Início História 1936: quando Portugal esteve a uns dias de recuperar Olivença

1936: quando Portugal esteve a uns dias de recuperar Olivença

Em 1936, Portugal esteve a uns dias de resolver um problema que se arrasta há muito e recuperar Olivença. Mas fomos traídos por falsas promessas de Espanha.

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No contexto da Guerra Civil Espanhola, Franco prometeu a Salazar, devolver Olivença, a troco de apoio do governo português à guerra contra a República, instituída por eleições…11 Dias antes da data acordada, porém, o caudilho “ mandou às urtigas “ o ditador português e investiu contra Olivença. A repressão e a morte alastrou-se sobre o povo oliventino pelo “ grave crime” de içar a bandeira nacional na torre de menagem.

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Será muito oportuno relatar como introdução deste período o que se passou entre Salazar e Franco, antes da ocupação franquista de Olivença. Salazar teria proposto que o apoio do governo português seria em troca da devolução de Olivença ao que Franco assumira.

Porém, três dias antes da data acordada as tropas franquistas irrompem em Olivença ( 17 de Agosto ) espezinhando o acordo feito. Talvez por se conhecer em Olivença este acordo a bandeira portuguesa já estava içada e a população preparava-se para receber as tropas portuguesas que, entretanto, tinham estado em manobras em terras de Elvas.

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As tropas franquistas, dirigidas por Carlos Blanco, entraram em Olivença e reprimiram severamente. Apoiando-se nas denúncias de patrões agrários, são feitas muitas detenções. Por outro lado, as novas “autoridades” apelam à colaboração de determinados proprietários e comerciantes.

Exige-se que os “furtivos entregassem as armas”. Após a limpeza política feita com a repressão sobre a população, com fuzilamentos e a perseguição aos fugitivos pelos falangistas em território português, que tiveram permissão para atravessarem o Guadiana, à caça de foragidos.

As barbaridades e a repressão foi um desvario. Uma das cenas mais horríveis foi ver centenas de cadáveres carbonizados, ao longo da estrada de Olivença para Badajoz, onde viu pilhas de mortos a serem devoradas pelo fogo.

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O espelho de miséria do povo de Olivença é dado pelo livro de “La Farrape” onde a pobreza, prostituição e marginalidade é enorme. A situação é tal que as autoridades espanholas, acabarão por aceitar, a oferta da vinda de grupos de crianças oliventinas para “colónias de férias” em Portugal, algumas delas através do Grupo os Amigos de Olivença.

O Boletim do Grupo reproduz fotografias de dezenas de crianças, na antiga Colónia de Férias de “O Século”. A repressão que caiu sobre Olivença foi inqualificável com prisões e fuzilamentos: muitos oliventinos debandaram para Badajoz, onde incorporaram os grupos republicanos que defenderam a cidade da fúria franquista.

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Há registos de actos de heroísmo e de mortes, entre os oliventinos. Também muitos outros refugiaram-se nos concelhos limítrofes como em Elvas, Olivença e Juromenha, onde a “ polícia política “ portuguesa os prendia e interrogava, devolvendo-os às autoridades espanholas, os suspeitos de serem republicanos, anarquistas ou comunistas. No entanto, muitas foram bem recebidas e, facilmente, se integraram nas comunidades locais, mesmo em Lisboa.

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