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6 fantásticos palácios em Lisboa que você nem sabe que existem

Escondidos nos becos de Lisboa, alguns palácios passam despercebidos aos alfacinhas. Vistos de fora não despertam atenções, mas o seu interior deslumbra.

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Palácio Burnay

 

Quantas vezes pensamos que conhecemos bem a nossa própria cidade, o local onde vivemos há décadas? Quantas vezes pensamos que conhecemos todos os locais secretos de Lisboa e todas as histórias associadas a esses locais? Lisboa tem muitos segredos para descobrir, mesmo para os próprios alfacinhas. Pode ser um simples pátio escondido entre becos e ruelas, podem ser preciosidades arquitectónicas escondidas nas fachadas dos edifícios… ou podem ser sumptuosos palácios e palacetes, que parecem não ser nada de especial visto de fora mas que deslumbram quando entramos no seu interior. Lisboa está repleta de antigos palácios que muitos desconhecem. Alguns deles foram transformados e adaptados para outras actividades. Podem servir como museus ou sedes de associações. Podem ainda ter sido transformados em restaurantes ou pousadas. Mas continuam lá, à espera que vocês os descubra.

 

1. Palácio da Ega

O palácio do Pátio do Saldanha, vulgarmente conhecido por palácio da Ega, onde se encontra instalado o Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), constitui um edifício de reconhecido valor artístico e histórico. O seu núcleo primitivo deve remontar ao século XVI, pois sabe-se que em 1582 já existia a Casa Nobre, podendo ler-se essa data numa curiosa fonte de “embrechados” à entrada do palácio.

O edifício encontra-se dividido em três corpos principais: o da entrada cuja fachada dava para um pátio, actualmente um jardim, onde vivem entre outros, alguns exemplares botânicos extra-europeus; o do lado sul, de dois pisos, com uma grande frente sobre o Tejo, dando igualmente para um amplo jardim servido por um grande lago ovalóide; e o do Salão Pompeia, a nascente, continuação do corpo anterior que liga também com um jardim superior.

locais deslumbrantes em Lisboa
Palácio Ega

Durante as Invasões Francesas conheceu este palácio um grande esplendor. O 2º conde da Ega, Aires José Maria de Saldanha, regressado de Espanha, onde ocupara o cargo de Embaixador de Portugal, mandara fazer grandes obras de embelezamento e o palácio era cenário de grandes festas. O general Junot, amigo da família Saldanha, era frequentador assíduo do palácio, de tal forma que após a expulsão das tropas francesas, os condes da Ega são exilados, vendo-se obrigados a deixar o país.

Depois de abandonado, o palácio vai servir como hospital das tropas anglo-lusas e, posteriormente, de quartel-general do marechal Beresford, a quem acaba por ser doado em 1820 por D. João VI. Em 1823, a família Saldanha é reabilitada e requer a posse da sua casa senhorial. Depois de longa demanda em tribunal, é-lhe finalmente entregue o palácio, em 1838, mas a situação financeira da família já não lhe permitia a sua manutenção.

É vendido e passa por vários proprietários até ser adquirido em 1919 pelo Estado, sendo então levadas a efeito obras de grande vulto para nele se poder instalar o Arquivo Histórico Colonial, criado em 1931. Recebeu, após esta data, obras diversas desenvolvidas no sentido da prestação de serviços arquivísticos, o que não invalida que se mantenham, ainda hoje, fortes reminiscências palatinas.

2. Palácio Fronteira

Ilustra a mais notável eclosão do barroco português e encontra-se no meio de uma “quinta” característica da região de Lisboa, ao mesmo tempo exploração agrícola e local de lazer, designada por “quinta de recreio”.

O Palácio dos Marqueses de Fronteira, considerado um dos melhores exemplos da arquitectura palaciana do séc. XVII em Portugal, foi mandado construir pelo 1º Marquês de Fronteira, D. João de Mascarenhas, no terceiro quartel do séc. XVII. Após o terramoto de 1755, o palácio foi alvo de melhoramentos e ampliação.

À arquitectura maneirista de séc. XVII juntaram-se belas decorações barrocas, e passou a residência permanente da família, que ainda hoje aí habita. O Palácio encerra uma notável riqueza azulejar com particular incidência na Sala dos Painéis Holandeses, na Galeria das Artes e na Sala das Batalhas onde azulejos pintados retratam a história do 1º Marquês de Fronteira, herói da Guerra da Restauração.

