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7 aldeias de sonho para visitar no Alentejo

Por entre planícies ondulantes, com casas caiadas de branco e um rosto amigo em cada esquina, descubra 7 magníficas aldeias para visitar no Alentejo.

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Terena
Terena

O Alentejo sempre despertou, nos portugueses, um sentimento de melancolia e de empatia que nos faz amar esta região de Portugal de uma forma especial, tão especial que nem conseguimos perceber muito bem as razões desta paixão. Poderão ser as casas caiadas de branco das suas aldeias, com as suas típicas faixas azuis ou amarelas. Poderão ser as colinas ondulantes e verdejantes na Primavera, pintadas pelo castanho do trigo no Verão.

Poderão ser os seus sobreiros a perder de vista na imensidão da planície. Ou talvez seja por causa das suas gentes, do povo que habita esta belíssima região, povo esse que ainda mantém vivas as suas tradições e a sua essência e que nos faz sentir sempre bem-vindos em cada pequena aldeia do Alentejo que visitamos.

Elaborar a lista das melhores aldeias para visitar no Alentejo não é difícil porque há muitas por onde escolher. No entanto, pode ficar surpreendido por não ver algumas das aldeias que esperava ver. Falamos, por exemplo, de Monsaraz. Monsaraz tem estatuto de vila e, além disso, é já muito conhecida pela grande maioria dos portugueses (e começa também a ser conhecida internacionalmente).

Por isso optámos por excluir Monsaraz desta lista. No entanto, incluímos uma localidade que tem designação de vila mas que, por ser ainda relativamente desconhecida, merecia o nosso destaque. Falamos de Terena, no Alandroal. Descubra 7 aldeias de sonho para visitar no Alentejo.

 

1. Alegrete

Alegrete é uma bonita e pacífica freguesia Alentejana situada a mais de 480 metros de altitude, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede, no concelho de Portalegre, dona de uma antiga e rica história. De facto, este é um lugar de antiga ocupação Humana, ocupado por vários povos, tendo sido reconquistado pelo primeiro rei Português, D. Afonso Henriques, possivelmente por volta de 1160.

Alegrete
Alegrete

Alegrete localiza-se próximo da fronteira com Espanha, pelo que a sua posição geográfica sempre permitiu observar toda a envolvente na perfeição, dotando a localidade de alguma importância e desenvolvimento, como ainda hoje é visível no principal monumento da localidade: o Castelo. Alegrete orgulha-se do seu património que conta com a bela Igreja Matriz do século XVI, as Capelas de São Pedro (século XV) e da Misericórdia (século XVII), a Torre do Relógio junto à Igreja Matriz, datada do século XVII ou o encantador Coreto já do século XX. Vale a pena conhecer as pacatas ruas de Alegrete, com o seu típico casario alvo de faixa colorida que alberga a verdadeira essência Alentejana, onde o tempo parece parar e as tradições vão sendo sabiamente mantidas com o passar dos anos.

 

2. Santa Susana

Com arquitectura tipicamente alentejana, a aldeia de Santa Susana destaca-se pela presença de casinhas de rés-do-chão, todas caiadas de branco com barra azul e grandes chaminés. Localizada entre duas ribeiras, afluentes da margem direita da ribeira de Alcáçovas, está distanciada da sede do concelho por 15 km. Na sua envolvência tem ainda a barragem do Pego do Altar, obra hidro-agrícola, mandada edificar no Estado Novo que, além de regar os arrozais do concelho de Alcácer do Sal, constitui um espaço de lazer e descanso.

Santa Susana

As casas são todas parecidas. Têm apenas um andar e estão caiadas de branco, com uma barra azul nas janelas e nas portas. Além disso, as moradias têm todas chaminés iguais e algumas das portas de entrada têm as iniciais dos primos Henrique e Manuel, juntamente com a data em que foram construídas. Em média, elas são pintadas de dois em dois anos, pelos próprios moradores. Até aquelas que não estão habitadas são pintadas pelos vizinhos, que têm orgulho nesta aldeia modelo da região.

 

3. Évora Monte

A pitoresca e deliciosa freguesia de Evoramonte (ou Évora Monte) está situada entre as formosíssimas cidades de Évora e Estremoz. Outrora de elevada importância geográfica e militar, esta vila alentejana, cujas muralhas ainda protegem os seus habitantes lá do topo, sente-se como um guerreiro ancião que pacientemente aguarda os visitantes com inúmeras histórias para lhes contar. Da mesma forma que em outras vilas alentejanas como Marvão e Monsaraz, a Evoramonte do alto da colina praticamente parou no tempo. Chegar lá acima pode ser um desafio se for a pé mas essa vontade instala-se nos mais ousados quando se vê o castelo desde a estrada, para quem vem de Évora ou de Estremoz.

Castelo de Évoramonte
Castelo de Évoramonte

Se decidir subir de carro, deixe-o fora das muralhas na Porta de São Sebastião para poder entrar na vila como o fizeram os portugueses ao longo da maioria dos séculos. A vila é pequena mas bonita e singular. O seu tamanho é um bom motivo para percorrer todas as ruas e recantos com atenção aos pormenores. Eles surgem por todo o lado em Évoramonte, seja um ornamento, uma porta ou janela claramente alentejanas, uma inscrição na parede, um pachorrento gato a descansar num lugar estratégico… Por onde quer que caminhe em Evoramonte vai encontrar simples casas brancas tradicionalmente pintadas com cal branca e, muitas vezes, com os coloridos rodapés, contornos de portas, janelas e frisos amarelos ou azuis típicos do Alentejo.

