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16 palavras de origem brasileira usadas em Portugal

A maior parte delas tem origem nas línguas indígenas e chegaram até nós através das novelas. Descubra 16 palavras de origem brasileira usadas em Portugal.

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palavras de origem brasileira
Cafuné

A língua portuguesa viajou pelo mundo na Época dos Descobrimentos e acabou por falar uma comunidade de mais de 200 milhões de falantes do idioma de Camões e de Fernando Pessoa. Do Brasil a Timor, são muitos aqueles que se identificam como uma só comunidade apenas pelo fantástico pormenor de falarem a mesma língua. O idioma português acabou mesmo por influenciar outras culturas e criou dialectos que ainda hoje são falados nos locais mais diversos do planeta.

Mas tanta volta e tanta globalização produziram também o efeito contrário, ou seja, existem palavras de outras línguas e de outras origens que são hoje largamente utilizadas em Portugal. Normalmente, prestamos mais atenção a palavras de origem inglesa ou francesa e nem sequer percebemos que algumas das palavras mais bonitas que utilizamos no nosso quotidiano têm origem nos povos que outrora habitavam nas nossas antigas colónias.

De uma dessas ex-colónias, o Brasil, chegaram palavras sobretudo de origem indígena que definem plantas ou animais. Mas não só: o Brasil possui um dinamismo surpreendente na Língua Portuguesa e cria novas palavras com bastante frequência.

Algumas dessas palavras acabam por entrar no hábitos dos portugueses através, sobretudo, das telenovelas e, mais recentemente, da comunidade cada vez maior de brasileiros em Portugal. Descubra 16 palavras de origem brasileira utilizadas em Portugal.

 

1. Abacaxi

O termo “abacaxi” é uma palavras de origem mista, oriunda da junção dos termos tupis i’bá (fruto) e ká’ti (recendente, que exala cheiro agradável e intenso), documentado já no início do séc. XIX. O termo “ananás” é do guarani e tupi antigo naná, e documentado em português na primeira metade do séc. XVI e em espanhol na segunda (1578), sendo empréstimo do português do Brasil ou da sua língua geral. O abacaxi é um fruto-símbolo de regiões tropicais e subtropicais, de grande aceitação em todo o mundo, quer ao natural, quer industrializado: agrada aos olhos, ao paladar e ao olfacto. Por essas razões e por ter uma “coroa”, cabe-lhe, por vezes, o cognome de “rei dos frutos”, que lhe foi dado, logo após seu descobrimento, pelos portugueses.

Na linguagem corrente do Brasil, tal como em Angola, costuma-se designar por “ananás” os frutos de plantas não cultivadas, de variedades menos conhecidas ou de qualidade inferior. Por sua vez, a palavra “abacaxi” costuma ser empregada não apenas para designar o fruto de melhor qualidade, mas a própria planta que o produz. Na gíria brasileira, “abacaxi” significa “algo que não dá bom resultado, coisa embrulhada ou que não presta”. Este fato provavelmente se deve a seu visual espinhoso e ressequido, bem como à dificuldade para descascá-lo sem se ferir com suas farpas, presentes tanto na “coroa” quanto na própria casca. “Descascar o abacaxi”, uma extensão da mesma gíria, significa “resolver um problema difícil”.

 

2. Arara

Os etimologistas concordam que a palavra arara é de origem indígena. Mas uns acham que é uma onomatopeia; o grito da conhecida ave daria a impressão que ela está dizendo “a-raa-ra”! Outra versão é a dos que afirmam que arara é  formada pela repetição de ara, que significa periquito em tupi-guarani. “Ara-ara” seria, então, periquito duas vezes, embora – como observa o Barão de Itararé com muita propriedade – as araras sejam em geral 4 ou 5 vezes maiores que os periquitos.

 

3. Bagunça

A origem da palavra bagunça, que pode significar «confusão» ou «máquina de remover aterro» (cf. Dicionário Electrónico Houaiss da Língua Portuguesa), é duvidosa, embora se pense que possa ser de origem expressiva, isto é, originária de uma onomatopeia (palavra formada por imitação de um som natural).

Note-se, contudo, que Silveira Bueno, no seu Grande Dicionário Etimológico Prosódico (São Paulo, Edição Saraiva, 1964), considerava que a palavra era um termo da gíria militar, «derivado de bag, donde nos veio através do francês bagagem […]», raiz a que se teria associado uma terminação de carácter pejorativo -unça.