Palácio Fronteira
Jardim do Palácio dos Marqueses de Fronteira

O palácio está rodeado por magníficos jardins de risco geométrico, nos quais a água, em fontes e tanques, tem uma presença polarizadora. A azulejaria – de temática mitológica, do quotidiano e macacarias – combina com os jogos de água, as espécies vegetais e a estatuária.

No extremo do Jardim de Vénus encontra-se a “Casa de Fresco” com 3 fontes, 12 nichos e uma cúpula revestida de embrechados, e em frente desta o curioso tanque dos Duplos S à volta do qual se encontram bancos ornamentados por grotescos. No Grande Jardim ou Jardim Clássico, em cujo traçado e ornamentação se insinuam influências francesa e italiana, destacam-se a Galeria dos Reis com bustos de todos reis portugueses até D. João VI e o tanque grande com 14 arcos e onde se encontram grandes painéis de azulejo representando 12 cavaleiros, os antepassados mais notáveis da família.

O Palácio e os Jardins, cujo invulgar conjunto azulejar é de salientar, são património da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e estão classificados como Monumento Nacional.

 

3. Palácio Burnay

Mandado edificar no séc. XVIII por D. César de Meneses, principal da Sé de Lisboa, sendo por isso também conhecido por Palácio dos Patriarcas. Foi bastante alterado no séc. XIX, antes de ser adquirido pelo banqueiro Henrique Burnay que o mandou decorar com sumptuosidade.

Destacam-se as estufas, ao gosto fim de século que, simetricamente, integram o corpo do edifício e, no interior, o zimbório que envolve a escadaria, decorada em tromp l’oeil. A classificação como Imóvel de Interesse Público inclui o Palácio, anexos e jardim.

Palácio Burnay- António Reis

Neste momento o palácio contém os serviços de Reitoria e Acção Social da Universidade Técnica de Lisboa. É também denominado por Palácio dos Patriarcas por ter sido residência oficial de Verão dos patriarcas de Lisboa.

Durante várias décadas aí esteve instalado o ISCSP. Actualmente estão nele instalados serviços da Reitoria e Serviços de Acção Social da Universidade Técnica de Lisboa, além do Instituto de Investigação Científica Tropical.

 

4. Palácio Foz

O Palácio da Foz, inicialmente chamado de Palácio Castelo Melhor foi projectado no século XVIII, mas a sua construção estendeu-se até meados do século XIX. A fachada e a estrutura geral do Palácio da Foz é de estilo setecentista, enquanto que o interior que foi remodelado posteriormente tem uma decoração de carácter revivalista, característica da segunda metade do século XIX.

Quando o Palácio da Foz começou a ser construído, apenas existia nesse local um extenso terreno de hortas. Hoje, está rodeado de civilização. Em 1755, foi construído aí próximo o Passeio Público do Rossio, um enorme jardim que foi inaugurado em 1764. Durante muitos anos, este jardim foi um dos centros de reunião da sociedade lisboeta e, quando foi demolido, em 1879, gerou-se uma grande contestação em volta dessa demolição. Mesmo assim, o Passeio Público do Rossio foi demolido para que aí fosse aberta a Avenida da Liberdade.

Palácio Foz – Amélia Monteiro

O Palácio permaneceu por pouco tempo nas mãos da família que o mandara construir. Em 1889 a Marquesa D. Helena de Vasconcelos vendeu o Palácio a Tristão Guedes, um nobre de grande fortuna que nessa altura era o administrador da Companhia Real do Caminho-de-ferro. Diz-se que o negócio foi pouco transparente e que Tristão Guedes se aproveitou das suas funções para comprar o Palácio por uma pechincha.

Ao que parece, visto que se iria construir um túnel para os caminhos de ferro que passaria por baixo da Rampa da Glória, Tristão Guedes ludibriou a Marquesa de Castelo Melhor e expropriou-a dos terrenos e do Palácio. Depois, o traçado do túnel foi feito de forma a poupar o Palácio, passando um pouco a ocidente do torreão norte do edifício. Com a expropriação, passados poucos meses, Tristão Guedes comprou este Palácio por valores muito abaixo do valor real do edifício. Tristão Guedes viria mais tarde a se distinguido com o título de Marquês da Foz. É por isso que o Palácio veio a ser conhecido como Palácio da Foz.

