Início História 7 catástrofes históricas tão ou mais assustadoras que o COVID-19 (e que...

7 catástrofes históricas tão ou mais assustadoras que o COVID-19 (e que Portugal superou)

Ao longo da história, Portugal já enfrentou situações tão ou mais assustadoras que o novo Coronavírus. Conheça algumas delas.

0
Peste negra
Peste negra

Portugal, a Europa e o Mundo vivem hoje em sobressalto graças ao surto do novo Coronavírus, que teve origem na China. A existência de pandemias de grandes dimensões e mortalidade é um fenómeno mais vulgar do que possamos imaginar. No entanto, os avanços na medicina e nos cuidados de saúde fizeram com que eles se tenham tornado muito menos frequentes.

Os portugueses vivem hoje de quarentena e em plena guerra contra o COVID-19, isolados nas suas casas e esperando por melhores dias. Esta atitude de isolamento é, sem dúvida, a arma mais eficaz contra o vírus.

Por muito difícil que possa parecer, devemos todos ter a noção que, graças ao nosso esforço colectivo, podemos vencer esta batalha contra o Coronavírus. Aliás, ao longo da nossa longa história, já vencemos batalhas bem piores do que esta.

Por isso mesmo, e porque é importante motivar toda a gente e fazê-las acreditar que é possível vencer esta ameaça, conheça 7 momentos históricos em que o povo português venceu (e superou) ameaças tão ou mais perigosas do que o COVID-19.

1. Sismo de Lisboa em 1755

De uma população de 300 mil habitantes em Lisboa, crê-se que 90 mil morreram, 900 das quais vitimadas directamente pelo tsunami. Cerca de 85% das construções de Lisboa foram destruídas, incluindo palácios famosos e bibliotecas, conventos e igrejas, hospitais e todas as estruturas.

Várias construções que sofreram poucos danos pelo terramoto foram destruídas pelo fogo que se seguiu ao abalo sísmico, causado por lareiras de cozinha, velas e mais tarde por saqueadores em pilhagens dos destroços.

2. Peste negra em 1569

É facto histórico comprovado que a Cidade de Lisboa sofreu cerca de 20 períodos da epidemia da peste, sendo que o período mais avassalador foi já na era Moderna, no ano de 1569. Este período ficou conhecido como a Grande Peste de Lisboa.

Esta epidemia, que rapidamente se tornou numa pandemia, deu um corte bastante acentuado na demografia da cidade. Esta Grande Peste começou em Julho de 1569 e só terminou na primavera do ano seguinte.

Durante estes meses, morreram cerca de 600 pessoas por dia, num total de 60 000 no final da pandemia. Se antes mesmo deste período, Lisboa mantinha-se com uma elevada taxa populacional, após este negro período, Lisboa estava transformada numa autêntica necrópole.

3. Sismo na Ilha de São Jorge em 1757

Mandado de Deus é o nome popular porque ficou conhecido o grande sismo e maremoto que a 9 de Julho de 1757 abalou a ilha de São Jorge, Açores e ilhas vizinhas, causando nelas grande destruição e mortandade. Do abalo resultou a morte imediata de pelo menos 1053 pessoas na ilha de São Jorge e 11 na ilha do Pico. Com os feridos que vieram a perecer e os desaparecidos, estima-se que tenham morrido cerca de 1500 pessoas.

O Mandado de Deus foi o mais violento dos terramotos de que há memória nos Açores, causando destruição generalizada e formando muitas das actuais fajãs, entre elas a da Caldeira de Santo Cristo. Dos grandes deslizamentos resultou um maremoto que atingiu todo o Grupo Central. Pelo menos 1053 pessoas morreram em São Jorge e 11 no Pico.

4. Sismo na Ilha de São Miguel em 1522

Subversão de Vila Franca ou Terramoto de Vila Franca são as designações que na historiografia açoriana tradicionalmente se dá ao grande sismo que na noite de 21 para 22 de Outubro de 1522 provocou grandes movimentos de terra e destruição generalizadas das habitações na ilha de São Miguel, em especial em Vila Franca do Campo, então a capital da ilha.