 

4. São Cristóvão

No limite do aglomerado encontra-se a Igreja de S. Cristóvão, construída no séc. XVI. No seu interior encontra-se uma curiosa escultura quinhentista do santo padroeiro. A visita a S. Cristóvão continua com uma ida ao chamado “Calcanhar do Mundo” e ao conjunto megalítico do Tojal. O Calcanhar do Mundo trata-se de um grande penedo no estreito e impressionante vale da Ribeira de S. Cristóvão.

São Cristóvão

Para lá chegar siga pelo caminho de terra batida, em frente à Igreja de S. Cristóvão. Tome sempre a esquerda nas bifurcações. Quanto ao conjunto megalítico do Tojal, que é constituído por um Cromeleque com 17 menires de granito, situa-se na estrada municipal entre S. Cristóvão e Escoural, num caminho de terra à direita, em frente Quinta do Gato, em ruínas, com o nome num azulejo. São Cristóvão – “Aldeia branca e acolhedora sorrindo a cada instante”.

 

5. Porto Covo 

Entre as ondas da costa atlântica e os montados da Serra do Cercal, a aldeia de Porto Covo poderia ser escolhida como um emblema do Alentejo Litoral. Aqui, quando o inverno não os deixava sair da pequena angra nas suas embarcações, os pescadores tornavam-se agricultores, e a mesma força vital que usavam para colher o mar usavam para semear a terra. Ainda hoje, Porto Covo é, como em poucos lugares do país, uma ponte entre o campo mais profundo e o oceano mais aberto.

Porto Covo

O centro da aldeia é uma das mais belas praças portuguesas, o icónico Largo Marquês de Pombal, uma maravilha da arquitectura iluminista do século XVIII, com as suas casinhas caiadas, barras azuis, portas vermelhas e cortinas de renda. Deste coração da aldeia, estendem-se artérias rectilíneas que desembocam num envolvente de pequenas praias de areia dourada e água transparente que sugerem uma antecipação do Mediterrâneo. À vista da aldeia, e a ela sempre ligada, emerge, coroada por bandos de gralhas, a misteriosa Ilha do Pessegueiro, ocupada por romanos e cartagineses, cenário de lendas e invasões de piratas, expoente paisagístico do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

 

6. Flor da Rosa

Flor da Rosa é uma aldeia Alentejana que se desenvolveu em volta de um importante Mosteiro, bem próxima da vila do Crato. Segundo a tradição, o topónimo “Flor da Rosa” virá de um cavaleiro doente cuja noiva, de nome Rosa, terá ofertado exactamente uma frondosa rosa. Contudo, ao contrário do que se previa, foi Rosa quem primeiro faleceu, trazendo o maior dos desgostos ao cavaleiro. Encontrado muitas vezes a chorar desgostoso na campa da sua amada, o cavaleiro, no seu leito de morte, pede para que a flor que Rosa lhe oferecera o acompanhasse à sepultura e que fosse dado àquele lugar o nome de Flor da Rosa em homenagem à sua amada.

Flor da Rosa
Flor da Rosa

O saber popular afirma ter sido em Flor da Rosa que nasceu o Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, conquanto as únicas certezas que se relacionam com esta importante figura histórica é o facto de seu pai, D. Álvaro Gonçalves Pereira, aqui ter residido enquanto Prior do Crato. Flor da Rosa é também muito afamada pelo seu artesanato, nomeadamente de olaria e peças em granito, produzindo objectos de qualidade que guardam técnicas ancestrais, existindo mesmo uma escola de olaria.

 

7. Terena

Terena tem estatuto de vila, apesar de possuir apenas 700 habitantes, mas achamos que também merece ser incluída na lista. Terena, também conhecida por São Pedro ou São Pedro de Terena, é uma bonita vila Alentejana, pertencente ao concelho do Alandroal, situada numa bonita região onde reina a paz de espírito, próxima da Ribeira e da Albufeira da Barragem de Lucifécit, e próxima da fronteira com Espanha. As origens desta vila são bem remotas, existindo pela região diversos vestígios megalíticos de tempos pré-históricos, como as xistosas Antas do Lucas. Na Idade Média esta vila sofreu um importante papel defensivo, como o prova o seu Castelo, que integrava a linha de defesa do Guadiana. Pensa-se que a fundação de Terena datará de 1262, tendo sido anteriormente ocupada por outros povos, como os Mouros que aqui deixaram a sua marca.

Terena (Alandroal)

As calmas ruas de Terena são caracterizadas pela bonita arquitectura Alentejana de casario rural alvo, de faixas coloridas, e orgulhoso Património, como é visível no antigo Castelo da vila, no Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, na Igreja Matriz de São Pedro de fundação anterior ao século XIV, na bonita Igreja da Misericórdia (século XVI), na Capela de Santo António (erguida em 1657), nas Ermidas de São Sebastião, de Nossa Senhora da Conceição da Fonte Santa ou mesmo nas ruínas da Ermida de Santa Clara. Em Terena, é de destacar igualmente o Pelourinho do século XVI, a Torre do Relógio, as ruínas romanas do povoado fortificado de Endovélico e respectivo santuário, e também as ruínas do Castro de Castelo Velho.

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