Já como proprietário do Palácio da Foz, o Marquês empreendeu uma reestruturação do espaço, chamando os melhores artistas europeus da época para o fazerem. Das modificações realizadas, pouco restou do que tinha sido outrora o Palácio de Castelo Melhor.

 

5. Palácio Ribeiro da Cunha

Palacete edificado na Praça do Príncipe Real, entre 1877 e 1879, por iniciativa do abastado capitalista José Ribeiro da Cunha, para sua residência. Trata-se de um volume muito marcante da referida praça, com projecto do arquiteto Henrique Carlos Afonso, cujo risco evidencia uma inspiração mourisca, ao gosto revivalista burguês da época, traduzindo o primeiro do género construído em Lisboa.

De planta rectangular, o palacete exibe a sua monumentalidade em três frentes, duas delas articuladas, entre si, por meio de corpo com perfil em ângulo boleado, formando gaveto, e alçado posterior articulado com jardim. A sua influência mourisca está patente nos arcos de ferradura, nas cúpulas bulbosas, na platibanda com merlões e no pátio com arcaria arabizante. Desenvolvendo-se em cave, piso térreo, piso nobre e sótão, o imóvel encontra-se superiormente encimado por cornija sobrepujada por platibanda, marcada por plintos com esferas vazadas rematadas em agulha, dispostos no alinhamento das pilastras, acima da qual são visíveis quatro cúpulas, que coincidem com os ângulos do edifício. No interior, o vestíbulo, a escadaria de honra e o pátio constituem os espaços de aparato, distribuição e circulação interna por excelência.

Palácio Ribeiro da Cunha – Céu Rodrigues

Quanto à obra decorativa, no interior do palacete, merecem destaque: os estuques, da autoria de Domingos Meira, cuja temática mitológica, geométrica e vegetalista, anima as paredes e os tectos, através de frisos, molduras e painéis; a escadaria em pedra, com balaústres de ferro fundido, pontuada por duas estátuas de vulto metálicas segurando candeeiros, sobre colunas metálicas decoradas com elementos vegetalistas; os pavimentos de pedra, de mosaicos cerâmicos brancos, negros, azuis e cor-de-tijolo, distribuídos em composições geométricas centralizadas e simétricas; e todo o trabalho de carpintaria e de ferragens disperso no imóvel.

Ao longo dos tempos este palacete conheceu vários proprietários e ocupações, sendo objecto de diversas alterações. Por exemplo, na posse da família Lopo de Carvalho, durante a década de 80, foi instalada no imóvel (à excepção do último piso) a Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, que aí se manteve até 2005. Por sua vez, o palacete foi objecto de reconversão em espaço comercial, desde Setembro de 2013. O Palacete Ribeiro da Cunha, incluindo o jardim, encontra-se Em Vias de Classificação.

 

6. Palácio dos Condes de Óbidos

Situado de frente para o Rio Tejo, junto ao Jardim 9 de Abril e ao Museu Nacional de Arte Antiga, mais conhecido por Palácio das Janelas Verdes, em Santos, o Palácio dos Condes de Óbidos é mais uma das preciosidades pouco conhecidas da cidade de Lisboa.

Datado do Século XVII, quando Dom Vasco de Mascarenhas o construiu, o Palácio dos Condes de Óbidos apresenta uma fachada marcada pela sobriedade das suas linhas, pontuadas com grandes torreões quadrangulares ao sabor dos velhos solares medievais Portugueses. Virado o Sul, um grande terraço com vista para o rio, é decorado com um dos muitos e extraordinários painéis de azulejos que acrescentam uma nota de interesse ao edifício.

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Biblioteca da Cruz Vermelha – Tó Madeira

Para além de um conjunto azulejar da autoria do Mestre Vitória Pereira, autor do conjunto de azulejos que dão forma à Igreja de Santo António do Estoril, ainda se pode ver um painel maravilhoso da autoria de Jorge Colaço (1868-1942) que, durante algum tempo, também viveu no palácio.

Adquirido pela Cruz Vermelha Portuguesa em 1919 aos Condes de Óbidos, o edifício conheceu vários usos e teve enorme importância na assistência social de Lisboa durante vários períodos conturbados da nossa História. Inacessível ao público, que fica impedido de o conhecer de forma cabal, o Palácio dos Condes de Óbidos é mais um dos segredos desta cidade que espera ainda pela oportunidade de se mostrar e de partilhar com os lisboetas as maravilhas do seu encanto tão especial.

 

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