O sismo teve epicentro alguns quilómetros a NNW de Vila Franca, atingindo a localidade com intensidade máxima de grau X da Escala Macrossísmica Europeia de 1998, derrubou a maioria dos edifícios e desencadeou movimentos de vertente com origem nas encostas sobranceiras à vila que mobilizaram cerca de 6,75 milhões de metros cúbicos de material que formou um lahar que soterrou as ruínas do povoado. Em consequência estima-se que morreram de 3 000 e 5 000 pessoas na vila, a quase totalidade dos habitantes de então.

5. Sismo de Lisboa em 1531

O sismo de Lisboa de 1531 foi um violento terramoto que atingiu a zona de Lisboa em 26 de Janeiro de 1531. O terramoto e o posterior tsunami resultaram em aproximadamente 30 000 mortes.

Acredita-se que a causa foi uma falha geológica na região do baixo Tejo, e foi precedido por um par de choques em 2 de janeiro e 7 de janeiro. Os danos causados, especialmente na parte baixa foram severos, aproximadamente um terço das edificações da cidade foram destruídas e mil vidas se perderam no choque inicial. O Paço da Alcáçova e a Igreja de São João foram ambos quase completamente destruídos.

Historiadores da época relataram inundações perto do rio Tejo, algumas embarcações foram atiradas contra as rochas e outras ficaram no leito seco do rio, que se retraiu por instantes, num violento tsunami.

6. Peste negra em 1348

Em Portugal, a peste entrou no outono de 1348. Matou entre um terço e metade da população, segundo as estimativas mais credíveis, levando a nação ao caos. Foram inclusivamente convocadas as Cortes em 1352 para restaurar a ordem.

A peste, que nunca antes existira na Península Ibérica, voltou a Portugal várias vezes até ao fim do século XVII, ou seja sempre que nasciam suficientes novos hóspedes não imunes.

7. Gripe espanhola em 1918

Em Portugal o número oficial de vítimas é superior a 60 mil. A doença varreu o país a uma grande velocidade, tanto assim que a falta de caixões para os funerais foi um dos resultados imediatos, o que fazia que muitas famílias os comprassem por antecipação e guardassem debaixo das camas onde os seus membros agonizavam.

A pneumónica apanha o mundo e as autoridades sanitárias desprevenidas, até porque ainda se desconhecia a existência do vírus, e Portugal não escapa ao surto quando no final de maio de 1918 surge o primeiro caso em Vila Viçosa, e rapidamente o contágio se propaga pelo país de sul para norte.

Os mortos portugueses são uma ínfima parte dos mais de 20 milhões de vítimas em todo o mundo – embora existam estimativas que apontam para números bem mais altos -, mas é uma quantidade tão impressionante que pode ser considerada a mais alta para uma doença do género em Portugal.

As origens da pneumónica a nível mundial nunca foram exatamente localizadas, havendo várias teorias (ver peça secundária), entre as quais a de ter nascido na Ásia ou ou em cidades europeias como Brest ou Bordéus. Os últimos estudos apontam os Estados Unidos como o local onde surgiram os primeiros casos.

A sua entrada em Portugal deu-se através dos trabalhadores sazonais portugueses que iam para Badajoz e Olivença e que trouxeram a doença para a localidade alentejana de Vila Viçosa, onde no fim de maio ocorre a primeira morte.

No dia 4 do mês seguinte é registado outro caso em Leiria, confirmando a fácil propagação em todo o território, pois vai da zona perto da fronteira com Espanha. Seguir-se-á Guarda, Castelo Branco, Beja e Évora e chega rapidamente aos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto. Segundo cálculos oficiais, os índices de maior mortalidade verificaram-se em Benavente, onde sete em cada cem pessoas morreram da gripe.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here