 

4. Cafuné

Ato de fazer carinho na cabeça com as pontas dos dedos. Forma de pedir um carinho a outrem. Há uma certa confusão em relação à origem da palavra Cafuné. Embora alguns autores digam que ela teve origem no Brasil, outros afirmam que teve origem em África e que terá sido daí levada para o Brasil pelos escravos negros traficados. Mais tarde, muito graças às telenovelas brasileiras, a palavra Cafuné acabou por chegar a Portugal.

 

5. Caju

O caju é muitas vezes tido como o fruto do cajueiro quando, na verdade, se trata de um pseudofruto. Na língua tupi, acaiu (caju) significa noz que se produz. Muito antes do descobrimento do Brasil e antes da chegada dos portugueses, o caju já era alimento básico das populações autóctones. Por exemplo: os tremembé já fermentavam o suco do caju, o mocororó, que era e é bebido na cerimônia do Torém.

 

6. Canoa

Canoa é uma embarcação leve a remo(s) ou a vela, algumas com motor de popa. De formas finas com popa chanfrada, ou na forma da proa, geralmente com guarnição, para o motor de popa e uma ripa com suporte para pequena-armadoria para a vela.

 

7. Capoeira

Do Tupi guarani co-poera = roça velha. Arte marcial brasileira que através dos seus gingados, apresenta golpes de ataque e defesa. Grande expressão da cultura popular brasileira, nascida da ânsia de liberdade no período entre o Brasil colónia e Império. Em Portugal, capoeira é também a designação do local onde habitam os galos e as galinhas.

 

8. Carioca

(kari’oka) – kari`= branco; oka = casa. Casa do branco. Quem nasceu na Cidade do Rio de Janeiro. Tem sua origem por causa do rio carioca que banha a cidade. Alguns dizem ser mais que isto, ser carioca é um estado de espírito. Em Portugal, o termo carioca é usado para definir algumas formas de pedir café ou chá de limão (carioca de café e carioca de limão).

 

9. Jacaré

Do Tupi-Guarani: jaeça-caré = o que olha de banda. Nome comum a diversas espécies de répteis crocodilianos da família dos aligatorídeos, com focinho chato e largo, que habitam rios e áreas pantanosas da América do Sul e Norte.

10. Jibóia

“Jiboia” provém do tupi y’bói. “Constritora” é uma referência ao modo como a jiboia mata suas vítimas: apertando-as e sufocando-as.

 

11. Lengalenga

Narração ou fala extensa e fastidiosa. A sua origem também é fonte de dúvidas. Ao que tudo indica, será uma palavra de origem africana levada pelos escravos para o Brasil. Foram os brasileiros, no entanto, que internacionalizaram a palavra, trazendo a mesma para Portugal.

 

12. Mandioca

“Mandioca” origina-se do termo tupi mãdi’og, mandi-ó ou mani-oca, que significa “casa de Mani”, sendo Mani a deusa benfazeja dos guaranis que se transforma em mani-oca. “Aipim” origina-se do termo tupi ai’pi. “Maniva” origina-se do termo tupi mani’iwa.

 

13. Pilantra

Pilantra significa desonesto ou vigarista. O termo é utilizado popularmente para designar uma pessoa com comportamento enganador, dada a praticar ações que colocam em causa a sua própria honestidade.

O termo pilantra é também atribuído a alguém que aparenta ser diferente do que é na realidade. Está muito associado à corrupção, à mentira, à vigarice ou ao roubo. Pilantra pode ser sinónimo de ladrão quando o sujeito age com má-fé em seu próprio benefício.

 

14. Pipoca

Do Tupi Guarani pi(ra)- pele; poca-rebentar; a pele rebentada.É o produto dos grãos de milho, estourados/arrebentados em panela, no calor do fogo (eles explodem, quando aquecidos).

 

15. Piranha

Do Tupi Guarani pirá-anhã = peixe diabo. Peixe carnívoro da família dos caracídeos, conhecido pela sua voracidade.

 

16. Tucano

Do Tupi-Guarani tu-can: que bate forte. Ave da ordem dos Piciformes, da família dos Ranfastídeos. O seu bico é muito grande, quase com o tamanho do resto do corpo e é oco. Alimenta-se principalmente de larvas, ovos e frutas. 

1 COMENTÁRIO

  1. Obrigado. De facto, muito interessante. Certa vez vi um sr. português a falar que os brasileiros, por seus neologismos, não falavam mais português. Ora, então nem os portugueses! O que não faltam são neologismos em Portugal, inclusive a palavra “bué”.

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