

Significado: esperar algo que não vem, não acontece, não aparece.

Origem: Deriva da atitude contemplativa de populares, que se instalavam nos lugares mais altos da cidade à espera de que uma lenda se tornasse realidade.

Eram os portugueses que ficavam a ver navios, na esperança de que um dia voltasse à pátria o rei Dom Sebastião, protagonista da batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos, em que tropas lusitanas e marroquinas travaram violento combate em 1578. Após o desaparecimento de Dom Sebastião na luta, difundiu-se a crença que um dia regressaria a Portugal, para levar o país de volta a uma época de conquistas.

Multidões que frequentavam o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, confiantes no regresso do rei, ficavam a ver os navios que chegavam.

Outra explicação desta expressão prende-se com as invasões francesas e a partida da família real para o Brasil. Teriam as tropas francesas que se dirigiam à capital ainda vislumbrado a sua partida do alto de uma das colinas de Lisboa, e daí a expressão ficaram a ver navios, a partirem, literalmente, falhando na captura da família real.

 

Andar à toa

Significado: Andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.

Origem: Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está “à toa” é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.

12 COMENTÁRIOS

  1. Rés-Vés Campo de Ourique não tem nada a ver com o terramoto. Essa é uma falsa noção, infelizmente muito propagada pela internet.
    Os estragos do terramoto não ficaram limitados por Campo de Ourique.
    A onda pouco subiu acima do Rossio, e Campo de Ourique é muito mais alto. Quanto ao terramoto, atingiu zonas para além de Campo de Ourique, mas poupou outras muito aquém (por exemplo,
    a Sé e o Castelo)
    A expressão tem a ver com a estrada da Circunvalação (1852, um século depois do terramoto), que foi de Alcântara até S. Sebastião da Pedreira, passando pela zona do Arco do Carvalhão, mesmo ao lado de Campo de Ourique: rés-vés Campo de Ourique.
    Isto pode ser confirmado pelos serviços da Câmara Municipal de Lisboa

  2. “Ficar a ver navios”… então e o facto de Junot, quando veio a Portugal com as tropas francesas com o objetivo de aprisionar a família real e não pôde mais que ficar em São Julião da Barra a ver os navios que partiam para o Brasil, sem poder ir no seu ençalço?

    • Que a origem do “ver navios” seja o desapontamento de Junot, concorda com o que sei.
      Já quanto à “lança em África”, tenho opinião diferente da sua, que direi noutra ocasião.
      Mário Ventim Neves

  3. A expressão “meter uma lança em África” parece ter origem muito anterior às citadas dificuldades criados pelos “nativos” à “penetração do continente Africano” .
    Segundo a “Crónica dos Carmelitas….”, de frei Joseph Pereira de Sant’Anna (1745), estaria o
    o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, já professado nos Carmelitas, conversando no convento do Carmo com outras pessoas sobre um possível novo perigo vindo de Castela, quando alguém questionou se a sua idade e estado físico lhe permitiriam lutar novamente. O Condestável teria tomado uma lança, e arremessou-a do alto do Carmo. A lança atravessou o vale da baixa e cravou-se numa porta no Rossio. E D. Nuno teria dito que se fosse necessário para salvar o reino, meteria uma lança, não no Rossio, mas em África.
    O episódio é referido em livros mais recentes, como “A vida misteriosa das palavras”, de J.G.Monteiro e A.C.Leão, Portugália Edit, 1944; e, se estou recordado, em “Ditos Portugueses dignos de Memória” (anónimo), anotado e comentado por José Hermano Saraiva, Europa-América, 1979.
    Outras variantes do episódio (quanto à ocasião e data) podem ser encontradas na literatura, incluindo na internet (por exemplo, na entrada “Nuno Álvares Pereira” na wikipéda)

    MVN

  4. Mas que o terramoto, não maremoto, estragou muita coisa até “quase ou rés-vés” Campo de Ourique é verdade.

  5. Para mim o “arco da velha”
    Acho que se refere a um arco como um lugar
    Ao seja um sitio longínquo ou desconhecido…
    Como “onde o diabo perdeu as botas”

  6. Procurei a não encontrei e expressão:
    Com todos os ss e rr”

    Gostava de saber uma hipótese racional e provável da sua origem.

    Até mais logo.

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